Leia a íntegra do artigo ‘O grito que se ouve nas ruas’, do presidente RJ

PTB Notícias 19/10/2011, 15:47


Leia, abaixo, a íntegra do artigo “O grito que se ouve nas ruas”, de autoria do presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (19/10/2011) no jornal “Brasil Econômico”.

O grito que se ouve nas ruasSegundo o Banco Mundial, o Produto Nacional Bruto da Grécia, em 2010, era de aproximadamente US$305 bilhões.

Se fosse um estado brasileiro, ficaria em quarto lugar, entre Minas Gerais e o Rio Grande do Sul.

A dívida pública da Grécia, conforme a revista The Economist, é de cerca de US$375 bilhões, o equivalente a aproximadamente 128% de seu Produto.

É relativamente alta, comparada com a do Brasil, de US$1,2 trilhão, mas equivalente a 59,3% do Produto, medido pelo mesmo critério.

Ambas são reduzidas se comparadas, tanto em termos absolutos quanto relativos, à da poderosa Alemanha, que deve US$ 2,3 trilhões, equivalentes a 75,4% de seu PNB.

A despeito dessas cifras, desde que a situação econômica deu sinais de agravamento, os organismos financeiros internacionais e as instituições financeiras privadas não cessam de aumentar as previsões de que um resgate econômico exigirá um número cada vez maior de trilhões de dólares, ou euros, ao mesmo tempo em que se repete, como um mantra, que a origem do problema foi o país dos 11 milhões de gregos, algo que nem os troianos seriam capazes de sugerir.

Para completar o cenário, é cada vez mais evidente que há uma gigantesca especulação contra os títulos das dívidas dos países europeus considerados mais vulneráveis e o próprio euro, cujo colapso como moeda internacional beneficiaria o dólar e quem detém o privilégio de imprimi-lo.

A solução, diz um certo mercado, hoje muito convenientemente sob uma suposta crise de nervos, é cortar gastos públicos com previdência – em sociedades onde a população idosa é grande e crescente -, saúde, educação, salários e empregos.

E quando a população se mobiliza e sai às ruas para dizer “essa não, violão!”, os representantes do senhor mercado vêm a público afirmar que se tratam de arruaceiros, de gente que não entende que não há outra saída ou na melhor das hipóteses de românticos e idealistas, simpáticos, mas que não têm nada a propor.

Como não? Por que cobrar dessas multidões agrupadas respostas que aqueles que escolheu ou tolerou como líderes não deram, que a humanidade não soube dar?O mundo atravessou o século XX sob o signo de duas invenções desenvolvidas no XIX: o liberalismo e o socialismo.

Nenhum deles era viável a longo prazo, mas por décadas a brutalidade do primeiro foi contida pela presença inibidora do segundo.

Os mesmos bancos de investimento que provocaram a crise financeira nos EUA em 2008 foram socorridos com dinheiro público – e se premiaram pela recuperação do sistema financeiro – apostaram contra a Grécia, não num jogo contra outros especuladores, mas contra um país e seu povo, repetindo o que no passado foi feito com outras nações, inclusive o Brasil.

Quem diz isso não é um manifestante folclórico, mas o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz.

Sem contrapeso, esse capitalismo financeiro sem medo e sem pudor gerou a crise que estamos assistindo e que ao que tudo indica vai se agravar, a menos que alguém diga um basta.

Esse é o grito que se ouve cada vez mais alto.