Leia aqui matéria da Revista Istoé: “Collor tenta voltar à presidência”

PTB Notícias 17/02/2008, 11:48


Leia abaixo trechos da matéria publicada pela revsta Istoé, em sua edição que começou a circular neste sábado (16/2): Collor tenta voltar à PresidênciaO senador Fernando Collor monta equipe para disputar a eleição de 2010.

Sua nova bandeira é o parlamentarismoEm outubro do ano passado, o senador Fernando Collor (PTB-AL) reuniu a sua equipe em seu gabinete e anunciou que tiraria uma licença de quatro meses.

“A pauta daqui nos próximos meses não me interessa”, disse ele, no seu estilo seco costumeiro.

Collor referia-se ao fato de que o Senado seguiria até o final do ano discutindo a cassação do mandato do então presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ao voltar ao Senado no início da semana passada e deparar novamente com discussões sobre improbidade – a CPI dos cartões corporativos –, Collor ficou furioso: “Isso aqui continua não me interessando!” Protagonista do primeiro escândalo político após a redemocratização do País, tudo o que Collor deseja é passar o mais longe possível de novos escândalos.

No período em que ficou fora do Senado, ele tratou de pavimentar um caminho que em muitos aspectos se assemelha ao que o levou à Presidência da República em 1989: construir em torno de si uma bandeira nacional que o leve de volta, em 2010, ao posto do qual foi catapultado com o impeachment em 1992.

Quase 20 anos atrás, era o combate aos “marajás” do serviço público; agora, é a defesa da implantação do regime parlamentarista no Brasil.

Se a imagem da mordomia era algo forte no imaginário do eleitorado há quase 20 anos, agora Collor avalia que o que incomoda é a sensação de permanente instabilidade política, com escândalos sucessivos.

Em 1989, ele era o jovem, desconectado dos esquemas políticos tradicionais, que podia, assim, mudar a situação.

Agora, ele quer construir a imagem do homem calejado, que foi vítima dessa instabilidade política e da pauta de escândalos que, agora, pode ter a solução para o problema.

Com a vantagem de ser – ou, pelo menos, parecer ser – tão desconectado quanto antes dos esquemas políticos tradicionais.

E que quer voltar ao poder para abrir mão dele, trocando a centralização presidencialista pelo parlamentarismo.

“O presidencialismo que exercemos no Brasil é sinônimo de crise”, afirma Collor.

Para ajudá-lo na construção da sua estratégia, o senador alagoano ainda conta com a estrutura da Presidência da República.

Como ex-presidente, ele tem direito a dois assessores que o acompanham.

Collor escolheu o general da reserva Sávio Costa, militar da área de inteligência que, na época em que Collor era presidente, organizava os espetáculos semanais que ele fazia ao subir a rampa do Palácio do Planalto, e o diplomata Márcio Cambraia, que o auxilia na área internacional.

Collor primeiro imaginou que poderia chamar a atenção para si a partir do próprio Senado.

Apresentou uma emenda estabelecendo o parlamentarismo que tramita na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Engajou-se numa frente parlamentarista.

Bolou uma cartilha com uma história em quadrinhos explicando o sistema de governo, cujos fotolitos disponibiliza de graça para qualquer político interessado em editá- la.

Criou um programa de rádio que envia também gratuitamente para rádios ligadas a políticos em todo o País explicações sobre o parlamentarismo.

No final do ano passado, quando viu que o Senado talvez não fosse o cenário ideal para expandir a idéia, Collor tirou licença e saiu viajando pelo País.

Fez vários encontros pequenos, reuniões com políticos locais em todos os Estados.

Encontros ainda discretos, com o objetivo de se apresentar e construir alianças.

NOS ÚLTIMOS QUATRO MESES, O EX-PRESIDENTE FEZ REUNIÕES POLÍTICAS EM TODOS OS ESTADOSCollor e o presidente do PTB, o deputado cassado Roberto Jefferson, avaliam que a ausência de Lula nas eleições de 2010 tirará delas a polarização entre PT e PSDB que aconteceu nos últimos pleitos.

Uma situação que pode construir um cenário semelhante ao de 1989, com 14 candidatos à Presidência e pelo menos cinco que apresentaram chance real de se eleger (Collor, Lula,Leonel Brizola, Mário Covas e Afif Domingos).

Esse cenário permitiu que um candidato de um partido pequeno e sem estrutura vencesse.

Em 2010, pode se repetir o mesmo.

A avaliação é que, com o recall de já ter sido presidente, Collor sairia para a disputa com um patamar de 15%.

Numa eleição mais pulverizada, pode ser um bom trampolim.

Ele sabe, porém, que, ao contrário de 1989, agora a rejeição de grande parte do eleitorado será contra ele.

Esse é seu maior obstáculo.