Leia o artigo ‘O começo, espera-se’, do Presidente Nacional do PTB

PTB Notícias 25/07/2012, 11:57


Leia, abaixo, a íntegra do artigo “O começo, espera-se”, do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (25/7/2012) no jornal Brasil Econômico.

O começo, espera-seFoi preciso que o Procon de uma grande cidade, o de Porto Alegre, tomasse a iniciativa de suspender as vendas locais de linhas de celulares para que o governo federal despertasse para o problema dos serviços de telefonia móvel no Brasil.

Como se sabe, na semana que passou, a Anatel acordou para o problema e, em meio a críticas generalizadas às operadoras, inclusive um também súbito interesse do TCU e do Ministério das Comunicações pelo assunto, tomou a si a medida do Procon gaúcho, aplicando-a todo o território nacional a partir da desta segunda feira (23/7).

Na verdade, o problema é muito mais grave e complexo do que a má qualidade dos serviços, como revelou a imprensa ao cobrir o assunto nos últimos dias.

Não é de hoje que se sabe que o Brasil tem um dos sistemas de telecomunicações mais caros e, sob vários aspectos, como o da banda larga, mais deficientes do mundo.

Em parte, o aspecto custo se deve à excessiva carga tributária, mas apenas em parte.

Os serviços são caros tanto no que se refere ao preço cobrado quanto ao peso desse tipo de despesa no orçamento das pessoas e das empresas.

Isso acaba gerando distorções de toda a ordem.

É sabido que o país tem mais celulares do que habitantes.

Uma das razões disso, como revelou o jornal “O Estado de São Paulo” no domingo, é que a contratação de mais de uma linha, mesmo por pessoas de baixa renda, se tornou uma estratégia econômica, uma forma de administrar o uso conforme os planos e promoções oferecidos pelas operadoras.

Uma das consequências disso é a necessidade de que estas ampliem as redes além do que efetivamente seria preciso.

O fato é que o Brasil, segundo a União Internacional de Telecomunicações, tem o quarto ou quinto, dependendo do critério, maior sistema de telecomunicações e o que mais cresce, cerca de 19% ao ano.

Não é um fenômeno novo.

Nem as operadoras, nem a Anatel, portanto, podem alegar que foram surpreendidas por uma súbita explosão de demanda.

Mais ainda, se a ampliação da rede esbarra em problemas como severas condições para a instalação de antenas, isso também não é algo novo.

Combinados, esses dois fatores deveriam ter levado as empresas a dar mais atenção ao planejamento e à ampliação de seus sistemas, não podendo alegar dificuldades de financiamento, posto que suas margens de lucro são maiores que em outros países e que existem linhas de crédito ao seu dispor para isso.

Além disso, o noticiário da semana que passou trouxe a confirmação de que as empresas e a Anatel sabiam que o problema vinha se agravando.

Segundo “O Globo”, por exemplo, há um ano e meio a agência cobrava a melhoria da qualidade dos serviços da operadora agora penalizada com a suspensão das vendas no maior número de estados.

Bastaram uns poucos dias para que as empresas, apesar de protestarem contra a punição da Anatel, anunciassem planos de melhoria e ampliação de suas redes.

Convenhamos: planos sérios desse tipo não são feitos de um dia para o outro.

Ou já estavam prontos, mas não eram executados, ou não são para valer.

O importante é que quem deveria agir, deu sinais de vida.

É o começo, espera-se.