Leia o artigo de Roberto Jefferson publicado no Jornal Brasil Econômico

PTB Notícias 23/02/2011, 11:19


Leia abaixo o artigo do Presidente do PTB Nacional, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira 23/02/2011, no Jornal Brasil Econômico Baseado em fatos reais por Roberto JeffersonNo momento em que escrevo este artigo, terça-feira (22/2) pela manhã, a Líbia treme sob a feroz repressão lançada pelo ditador Muammar Kadafi na cada vez mais vã tentativa de prolongar seus 42 anos no poder.

Enquanto isso, no Bahrein, microrreino que parecia saído das Mil e Uma Noites, prosseguem as manifestações como se os dois países disputassem, com gritos, sangue e violência governamental, qual tomará o bastão que está com os egípcios na corrida de revezamento contra as tiranias que oprimem o mundo árabe do Atlântico ao Golfo Pérsico.

Nessa era em que as guerras são transmitidas ao vivo, o noticiário sobre a Líbia me faz lembrar do épico “Tobruck” sobre um ataque de comandos contra a fortaleza e os depósitos de combustíveis do exército alemão, comandado pelo lendário general Rommel.

A ação ocorreu e a cidade fica no litoral mediterrâneo, próxima à fronteira com o Egito.

O resto só remotamente foi “baseado em fatos reais”, como diz a propaganda de filmes sobre casos supostamente verídicos.

Mais realista é outro clássico ambientado na região, Lawrence da Arábia, com os notáveis desempenhos de Omar Shariff e Peter O’Toole.

Neste, os abundantes efeitos especiais não prejudicam a aula de história sobre como o império britânico, com cinismo igualmente abundante, construiu a geopolítica da região que agora volta a tremer sob o movimento de tanques, não mais de um conflito internacional, mas de ditadores oprimindo o povo, em geral fornecidos por potências ocidentais.

Fornecidos por governantes que até ontem defendiam a democracia em casa, mas no deserto apoiam ditaduras “estáveis” e amistosas, principalmente se sobre as areias há jazidas de petróleo e gás.

Não há diretor de cinema que supere a criatividade da história quando se trata de produzir situações irônicas.

Os Estados Unidos e alguns aliados fizeram o possível para depor Kadafi por meio das armas e dos estratagemas mais sofisticados e não conseguiram o que agora líbios quase desarmados parecem prestes a fazer.

Do Bahrein, governado por uma monarquia sectária, mas hospitaleira aos interesses ocidentais a ponto de ser base da 5ª Frota dos EUA, era esperado que se ouvissem os rugidos de motores, mas de carros de Fórmula 1 e o que chega é o barulho dos tanques e rumor da multidão que os enfrenta.

Por trás das rebeliões estão xiitas e o Irã, a Al Qaeda, o Hamas e outros fantasmas de plantão, dizem os ditadores esmolando respaldo político.

Não! Estão as redes sociais e as maravilhas da tecnologia ocidental, refutam os partidários da utopia digital.

Ambos podem ter alguma razão, mas, trabalhista que acredita no povo sem ingenuidade ou pieguice, prefiro pensar que a realidade é mais complexa e perguntar como o jornalista inglês Robert Fisk, que conhece a região melhor que a sua própria terra: se os ditadores puderam ser derrotados na Europa – e na América Latina -, por que não no grande mundo árabe muçulmano?É assim que o governo brasileiro deve encarar a situação e em relação a ela se posicionar, pois os povos erram e acertam, mas os tiranos jamais estão certos.