Leia aqui o artigo “Educação e pobreza”, do deputado Paes Landim

PTB Notícias 30/12/2008, 9:00


Leia abaixo artigo do deputado federal Paes Landim, do PTB do Piauí, publicado no jornal Diário do Povo nesta terça-feira (30/12):Educação e pobrezaPor Paes LandimO “processo de imaginar o mundo futuro do jeito que queremos é um componente importante que falta ao nosso sistema educacional.

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] Então os alunos passariam a discutir sobre como criar o mundo dos sonhos, o que poderiam fazer para torná-lo realidade, quais seriam os obstáculos existentes e como poderiam ser criadas parcerias e organizações, conceitos, estruturas e planos de ação para alcançar a meta”.

Estas palavras se encontram no livro “Um mundo sem pobreza”, 2007, de Muhammad Yunus, o conhecido autor de “O banqueiro dos pobres”.

Yunus, como se sabe, criou em Bangladesh, em 1969 o famoso Banco Grameen, que resultou na inovação bancária do minicrédito, ao conceder empréstimos aos pobres, especialmente às mulheres, a fim de que iniciassem seus próprios negócios e saíssem da pobreza absoluta.

Em função dessa arrojada e inovadora ação, dentro da sua concepção de empresa social, a única que pose gerar um novo capitalismo, a Academia Sueca lhe conferiu o Prêmio Nobel em 2006.

Nesse seu livro, Yunus já defendia “mecanismos de controle” no fluxo do comércio mundial, posto que a globalização, “sem supervisão e diretrizes adequadas, pode ser altamente destrutiva”.

Segundo a sua experiência de capitalista preocupado com o drama social dos mais pobres, embora reconhecendo a importância e a utilidade da liberdade de mercado, este “poderia tratar de problemas como a pobreza global e a degradação ambiental se não tivesse de se preocupar apenas em suprir implacavelmente as metas financeiras de seus acionistas mais ricos”.

Homem dessa dimensão, rara no mundo, não poderia deixar de se preocupar com o futuro da humanidade que tem na educação seu farol mais significativo, pois conheceu de perto milhares de jovens e mulheres, clientes do seu Banco, que não sabiam ler ou escrever.

Ao ler a biografia do homem extraordinário que foi Olavo Setúbal, de autoria de Ignácio de Loyola Brandão e Jorge Okubaro, vi uma foto sua na cerimônia de entrega do “Prêmio Escrevendo o Futuro” a uma criança, em 2004.

Essa premiação foi uma iniciativa do Instituto Itaú Cultural, presidida por essa dinâmica Milú Villela, Embaixadora da Boa Vontade da Unesco, e junto com o Grupo Itaú e Jorge Gerdau, fundadora do movimento “Todos pela Educação”.

Aliás, em excelente artigo escrito na “Folha de S.

Paulo” de 24 último, no dia de Natal, sob o título “O presente dos nossos sonhos”, e ao lamentar que “no campo da formação de nossas crianças e jovens, continuamos exibindo indicadores incompatíveis com o desenvolvimento”, Milú Villela, após tecer outros importantes considerações sobre a problemática educacional brasileira, concluiu que “educação de qualidade é o presente de Natal que ainda não ganhamos e com o qual não podemos deixar de sonhar”.

No início deste mês, no Alvorada Palace, com a presença do Presidente Lula, presenciei o filho do Dr.

Olavo, o Dr.

Roberto Setúbal entregando o “Prêmio Escrevendo o Futuro” a um dos seus vencedores, entre eles a jovem Jéssica Souza Santos, da Unidade Escolar Marcos Parente, na região de Picos, cujo título do trabalho, a respeito do Rio Guaribas, é muito sugestivo: “sobre a ambição dos humanos ignorantes”.

Interessante registrar que outro aluno, da Unidade Escolar Joaquim Parente (me parece que de Bom Jesus) de nome Enismade Barbosa dos Santos, sob o título “a água não é um bem eterno”, defendeu a proteção da natureza, para salvar a agricultura, os peixes, a fauna, etc.

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O que demonstra como nós, homens públicos, estamos longe de imaginar os sonhos do presente e os do futuro dos nossos sofridos jovens piauienses.