Leia aqui o artigo “Uma proposta radical”, do Presidente do PTB

PTB Notícias 11/09/2011, 21:42


Leia abaixo na íntegra o artigo de autoria do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado no jornal Brasil Econômico:Foto: Ivana Souza/Agência Trabalhista de Notícias Uma proposta radicalPor Roberto Jefferson Há cerca de duas semanas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu no Instituto que leva seu nome alguns dos “Pais do Real” e outros economistas dispostos a colaborar para a preservação dos tucanos.

A ideia era discutir uma nova agenda econômica para o País desde uma perspectiva oposicionista.

Até aí, uma iniciativa que só merece elogios.

Numa de suas típicas tiradas, Fernando Henrique teria justificado a necessidade de que os expositores se ativessem ao tempo que lhes fora destinado afirmando: “Alguns aqui trabalham.

Poucos”.

Talvez não tenha se dado conta do alcance da piada.

A verdade não estava só no fato de que a maioria dos presentes não dependia de empregos para garantir seus sustentos.

Mais do que isso, dificilmente algum deles teria motivo de preocupação com desemprego ou como a aposentadoria que, volta-e-meia, é ameaçada por defensores da necessidade de reformas como as ali discutidas.

Economistas ortodoxos desgovernados são um perigo.

São incapazes de entender que a política tem leis tão rigorosas como a matemática e que um programa de governo como o lá proposto garantiria à oposição um futuro mais tranquilo que qualquer fundo de pensão.

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como oposição.

Nem tudo foi debate de ociosos, porém.

Houve uma questão, levantada por Pérsio Arida, que em minha modesta opinião merece discussão mais aprofundada:”O FGTS é um dos impostos mais regressivos que existe.

É uma poupança compulsória do trabalhador.

Sai do bolso dele e vai para o do empresário.

Será que o trabalhador que elege seus representantes não tem condição de administrar seus próprios recursos?” Bravo, Pérsio!De fato, o FGTS, assim como o FAT, são fundos que pertencem aos trabalhadores, mas sobre cuja gestão estes não têm poder algum.

São aplicados compulsoriamente, com baixíssimo rendimento, em diversas áreas a critério do governo, inclusive em “bolsas-empresário” cujo montante supera em muito as “bolsas-família”.

É mais do que hora de mudar essa situação.

O trabalhador brasileiro não precisa nem quer ser tutelado, ainda mais por um tutor que, como gestor de fortunas, é mais que inepto, como é notório.

Não estou defendendo que o dinheiro dessas fontes não seja investido em programas habitacionais ou, via BNDES, não financie empreendimentos empresariais que, entre outras coisas, gerem empregos.

O que proponho é mais radical do que o que defendem esses economistas cheios de expressões em inglês: quanto ao FGTS, para ficar só num exemplo, prego que o dono do dinheiro decida como ele será utilizado, de acordo com as regras de mercado.

Num cálculo grosseiro, o FGTS representa o equivalente a um mês de salário por ano de contribuição.

Assim, se alguém tem interesse em captar esse capital para investimentos de longo prazo, que seduza seu detentor oferecendo segurança e juros compatíveis.

Do contrário, o trabalhador deve poder escolher entre recebê-lo como um adicional ao salário, como um 14º salário, ou destiná-lo a alguma outra aplicação.

Certamente ele saberá o que fazer e tem o direito de decidir.