Leia aqui o artigo “Sagacidade emergente”, publicado pelo Brasil Econômico

PTB Notícias 15/06/2011, 13:42


Leia abaixo o artigo “Sagacidade competente”, de autoria do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal “Brasil Econômico” nesta quarta-feira (15/06/2011):Sagacidade emergentePor Roberto JeffersonÉ curioso como em certos momentos a opinião pública, ou melhor, o debate público se atrasa ou fica na periferia dos aspectos mais relevantes dos acontecimentos políticos.

Foi o que aconteceu nos últimos dias.

Na sexta- feira, quem lesse os jornais do dia no período da tarde ou à noite estaria lendo notícias totalmente superadas pelos fatos.

As reportagens giravam em torno da disputa na Câmara, entre facções do PT, sobre o nome que seria levado – dizer que se pretendia impor a Dilma, talvez fosse algo exagerado – para substituir o de Luiz Sérgio no cargo de ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais.

Naquele momento, contudo, a presidente já havia optado pela troca de posições entre ele e a ministra da Pesca, Ideli Salvatti.

Neste início de semana, o fenômeno voltou a ocorrer.

Discutia-se a personalidade de Ideli e sua adequação ao cargo, para não falar de “abobrinhas” preconceituosas sobre o fato de, como nunca antes neste país, três cargos-chave na cúpula do Poder Executivo serem ocupados por mulheres.

O fundamental, entretanto, é que com suas iniciativas Dilma se afirmava politicamente.

É conhecida a máxima segundo a qual não existe vácuo em política.

Se o presidente, que ocupa o principal cargo político do país, não faz política, outros farão por ele.

Mas isso é só parcialmente verdadeiro, pois ninguém chega à Presidência, sem fazer política.

É notório que a presidente não gosta de certos aspectos do que se chama “fazer política”, aspectos miúdos, mas daí a dizer que ela não seja uma autora (mais que atriz) política vai uma distância enorme e revela um tremendo erro de avaliação.

Os elogios de Dilma a Fernando Henrique Cardoso por ocasião da comemoração dos 80 anos deste é mais do que o reconhecimento do legado do ex-presidente e uma maneira diferente da seguida por Lula de se relacionar com o passado.

Por meio da carta cordial e elogiosa, muito além do protocolar, Dilma explicitou seu lado político mais sagaz, um lado que vem desabrochando ou se revelando, para o bem ou para o mal: o de agregar para si parcelas da classe média identificadas com o legado de FH.

Lula já tem o povão, e Dilma vai minando a última cidadela tucana.

Ao mesmo tempo, o fato de não ter brigado para Palocci ficar mostra que não vai tolerar desvios de conduta.

Outro erro de avaliação é o que vem sendo feito em relação à forma como a opinião pública avalia Dilma e seu governo, a julgar pelos resultados de pesquisa divulgada no final de semana que passou.

Na verdade, o que foi lançado na conta de Dilma, na verdade eram débitos de Palocci e do que há de herança de Lula.

Com a constituição da “casa das três mulheres”, a presidente inicia a montagem de um governo operoso, bem ao seu estilo.

Com isso, mesmo que não seja sua intenção e tenha um acordo com Lula para a volta deste em 2014, ela pode se cacifar para a reeleição.

Se obtiver sucesso, e houver um “queremismo”, é improvável que ela se retire de cena.

Em algum momento será questionada a respeito e as leis da política determinam que terá que dizer que não é candidata a nada e só pensa em fazer um bom governo.

O resto, o tempo dirá.

Foto: Ivana Souza