Leia o artigo ‘Boa sorte, monsieur’, do Presidente Nacional do PTB

PTB Notícias 13/06/2012, 16:12


Leia a íntegra do artigo “Boa sorte, monsieur”, do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (13/6/2012) no jornal Brasil EconômicoBoa sorte, monsieurO Partido Socialista francês venceu o primeiro turno das eleições legislativas do último fim de semana.

Com os presumíveis resultados do segundo turno, no dia 17 de junho, e o apoio dos verdes e da frente de esquerda, deverá proporcionar ao presidente Hollande uma maioria confortável para que seu governo tome as medidas de combate à crise econômica que assola a Europa.

Claro que contar com maioria parlamentar é importante para qualquer governo.

Me refiro, naturalmente, a maiorias estáveis, confirmadas no apoio a propostas macropolíticas, e não a alianças frágeis que oscilam ao sabor do toma lá dá cá ou de interesses particularíssimos, como ocorre em outras latitudes e longitudes.

No caso do presidente Hollande, a maioria é especialmente importante porque ele precisará de respaldo político inequívoco para as batalhas que enfrentará simultaneamente no plano externo e interno.

No externo, confrontando a corrente até agora dominante e liderada pela Alemanha, que sustenta a austeridade a qualquer preço (e demais medidas via mercado, respaldadas, sobretudo, pelo mercado financeiro) como estratégia anticrise.

No plano interno, implementando sua política de recuperação econômica centrada no emprego.

É importante entender que a crise pode ser mundial, mas não afeta todos os países da mesma forma e com a mesma intensidade.

Da mesma forma, é tão fácil quanto equivocado supor que seu enfrentamento seja uma espécie de Fla-Flu (ou qualquer outro clássico futebolístico) entre correntes de teoria econômica.

Num país, o problema mais grave pode ser relacionado às finanças públicas, em outro a questão mais delicada talvez seja a das contas externas, enquanto num terceiro, manter a atividade produtiva interna, como ocorre no Brasil.

Na França, onde a economia está praticamente estagnada (previsão de crescimento de 0,1%), a questão do emprego é crítica e está no centro do programa econômico de Hollande.

Não por acaso, sua abordagem é muito próxima do último relatório da Organização Mundial do Trabalho, que teve entre seus autores principais o francês Raymond Torres.

A França não tem problema de déficit público como a Grécia, Portugal ou Espanha.

Em compensação, tem mais de 2,6 milhões de desempregados, sendo que, entre os jovens entre 15 e 25 anos, o desemprego chega a 22%.

Paradoxalmente, esta é considerada a geração mais bem preparada da história.

O que Hollande propõe, em essência, é o contrário do receituário ortodoxo para as crises fiscais, que consiste em reduzir gastos, em particular com previdência social.

Sua proposta é estimular as aposentadorias.

Isso garante aos franceses mais idosos um final de vida digno, ao mesmo tempo em que abre espaços no mercado de trabalho para os que têm sua vida profissional bloqueada pela falta de oportunidades.

As medidas a serem encaminhadas à Assembleia Nacional por Hollande não devem parar por aí.

Não se trata de promover emprego precário por meio de iniciativas que liberalizem as relações trabalhistas, mas de ações que levem a sua formalização e do incentivo à geração de empregos por parte das pequenas empresas.

Colocar isso em prática envolve medidas fiscais e tributárias, alguns riscos e resistências.

Não é a situação brasileira neste momento.

Razão pela qual não se trata de pensar em seguir pelo mesmo rumo, mas de desejar: boa sorte, monsieur Hollande.