Leia o artigo ‘Nós e os 7 bilhões’, do Presidente Roberto Jefferson

PTB Notícias 16/11/2011, 14:53


Leia abaixo a íntegra do artigo “Nós e os 7 bilhões”, de autoria do Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (16/11/2011) no jornal “Brasil Econômico”.

Nós e os 7 bilhõesA população mundial alcançou a marca de 7 bilhões no início deste mês.

E as previsões são de que ao final deste século ficará entre 6 e 16 bilhões, embora haja quem garanta que a Terra não suporte mais de 10 bilhões.

Não digo nenhuma novidade, já que a informação foi divulgada por virtualmente todo meio de comunicação e, só no Google, uma busca por “7 bilhões de habitantes” devolve quase 7 milhões de sites a respeito (6,98 milhões, para ser exato), numa alegoria de até onde chega o sobrepovoamento.

Basta olhar para esses números para ter uma ideia da encrenca.

Em primeiro lugar, é evidente que só com muita boa vontade se pode chamar de previsão (e a partir dela planejar políticas públicas) uma estimativa cujo intervalo é mais de uma vez e meia o dado que serve de base, os 6 bilhões.

É verdade que se trata de uma estimativa de longo prazo e, por isso mesmo, está sujeita a sofrer o impacto de uma infinidade de variáveis, muitas das quais, sequer imaginamos.

No apagar das luzes do século XVIII, o economista e demógrafo britânico Tomas Malthus previu o apocalipse caso a população seguisse crescendo ao ritmo daquele tempo.

A tecnologia se encarregou de dar uma conotação pejorativa ao termo “malthusianismo” e é nisso que se baseiam os otimistas.

O certo é que, parodiando Clemanceau, o primeiro-ministro francês para quem a guerra era um assunto sério demais para ser deixado aos militares, a questão populacional é um assunto sério demais para ser deixada aos demógrafos, mas também aos governantes.

Embora seja verdade que a tecnologia tenha permitido que a população chegasse aos 7 bilhões, também é verdade que elevou a pressão sobre os recursos terrestres a níveis inimaginados.

E isso porque a maior parte da atual população não chega nem perto dos padrões de produção e de consumo da minoria rica que, por sua vez, ao melhor estilo de quem vê mas não enxerga, acha que o problema é o crescimento dos outros.

É como certos cidadãos – e os tecnocratas que os assessoram – que desfrutando de todos os privilégios do andar de cima, em alguns casos literalmente de coberturas babilônicas, e naturalmente de recursos para uma velhice opulenta, afirmam, sem corar, que o desenvolvimento do país exige uma reforma da seguridade social, começando por cortes nos gastos da Previdência dos pobres.

Não fugi do assunto.

Para o Brasil, que tem condições de abrigar uma população muito maior, a questão demográfica pode ser um problema apenas indireto, mas que precisa ser enfrentado tanto na esfera internacional, pela parte que lhe toca neste condomínio planetário, quanto interna, e sob esse aspecto deve ser abordada de forma diferente.

A população brasileira vem reduzindo naturalmente seu crescimento e seu perfil deixou de ser o de uma “pirâmide” para se tornar um “losango” com a parte mais larga composta por adolescentes e adultos jovens.

É no período em que esse grupo de brasileiros estiver economicamente ativo que o país terá as melhores condições de se desenvolver e assegurar condições de vida digna para todos, o que não conseguimos até hoje, e contribuir para que a Terra siga habitada e habitável.