Leia aqui o artigo “Um debate para já”, do Presidente Nacional do PTB

PTB Notícias 8/02/2012, 13:02


Leia abaixo o artigo do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico, nesta quarta-feira (08/02/2012):Um debate para jáPor Roberto JeffersonA atual crise econômica internacional e as incertezas quanto ao seu desdobramento são as maiores em décadas.

O fato de que ela não atinja com a mesma intensidade nações de todos os continentes atenua alguns de seus efeitos e é motivo de certa tranquilidade para seus habitantes, como nós brasileiros.

Nem por isso devemos nos considerar imunes.

No final do ano que passou, o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo, ultrapassando a Grã Bretanha, enquanto outros países fazem o percurso inverso, perdendo posições e tudo o que isso significa em termos de perda de qualidade de vida para seus povos.

Já tratei de alguns aspectos disso em artigo anterior.

Volto ao tema para apontar um outro aspecto da questão: o dos fluxos migratórios e seus impactos sobre a economia dos países e dos indivíduos.

Não faz muito, tornaram-se frequentes as notícias sobre incidentes envolvendo brasileiros barrados nos serviços de imigração e imediatamente deportados de países europeus, por exemplo.

A situação está se invertendo rapidamente, na toada das cada vez mais abundantes e chocantes reportagens sobre a súbita pauperização de grandes contingentes de gregos, espanhóis e de habitantes de outros países, como os do Leste Europeu e diante do temor de que essa situação se propague a nações mais populosas.

Diante da falta de perspectivas, cresce o número de estrangeiros que passam a considerar a possibilidade de imigrarem para o Brasil, um país onde é obviamente mais fácil se adaptar do que outros cuja economia segue em crescimento, como a China.

Com a crise mundial, estamos passando de exportadores de mão de obra a importadores.

O resultado disso já é visível e se os estrangeiros seguirem chegando ao Brasil – e a perspectiva é que esse fluxo se acentue -, o impacto sobre o emprego dos brasileiros será preocupante.

Repudio toda forma de xenofobia e não é disso que se trata quando defendo que o Brasil precisa urgentemente repensar sua política de imigração para enfrentar a situação.

Não podemos seguir agindo caso a caso e de improviso, como agora no episódio dos haitianos que entram pela região Norte do país.

Nos EUA e na Europa, os governos só facilitam a entrada de trabalhadores estrangeiros para atuar em áreas nas quais existe carência de mão de obra.

Mesmo assim, os sindicatos, sustentados pelos trabalhadores (lá não é como aqui, onde os sindicatos recebem a contribuição sindical sem nada ou pouco a oferecer aos trabalhadores, portanto, com pouca legitimidade) atuam fortemente para impedir que a situação ultrapasse certos limites.

Teremos de enfrentar essa discussão; não dá para ser bonzinho enquanto não há reciprocidade e critério.

Que país queremos no futuro? Um mercado de trabalhadores com renda e acesso ao consumo ou um exército de miseráveis?Para que o Brasil se torne uma grande nação é preciso travar um debate ponderado e informado já.

Em vez de discutir se tira ou não direitos trabalhistas, o Congresso deveria estar travando este debate.

Se não fizer isso, vai acabar aprovando uma medida provisória do governo com o que melhor lhe convier, numa perspectiva de curto prazo que pode atender a problemas pontuais apenas.