Leia aqui entrevista de Roberto Jefferson ao jornal A Gazeta de Cuiabá

PTB Notícias 30/08/2009, 12:00


Leia abaixo entrevista do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicada no jornal A Gazeta de Cuiabá, do Mato Grosso, neste domingo (30/8):Roberto Jefferson dá o “tom” em encontro estadual do PTB O presidente nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), pivô do escândalo do “Mensalão”, comandou neste sábado (29/8), em Cuiabá, o encontro estadual do partido.

Ele conclamou os correligionários a se lançarem na disputa a deputado estadual e federal em 2010 para consolidar a legenda e também comentou a crise que afeta o Congresso Nacional, o governo Lula e as consequências do esquema que denunciou.

Leia abaixo entrevista exclusiva concedida ao jornal A Gazeta.

A Gazeta – Qual a mensagem que o senhor traz para esse encontro do PTB?Roberto Jefferson – A minha mensagem é no sentido de pedir que os nossos filiados sejam candidatos na eleição do ano que vem para que possamos consolidar a legenda aqui em Mato Grosso.

A Gazeta – E como fica a situação do vice-prefeito de Cuiabá, Chico Galindo? O projeto do PTB é apoiar o PSDB lançando o prefeito Wilson Santos ao governo para ficar com o comando do município?Roberto – Ao meu ver a aliança com o PSDB é o melhor caminho para o PTB.

A Gazeta – Já existe essa articulação com a direção nacional do PSDB?Roberto – Sim.

Já tenho trabalhado muito essa possibilidade com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

A Gazeta – Até que ponto foi discutida essa possibilidade de apoio ao prefeito Wilson Santos?Roberto – Temos feito sim essa discussão.

O Wilson é fundamental nessa engrenagem porque Cuiabá está no coração do Brasil e no Estado de maior ascensão social e econômica do país que é Mato Grosso.

Ele vem fazendo um excelente trabalho em Cuiabá e tem tudo para se eleger como o próximo governador.

A Gazeta – Qual sua avaliação sobre o momento que passa o país e principalmente o Congresso?Roberto – Vejo como sendo a consequência de uma luta política que se antecipou.

O Lula, quando tentou fazer da eleição uma coisa mais plebiscitária, antecipou a discussão.

Fazendo isso, o que começou fazer o PSDB? Começou a bater em volta.

Como o jogador faz o cerco ao rei no tabuleiro de xadrez? Ele começa cercando a torre, o bispo, a rainha.

Foi isso o que o PSDB e o DEM fizeram no Congresso.

Eles cercaram o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Aquilo, então, é uma consequência de uma luta que já se antevê em 2010.

Ficou uma luta entre os partidos do governo e a oposição, o que acabou levando a um brutal desgaste do Sarney e do Senado.

A Gazeta – A decisão da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em trocar o PT pelo PV acabou com o fenômeno da eleição plebiscitária?Roberto – Com certeza sim, pois vamos ter um componente ideológico poderoso que é a ecologia, um assunto palpitante nas grandes capitais como São Paulo e Rio.

As pessoas que estão em grandes centros afastados da realidade da agricultura do Brasil têm esse assunto como muito caro.

E penso também que o principal perdedor com saída da Marina é a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

A Gazeta – E o PT também.

Roberto – Sim, pois a Marina representa um componente ideológico.

Ela era uma bandeira do PT e, saindo do partido, ela leva consigo o que representa e um grande sentimento, pois militou 30 anos no partido.

A Gazeta – O PTB vai continuar na base de apoio ao presidente Lula ou migrará para a oposição? Roberto – O meu desejo é uma aliança com o PSDB, mas temos setores muito próximos ao PT, principalmente na região do Nordeste.

Como dirigente partidário, tenho que respeitar a vontade da maioria, mas estamos conversando frequentemente com o PSDB para ver onde podemos levar isso adiante.

A Gazeta – Quase quatro anos depois de denunciado o Mensalão, o sr.

se sente satisfeito com os resultados disso? Ninguém foi condenado até hoje pela Justiça.

Roberto – Não me arrependo do que fiz.

E acredito também que tivemos resultados muitos bons.

Tivemos ministros, como o José Dirceu e o Antônio Palocci, e a cúpula do PT que caiu por causa do envolvimento com aquele esquema.

Além do mais, o processo está aí.

Não acabou.

Vivemos numa democracia e os réus têm direito a ampla defesa.

O que me deixa triste, no entanto, é ver que temos muitos candidatos não pedem voto falando de suas qualidades mas criticando os defeitos dos adversários.

Esse discurso é vagabundo.