Laura Carneiro quer discutir construção do píer em Y, no Porto do Rio

PTB Notícias 9/09/2013, 16:01


A construção do píer em formato de “Y” na Zona Portuária do Rio ainda não saiu do papel, mas já é motivo de muita polêmica entre políticos, arquitetos e urbanistas.

De acordo com o projeto da Prefeitura, a construção vai facilitar a interação do terminal de passageiros com o projeto de reurbanização do porto.

A polêmica gira em torno do impacto visual e urbanístico e do reflexo que a construção deverá provocar na futura Via Expressa, construída em substituição ao Elevado da Perimetral.

Considerando a questão de extrema relevância para a cidade, a vereadora Laura Carneiro (PTB) solicitou à Câmara do Rio de Janeiro a instalação de uma Comissão Especial com a finalidade de apurar os detalhes referentes ao projeto de construção do píer em “Y”.

Confira abaixo a entrevista de Laura Carneiro à Ascom da Câmara Municipal do Rio.

Ascom: Qual o foco de trabalho desta comissão? Laura Carneiro: Queremos transparência nas informações.

As pessoas precisam saber e entender como será a obra.

A sociedade foi ouvida em relação a este píer em “Y”? Há uma imensa desinformação do ponto de vista institucional e urbano da cidade.

Este debate é de responsabilidade da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

O píer em “Y” pode impedir a visão do mar e, dependendo do eixo, a visão da própria cidade.

Como integrar a malha urbana, a população, a paisagem e principalmente a frente marítima do Rio com este píer em “Y”? Na verdade, o projeto licitado por Docas indicava a execução do projeto do píer em Y, enquanto os jornais informavam sobre outro projeto, o do espanhol Alonso-Riera-Balaguert, chamado píer em “E”.

Estabeleceu-se uma grande confusão e desinformação, talvez um dos motivos mais importantes para a minha iniciativa.

Ascom: Qual a sua avaliação em relação à construção do píer em “Y” na Zona Portuária? LC: O meu interesse está na cidade, no cidadão nascido aqui ou não, no que podemos oferecer a todos.

Este projeto não condiz com o que já está sendo realizado pela Prefeitura na região.

Além do mais, precisamos entender o por quê da região alfadegária ter que ser tão longa, já que a ideia é entregar o máximo de área livre para o cidadão.

Precisamos “desalfandegar’ toda a área a ser utilizada pelo Projeto Porto Maravilha, e transformá-la em uma grande área para o lazer e cultura.

Ascom: Como a comissão pretende atuar nesta questão? LC: Convidamos diversas instituições para o debate e ganhamos grandes parceiros nesta luta, como a Comissão Permanente de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo e o Instituto dos Arquitetos do Brasil.

A Comissão vem atuando de forma clara, escutando todos os envolvidos e reunindo documentos importantes para o trabalho.

Depois de nosso trabalho, reavivando o tema, foi possível ao prefeito Eduardo Paes, retornar as negociações com a ministra Gleisi Hoffmann, no sentido de alteração urbanística do Projeto em “Y”.

Na sequência, enviamos ofício ao diretor presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro, sr.

Jorge Mello, solicitando algumas informações: existem estudos para a modificação do local do píer, em razão de negociações do prefeito com a ministra? Em que momento poderemos acessar estes estudos? Qual a exata localização e perspectiva? Qual seria a área a permanecer alfandegada? Em resposta enviada à Comissão, a presidência de Docas garante que a conclusão de todos estes estudos e os levantamentos para uma tomada de decisão deverá ocorrer até o final de agosto.

Estamos aguardando.

Ascom: Como a senhora vê a questão do planejamento urbanístico e dos investimentos previstos para a Zona Portuária do Rio? LC: Existem dois projetos.

Um que se refere ao Porto como estrutura física, no caso a construção de um píer pelo governo federal, através de Docas, o chamado píer em “Y” e outro, o projeto Porto Maravilha, realizado pela Prefeitura do Rio, que é fantástico.

O projeto do Porto Maravilha reestrutura toda a região central: Saúde, Gamboa e outros bairros, incluindo rede de esgoto, água, gás, energia elétrica, iluminação pública e muito mais.

Acho que demoramos a colocar em prática uma obra tão necessária à região, abandonada há décadas.

Tudo o que é novo assusta e, às vezes, quando ouvimos sobre a derrubada da Perimetral e outras intervenções necessárias, ficamos preocupados, mas não há melhorias sem transtornos.

Obra é obra e o resultado será fantástico.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações da Câmara Municipal do RioFoto: ASCOM/CMRJ