Leia aqui o artigo “O Hino do Trabalhador”, do Presidente do PTB

PTB Notícias 4/05/2011, 12:00


Leia abaixo o artigo “O Hino do Trabalhador”, de autoria do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico nesta quarta-feira (04/05/2011):O Hino do TrabalhadorPor Roberto JeffersonMilhões de trabalhadores brasileiros participaram, no último domingo, de uma forma ou de outra, das comemorações do 1º de Maio.

Os mais recalcitrantes, de direita ou de esquerda, como de hábito, desqualificaram essa festa cívica sob o argumento de que as pessoas compareceram aos atos públicos realizados em inúmeras cidades atraídas por shows, sorteios ou simplesmente para se distrair.

Não seriam manifestações de consciência de classe ou mesmo cidadã.

Não faltou quem tratasse de demonstrar que mesmo em relação a um tema que diz respeito diretamente aos trabalhadores, a vigência do imposto sindical, os assalariados brasileiros são alienados: não sabem quem paga, como paga, nem o que é feito com o dinheiro apurado.

Alguns prefeririam ver fisionomias rudes, vociferando uma canção que exorta à união dos “famélicos da terra” e não canções de amor interpretadas por duplas sertanejas e outros artistas de sucesso comercial.

Outros gostariam secretamente de vislumbrar uma massa de mal-encarados, pois seria mais fácil justificar preconceitos e, a partir deles, recorrer ao velho bordão das aristocracias: “a questão social é uma questão de polícia”, como se dizia na República Velha, antes que Getúlio Vargas tivesse a ousadia de conferir aos trabalhadores a cidadania e às suas questões o status de assunto de Estado e objeto de ações de governo.

Em todo o mundo, a luta dos trabalhadores foi politicamente fruto das revoluções democráticas e, economicamente, da revolução industrial.

Numerosas reivindicações levantadas no passado pelos operários eram, na verdade, por direitos de toda a humanidade.

Muitas jamais se concretizaram, outras apenas em parte e ao custo de muito sangue.

Duas guerras mundiais, entremeadas pela maior crise econômica da história, levaram as principais economias do mundo a um compromisso entre capital e trabalho nos moldes dos pregados pelo trabalhismo, fazendo com que esses países vivessem as décadas mais prósperas de que se tem registro.

Por razões que não cabe aqui discutir, a era de bem-estar perdeu fôlego no final do século passado.

Hoje, as circunstâncias são outras.

Mesmo que, sob vários aspectos, o progresso econômico político e social tenha se desvirtuado ou não tenha sido alcançado, não é hora de saudosismo ou de tentar recuperar o irresgatável.

O mundo deste 1º de Maio não é o mesmo de meados do Século XX.

Nem os trabalhadores.

As várias dimensões da evolução da humanidade, nem todas positivas, colocam novos desafios às sociedades em geral e aos trabalhadores em particular.

Questões como jornada e condições de trabalho, salário e aposentadoria dignos seguem em pauta, mas não satisfazem trabalhadores, homens e mulheres, que se fossem cantar o refrão de um hino não recorreriam à “Internacional”, associada a um sem-número de iniqüidades cometidas em nome do proletariado, mas ao verso roqueiro que diz que “a gente não quer só comida”.

Como diz a música dos Titãs, no que se refere a direitos, os trabalhadores brasileiros de hoje, mais conscientes e autônomos do que nunca, levam na alma a estrofe: “A gente não quer/ Só dinheiro/ A gente quer dinheiro/ E felicidade/ A gente não quer/ Só dinheiro/ A gente quer inteiro/ E não pela metade.

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Mais uma vez, falam pelo que o ser humano tem de melhor.