Leia aqui o artigo “O lugar dos tucanos”, do Presidente do PTB

PTB Notícias 1/06/2011, 11:52


Leia abaixo artigo do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico nesta quarta-feira (1º/06/2011):O lugar dos tucanosPor Roberto JeffersonNo último sábado, 28 de maio, compareci à Convenção Nacional do PSDB, que reelegeu o deputado Sérgio Guerra para a presidência do partido.

Como presidente do PTB, tive a oportunidade de me dirigir aos convencionais para saudar Sérgio Guerra, por sua reeleição e por conseguir com habilidade costurar acordos que pacificam o partido, e levaram os tucanos a se unir em torno de sua candidatura.

Retomo agora as considerações que fiz na ocasião e outras que considero relevantes sobre o papel do PSDB na vida política brasileira, não com a presunção de “colocar a colher no angu alheio”, mas porque considero que os destinos de um partido como o PSDB não devem interessar apenas aos seus dirigentes e militantes, mas a toda a sociedade.

O PSDB, criado em 1988 por iniciativa de alguns dos melhores representantes das lutas democráticas no País, é o mais jovem dos grandes partidos brasileiros, se não considerarmos novos partidos aqueles que resultaram de mudanças de nome ou de rearranjos políticos.

Como o PTB, a constituição do ninho tucano não foi um casamento de conveniência ou um acampamento de verão para o qual convergiram temporariamente pessoas com origens e destinos totalmente distintos.

Não cabe aqui discutir em que medida era ou continua sendo viável nesse nosso Brasil mestiço a constituição de um partido social-democrata de inspiração nórdica.

O ex-presidente e em certa época chamado de “o príncipe dos sociólogos”, Fernando Henrique Cardoso, até por dever de ofício e por competência acadêmica, sabia bem das dificuldades que tal projeto certamente enfrentaria e enfrenta até hoje e, não raras vezes, com seu humor refinado fez blague sobre isso.

No Planalto, com Fernando Henrique, o PSDB prestou grandes serviços ao Brasil e por isso teve o apoio do PTB, que não condicionou seu respaldo a cargos no governo.

Os efeitos de algumas realizações dos oito anos fernandianos são tão importantes e duradouros que se incorporaram ao cotidiano de tal forma que a população passou a encará-las como parte de nossa paisagem institucional.

O Real deixou de dar dividendos eleitorais.

Isso não significa, porém, que deva ser esquecido.

Pelo contrário, precisa ser lembrado e reivindicado pelo que representou como uma forma moderna e genuinamente brasileira de fazer política, uma forma a ser aplicada no enfrentamento aos novos desafios.

O curioso é que os tucanos parecem não se dar conta disso.

Qualquer país que se afirme democrático precisa de uma oposição forte, vigilante, e na hora que Serra tinha que fazer oposição, não fez.

Na campanha eleitoral desqualificou o PSDB quando não respeitou nem defendeu a herança de FHC, perdendo a eleição e desarticulando a oposição.

Agora, Aécio está certo em se colocar como o projeto futuro do PSDB, e Serra precisa entender que a hora dele é de mergulhar e lamber suas feridas.

O PSDB é um partido que engrandece a política, que dá orgulho a seus filiados.

Fiquei feliz de comparecer à Convenção, e torço que os tucanos possam se unir para que o partido ocupe o lugar que o Brasil reservou ao PSDB na história.