Leia aqui o artigo “Economia do tsunami”, de autoria de Roberto Jefferson

PTB Notícias 7/03/2012, 9:58


Leia abaixo artigo de autoria do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico nesta quarta-feira (07/03/2012):Economia do tsunamiPor Roberto JeffersonEm visita à Alemanha, a presidente Dilma voltou a criticar a política monetária dos países desenvolvidos cujos efeitos sobre economias emergentes, em particular a brasileira, foi comparado a um “tsunami”.

É um problema que não pode ser minimizado e, se há alguém que tem poder de decisão a respeito, esse alguém é a interlocutora alemã da presidente, a chanceler frau Merkel.

Angela Merkel, aliás, pouco criativamente tratou de não refutar as críticas de Dilma, acusando o Brasil de protecionismo por meio de barreiras comerciais.

Nossa presidente, que é economista, e nesse campo sabe onde pisa, teria resposta na ponta da língua.

Na verdade, não é preciso ser economista para entender.

Há, por trás das duas posições, um debate de raízes teóricas, mas de consequências para lá de práticas.

Merkel e as autoridades monetárias europeias são partidárias da corrente segundo a qual, numa crise como a presente, os bancos centrais devem praticar juros baixos e inundar de dinheiro o mercado financeiro – daí a alusão de Dilma ao tsunami – na crença de que esse dinheiro evita uma crise bancária ao ser utilizado na reativação da economia.

A corrente oposta, cujos enunciados se pode identificar nos pronunciamentos de Dilma e nas críticas à política europeia de Prêmios Nobel de Economia como Joseph Stiglitz e Paul Krugman, sustenta que a política dominante na Europa não surtirá efeito, como advertia Keynes.

Numa crise como a atual, quem tem dinheiro não faz investimento produtivo, nem que esse dinheiro seja subsidiado, porque não há mercado para a produção e os consumidores cortam os gastos e evitam o endividamento, mesmo que os juros sejam até menores que a inflação, por temor de que a situação piore.

Em consequência, os incríveis US$ 8,8 trilhões que os governos dos países desenvolvidos jogaram em suas economias, em vez de ficar por lá, acabam inundando mercados que proporcionam lucro e segurança, como o Brasil, com nossa “formidável” taxa de juros.

Para agravar a situação, os Estados Unidos e a Europa estão empenhados numa guerra cambial não declarada, tratando de desvalorizar as respectivas moedas, uma frente à outra, a fim de reduzir importações e incentivar exportações.

É por isso que Dilma criticou, na semana passada, “esse tsunami monetário dos países desenvolvidos, que não usam políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para sair da crise em que estão metidos, e que literalmente despejam ¤ 4,7 trilhões no mundo”.

Por isso, também, disse na Alemanha que a “desvalorização artificial da moeda não tem como efeito ganhos de competitividade das economias domésticas.

O que se está fazendo equivale a uma barreira tarifária”.

E se meu eventual leitor chegou até aqui em dúvida se isso lhe diz respeito, basta lembrar que desde que a crise começou nos países desenvolvidos, em 2008, os bancos, em sua maioria, foram salvos, mas o produto per capita vem caindo e o desemprego aumentando.

Já em países emergentes, o produto per capita e o emprego se mantiveram em alta.

E basta lembrar as imagens de um tsunami para recordar o que sobra quando as águas recuam.