Leia aqui matéria do Correio Braziliense: “Céu de brigadeiro para Gim”

PTB Notícias 18/03/2008, 9:40


Leia abaixo matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense:Céu de brigadeiro para Gim ArgelloSenador, que assumiu em julho de 2007 cravejado de denúncias, superou barreiras ao seu nome e é, hoje, vice-líder do governo, está na CPI dos Cartões e deve assumir a presidência de uma subcomissão na CasaSegunda-feira, 16h, o plenário do Senado Federal tem meia dúzia de parlamentares.

O senador Sibá Machado (PT-AC) pede a palavra.

Na condição de presidente interino dos trabalhos, Gim Argello (PTB-DF) delibera: “Senador Sibá, respeitarei a ordem de inscrição.

O colega Romeu Tuma estava na frente.

Vou dar a palavra a ele e em seguida será a vez de Vossa Excelência”.

Gim infla o peito e enche a boca para reproduzir o corriqueiro impasse regimental ocorrido na última semana, um dos três momentos em que substituiu o presidente da Casa, desde que se tornou senador da República.

O corregedor Romeu Tuma (PTB-SP) foi um dos defensores mais enfáticos sobre a necessidade de investigações do passado de Gim, que estreou no Senado em julho de 2007 cravejado de denúncias.

Entre elas a de suposta participação num esquema de desvio de recursos do BRB.

Desde então muita água correu.

Tuma entrou para o PTB, os dois apararam as arestas e Gim já não dá pista do acuado suplente que pisou no Congresso com a cabeça a prêmio depois da renúncia de Joaquim Roriz (PMDB) para evitar a cassação.

Livre do processo interno — Gim não foi investigado no Senado porque a Mesa Diretora entendeu que denúncias anteriores ao mandato não sustentam ação por quebra de decoro —, o petebista tenta cavar espaço político e investe na aproximação com colegas.

A estratégia meticulosamente acertada com assessores (ele pede opinião da equipe até para saber se deve se deixar fotografar de terno ou manga de camisa) tem garantido desenvoltura do parlamentar no baixo clero, com direito a algumas pontas no comando da Casa.

Gim integra quatro comissões temáticas, de Infra-estrutura, Assuntos Econômicos, Desenvolvimento Regional e Assuntos Sociais (CAS).

Um exagero segundo o regimento interno, que permite no máximo três.

O parlamentar também foi indicado pelo partido para compor a CPI dos Cartões e, na semana passada, com a maõzinha do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que é do PTB, foi promovido a vice-líder do governo, tornando-se um dos quatro auxiliares de Romero Jucá (PMDF-RR) na defesa dos interesses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.

A semana de estréia de Gim na vice-liderança do governo coincidiu com a aprovação da TV pública e do Orçamento de 2008, momento em que o parlamentar testou o poder de negociação com os senadores.

“Fiquei encarregado de garantir o quorum na madrugada.

Fui buscar os senadores que se ausentaram para descansar nos gabinetes”, orgulha-se.

Romero Jucá, a quem Gim já carinhosamente chama Romerinho apreciou a disposição do colega.

“Ele não é preguiçoso”, reparou o líder.

O gradativo entrosamento do ex-deputado distrital com o restrito clube do Senado tem um componente externo aos corredores parlamentares.

Ele é um dos oito integrantes da Maçonaria com mandato no Senado e também se inclui no grupo de senadores católicos.

Afinidades que fizeram aumentar a freqüência dos tapinhas nas costas de Gim, o que não faz do senador, no entanto, nenhuma referência em popularidade.

Tribuna Em 240 dias de mandato, o parlamentar subiu à tribuna duas vezes.

Uma delas para responder a Arthur Virgílio (PSDB-AM), que na posse de Gim provocou o colega a se explicar sobre o envolvimento em irregularidades.

Mas as desavenças ficaram no passado.

Dispostos lado a lado no plenário do Senado, eles dividem amistosamente o microfone e a autoria de um projeto para construir em Brasília uma zona de processamento de exportação, o que tornaria a capital uma mediadora de mercadorias da Zona Franca de Manaus.

Virgílio, aliás, confirma o movimento de aproximação do colega e prevê céu de brigadeiro para o vizinho com mais de seis anos de mandato pela frente.

“Gim Argello se beneficiou de uma negligência da Mesa Diretora, que não soube achar meio constitucional para investigá-lo e saber se as acusações contra ele resultariam em algum tipo de prejuízo para o mandato no Senado.

Mas agora, não há mais o que fazer”, considera o tucano.