Leia o artigo “De perto, ninguém é nem parecido”, de Roberto Jefferson

PTB Notícias 10/08/2011, 10:46


Leia abaixo artigo de autoria do Presidente do PTB Nacional, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (10/08/2011) pelo Jornal Brasil Econômico: De perto ninguém é nem parecido por Roberto Jefferson Num dia não muito inspirado, Nelson Rodrigues previu que “No ano 2010, o Brasil será maior que os Estados Unidos, a Rússia, e qualquer outro.

O Brasil é que dirá a grande Palavra Nova”.

Felizmente, 2010 já é passado e tão tenebrosa profecia não se cumpriu.

Já pensou, caro leitor, se nessa crise que faz o presidente Obama ter precoces cabelos brancos fôssemos maiores que nossos irmãos do Norte, como se dizia antigamente?Para nossa sorte, o grande Nelson Rodrigues foi, à sua maneira, uma metamorfose ambulante antes de Raul Seixas e afirmou mais certeiramente que “o brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma.

Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade”.

Não sou economista.

Talvez por isso mesmo veja no clima deste início de semana alguns aspectos não-econômicos que me parecem fundamentais.

Antes de mais nada, concordo e apoio as tranquilizadoras declarações da presidente Dilma e do ministro Guido Mantega.

Ou, como diria Chávez – não, não aquele que está no estaleiro, mas o humorista profissional – “Não criem pânico”.

De fato, não me parece que exista motivo para pânico, como sugerem certas manchetes.

E desconfio que haja muito de especulação e de política nesta crise.

Por alguma razão, tenho a impressão de ver um sorriso mal disfarçado por trás do ar aparentemente consternado de certas figurinhas carimbadas da política e da economia internacionais.

Como o ar de certas pessoas quando vão ao velório de “amigos pessoais”.

Algo como se o que está acontecendo fosse exatamente o que desejavam e no que haviam apostado.

Essa mudança da qualificação da dívida dos EUA me parece coisa de quem foi com sede demais ao pote.

Não me entendam mal.

Não nego que a crise exista.

Existe e o mundo paga hoje a conta dos erros dos EUA e Europa que, diante da crise de 2008-2009, decidiram derramar trilhões de dólares para salvar bancos e empresas.

E ainda disseram que estavam usando a receita do pobre Mister Keynes que, morto de morte morrida há mais meio século, não pode se defender e dizer que a receita dele não levava quilos de socorro a banqueiros irresponsáveis, mas sim bem dosadas medidas de investimentos públicos e estímulo ao consumo para evitar que a maionese desandasse.

É claro que uma crise que afete economias do porte da norte-americana e da União Europeia afeta todo mundo e que o crescimento do Brasil será prejudicado, mas, já dizia o poeta, as aves que por aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.

Mesmo a comparação do Brasil com os demais integrantes dos Brics (Rússia, Índia e China) é ilusória.

São países tão diferentes, sob todos os aspectos, que as diferenças são maiores que as semelhanças.

A China, por exemplo, só cresce como cresce porque é uma ditadura que poucos povos tolerariam e se tem um mercado interno que a protege de alguns aspectos da crise, ao mesmo tempo precisa importar alimentos e outras matérias-primas que ninguém dispõe nas quantidades de que dispomos.

Moral da história: como diz Caetano Veloso em “Vaca Profana”, “de perto, ninguém é normal”.

Nem parecido.

* Roberto Jefferson é Presidente Nacional do PTB