Leia o artigo “Flertando com o perigo”, do Presidente Roberto Jefferson

PTB Notícias 30/11/2011, 11:15


Leia abaixo a íntegra do artigo , de autoria do Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (30/11/2011) no jornal “Brasil Econômico”.

Flertando com o Perigo O fim de ano está chegando e com ele os meses de verão nos quais a juventude brasileira exibe toda a sua exuberância, nem que seja involuntariamente restrita aos finais de semana ou a um vestido de alcinha a caminho do trabalho.

Menos discreta é a natureza, que no mesmo período costuma fazer suas demonstrações de força no sudeste do Brasil.

No Rio de Janeiro, essa já era a situação quando Estácio de Sá aportou à Baia de Guanabara.

Pode-se imaginar que, nos casos dos nativos, houvesse um pouco menos de malícia.

Já a natureza, ao que tudo indica provocada pela própria irresponsabilidade humana, parece inclinada a uma ciclotimia mais extremada.

A temporada de chuvas deste ano, ao que tudo indica, é promissora.

Para tranquilidade dos responsáveis pelo abastecimento de energia, deve afastar as preocupações com o nível das hidrelétricas, embora ao preço de desbarrancamentos e enxurradas.

E aí, como não lembrar do que ocorreu em janeiro deste ano, na Região Serrana do Rio de Janeiro? Dizem alguns especialistas que fenômenos com a intensidade do que ocorreu naquela ocasião só acontecem a cada 350 anos.

Seria uma atenuante para a responsabilidade dos que poderiam ter agido a tempo de evitar ou pelo menos amenizar os sofrimentos e prejuízos que a todos chocou e que a maioria parece ter removido das preocupações como o entulho que, ao contrário, na maior parte da área afetada continua onde a calamidade colocou e a postos para novos estragos.

Há poucos dias, como se sabe, ocorreu um vazamento de petróleo numa das cada vez mais numerosas áreas de exploração na costa brasileira.

Não teve a magnitude catastrófica das enchentes ou do desastre registrado anteriormente no Golfo do México, mas deveria servir de alerta para um país que tanto espera dos recursos do pré-sal.

Felizmente não chegamos nem perto disso em relação aos reatores nucleares de Angra dos Reis ou dos complexos petroquímicos nacionais.

Não temos terremotos e tsunamis devastadores como os do Japão, mas isso não significa que não existam riscos, mesmo que estatisticamente menores que o de repetição da calamidade na Região Serrana.

A ninguém ocorreria aceitar como preço dos milhões de barris de petróleo que podem ser retirados do mar territorial brasileiro danos duradouros às nossas praias, à nossa flora e à nossa fauna.

Não há quem não consideraria criminosa a construção de um condomínio numa área de risco.

Não há quem não considere criminosa a exposição de pessoas a situações de perigo.

Mas casa por casa, poço de petróleo por poço de petróleo, situação de risco por situação de risco, o Brasil flerta com o perigo com a despreocupação de quem vai à praia.

As desculpas são muitas; os desmentidos às acusações de descaso, inúmeros – inclusive por parte das vítimas que se expuseram de forma inconsequente.

E as providências efetivas, em muito menor número e eficácia que as sempre prometidas após os desastres.

Precisamos nos conscientizar e agir.

Prevenção e planos de contingência que não sejam um palavrório vazio são indispensáveis.

Não são gastos, são investimentos que sempre custam menos em vidas e recursos que os desastres.