Leia aqui o artigo “Não é competição”, de Roberto Jefferson

PTB Notícias 28/12/2011, 22:57


Leia abaixo artigo do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico nesta quarta-feira (28/12/2011):Não é competiçãoPor Roberto Jefferson O Brasil superou o Reino Unido e se tornou a 6ª maior economia do mundo.

A notícia, originária dos jornais britânicos “The Guardian” e “Financial Times” com base em estimativas de um centro de pesquisas também londrino, foi reproduzida por aqui cercada de metáforas futebolísticas, o que é lamentável porque mais atrapalham do que ajudam a entender o seu significado e suas implicações para o futuro do Brasil.

O fato em si não é surpreendente.

Os mais experientes na vida lembrarão que nos anos 80, a chamada “década perdida”, o Brasil chegou a perder posições nesse ranking e mais recentemente voltou a ganhá-las.

Em dezembro de 2008, a mesma instituição havia previsto que o crescimento brasileiro associado à crise nos países desenvolvidos faria com que em 2009 superaríamos a Espanha e o Canadá, o que efetivamente ocorreu.

No ano passado, foi a vez da Itália.

Outros estudos prevêem que em 2013 seremos superados pela Índia e que, no ano seguinte, talvez antes, Índia e Brasil ultrapassem a França, algum tempo depois, a Alemanha e, em 2030, o Japão.

Dessa forma, no prazo de uma geração, a economia brasileira passaria de 10ª à 4ª maior do mundo.

É aí onde reside o busílis.

Desde logo, nada garante que a evolução projetada se confirme.

Assim como o Brasil teve sua década perdida, o Japão, que nos anos 70 chegou a ser apontado como ameaça à posição dos EUA, também teve a sua e não dá sinais de que retomará o ímpeto, uma vez que recentemente foi superado pela China.

Ainda conforme a instituição britânica, a mudança agora anunciada foi fruto da crise no Reino Unido e do crescimento brasileiro puxado pelas exportações de alimentos e matérias-primas para os mercados asiáticos, principalmente.

Há outros fatores que, no longo prazo, talvez sejam mais importantes e em relação aos quais países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil – e o Brasil em particular – têm uma grande vantagem comparativa: seu crescimento, diferentemente do que ocorreu em outros momentos, se dá com diminuição da pobreza.

Já o que se vê nas nações desenvolvidas é o oposto: crise com encolhimento da classe média e expansão da pobreza.

É por esse motivo que, diante de um clima de torcida organizada, mais torcida do que organizada, aliás, é importante que se atente para a advertência do ministro Guido Mantega (Fazenda) de que podemos levar de dez a 20 anos para que alcancemos o padrão de vida dos europeus.

E é óbvio que será melhor que o encontro se dê pelo crescimento do nosso e não pela queda do deles.

Temos condições de ganhar novas posições mais pelo nosso desenvolvimento que pela fragilidade dos hoje desenvolvidos.

Além de nossas matérias-primas, e alimentos serem economicamente viáveis mesmo que seus preços internacionais recuem, temos um mercado interno em expansão que serve de anteparo às crises externas.

Mas também temos fragilidades e desafios, alguns dos quais tenho tratado em outras oportunidades: na educação, na pesada carga tributária, nas dificuldades burocráticas e de toda ordem à atividade econômica etc.

O principal é entender que não estamos numa competição, mas construindo um país melhor.