Leia aqui o artigo “Reflexões junto ao túmulo”, de Roberto Jefferson

PTB Notícias 20/04/2011, 10:54


Leia abaixo, na íntegra, artigo do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico nesta quarta-feira (20/04/2011):Reflexões junto ao túmuloPor Roberto JeffersonNesta terça-feira, viajei a São Borja para colocar uma coroa de flores no túmulo de Getúlio Vargas por ocasião do seu aniversário (o ex-presidente nasceu em 19/4/1882).

A data é geralmente pouco lembrada, eclipsada pelo dia de seu dramático suicídio.

Talvez por isso mesmo o 19 de abril, mais tranquilo, seja propício à reflexão sobre o papel deste que foi o maior estadista brasileiro.

E, não por acaso, lembrado pela população brasileira como um bom presidente, por suas obras e por suas políticas sociais, como comprovam pesquisas realizadas a pedido do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

A política e os políticos brasileiros passam por um momento de descrédito.

Já a obra de Getúlio ainda não foi superada ou sequer atualizada por nenhum líder ou partido, nem pelo PTB, devemos reconhecer.

Esse quadro só será superado pelos partidos que se revelarem capazes de apresentar à sociedade um legado, uma obra, como o Dr.

Getúlio.

Tenho minhas reservas em relação ao historiador inglês Eric Hobsbawn por sua ideologia marxista, mas reconheço-lhe o domínio sobre os aspectos factuais da história contemporânea e admito que ele foi certeiro quando afirmou, num artigo recente, que “deixamos para trás o século XX, mas ainda não aprendemos a viver no XXI”.

Ele se referia ao fato de que o mundo tem se orientado segundo dois modelos: o de economia estatal planificada, que ruiu com o Muro de Berlim, e o de economia capitalista de mercado livre sem limites, cuja inviabilidade se revelou na crise de 2008, a mais grave desde 1929 e ainda não superada.

Hobsbawm lembrava ainda que essas duas tendências acabaram por sufocar a experiência do pós-Segunda Guerra Mundial, grandemente inspirada pelo Partido Trabalhista britânico.

O PTB, criado por Getúlio e recriado após a redemocratização, tem claras identidades com o trabalhismo anglo-saxão de meados do Século XX.

Como aquele, não foi um partido revolucionário no passado nem é no presente, mas reformista.

E se aquele se distanciou de suas raízes ao ponto de perder sua identidade e de abandonar os trabalhadores, o PTB se mantém fiel aos seus princípios.

Não prega a luta de classes, antes crê que os trabalhadores podem avançar por meio da valorização do trabalho, da qualificação profissional etc.

Defende que o governo atue efetivamente na educação e na saúde dos trabalhadores e de sua família, proporcionando-lhes qualidade de vida e oportunidades de realização.

Em relação ao empresariado, o PTB, seguindo o pensamento de Getúlio, cuja eficácia jamais foi refutada pela realidade, prega a redução da carga tributária que, além de excessiva, acaba sempre transferida aos preços e, portanto, sendo suportada pelos trabalhadores de tal sorte que ninguém paga mais impostos, proporcionalmente à renda, que os brasileiros com ou sem emprego formal, mas sem outras receitas que não as originárias de seu próprio esforço.

Um governo trabalhista deve ter verdadeira obsessão pela melhoria de renda do trabalhador para que ele possa tomar suas próprias decisões, inclusive sobre a forma de utilizar seu FGTS, sem a tutela do Estado.

A verdade é que “Justiça social é dinheiro no bolso do trabalhador”.

O resto são artimanhas que, de uma forma ou de outra, beneficiam apenas a poucos.