Leia o artigo O lugar do Brasil, do presidente do PTB, Roberto Jefferson

PTB Notícias 21/09/2011, 14:23


Leia, abaixo, a íntegra do artigo “O lugar do Brasil”, do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (21/09/2011) no jornal “Brasil Econômico”.

O lugar do BrasilQuando os leitores do Brasil Econômico tiverem esta edição do jornal em suas mãos, a presidente Dilma estará prestes a fazer ou já terá feito seu discurso de abertura da 66ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Será uma ocasião cheia de simbolismos, mas de importância real apenas relativa quando se observa a agenda da viagem de nossa chefe de governo aos Estados Unidos.

Basta observar quem serão seus interlocutores nas reuniões bilaterais com outros governantes (Obama, Sarkozy, Cameron e presidentes de alguns dos principais países latino-americanos) para constatar onde está o foco da política externa brasileira neste momento em que o mundo trepida sob os efeitos de uma crise econômica que se revela cada vez mais complexa.

No incomparável folclore político mineiro há o caso de um governador que, pressionado a revelar seu alinhamento político por meio da pergunta sobre onde estava Minas, respondeu: “Minas está onde sempre esteve”.

A agenda e a temática da viagem da presidente Dilma será uma eloquente indicação ao mundo de que o Brasil está onde sempre esteve.

Somos um país latino-americano com raízes políticas, econômicas, sociais e culturais ocidentais.

Sob todos os aspectos, estamos mais próximos dos Estados Unidos, da Europa e dos demais países latino-americanos do que de países de outros continentes por maior que tenha sido a contribuição que deles recebemos por meio de contingentes de imigrantes que enriqueceram nossa sociedade.

Nesse momento em que a crise atinge com especial intensidade nossos principais parceiros e se fala de deslocamento do eixo econômico mundial em direção à Ásia, é importante termos clareza sobre “onde estamos”.

Temos nos países asiáticos grandes parceiros, cuja importância relativa vem crescendo.

Mas isso não deve nos fazer supor que seja conveniente ou mesmo possível dar uma pirueta naquela direção.

O recente caso da elevação do imposto sobre os carros importados acabados é ilustrativo de como o governo da presidente Dilma encara com clareza a questão.

Em 2009, o Brasil superou a crise melhor que outros países porque adotou medidas anticíclicas, entre as quais o apoio a algumas cadeias produtivas-chave como a indústria automobilística.

Já naquela ocasião, os fabricantes asiáticos trataram de garantir a fatia de mercado que começavam a conquistar oferecendo condições de preço e financiamento imbatíveis.

Ao que tudo indica, os fabricantes de automóveis exportados prontos para o Brasil estavam prestes a repetir a operação de forma ampliada.

Se isso viesse a ocorrer no contexto de uma crise mais séria, as medidas anticíclicas perderiam muito de seu efeito.

Adotar mecanismos de proteção a uma indústria no momento como este não é tolher a concorrência ou mesmo as regras de mercado, mas protegê-las.

Significa preservar a capacidade de produção, postos de trabalho e o sistema produtivo como um todo.

Mas é importante, também, que os beneficiados tenham consciência disso e participem desse esforço.