Leia o artigo O pior do “mais do mesmo”, do Presidente Roberto Jefferson

PTB Notícias 30/05/2012, 9:54


Leia, abaixo, a íntegra do artigo O pior do “mais do mesmo”, do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (30/05/2012) no jornal “Brasil Econômico”.

O pior do “mais do mesmo”Há uma semana, o ministro Mantega anunciou redução de impostos sobre os automóveis como parte das medidas que o governo vem adotando com o objetivo de evitar que a economia brasileira perca fôlego.

É claro que, transcorrido tão pouco tempo, não é possível fazer uma avaliação definitiva, mas algumas observações são necessárias.

Desde que as medidas entraram em vigor as vendas aumentaram, em algumas concessionárias chegaram até a dobrar.

É normal que, por várias razões, haja forte impacto inicial, mas nada assegura que as vendas voltarão aos níveis de quando a economia estava a pleno vapor.

Não deixa de chamar a atenção a quantidade de críticas às medidas, no sentido de que é um contrassenso estimular as vendas de automóveis quando nossas cidades não comportam mais veículos e o transporte coletivo dá inequívocos sinais de saturação, para não falar do aspecto ambiental às vésperas da Rio+20.

É certo que as medidas não são duradouras.

Em princípio valem até agosto e, mesmo que prorrogadas por algum tempo, são circunstanciais.

Têm por objetivo reduzir estoques e evitar demissões de trabalhadores num setor que é grande empregador.

E nem me ocorre supor que essa preocupação tenha alguma relação com o calendário eleitoral.

De certa forma, as medidas são “mais do mesmo”; a repetição do que foi feito em 2009 com algum sucesso.

Mas não é preciso ser economista para saber que esse tipo de coisa não funciona no longo prazo e que sequer será tão eficaz agora, uma vez que já não são tantos os compradores potenciais que podem ser incentivados pelos descontos.

Além de haver claros indícios de que o endividamento e a inadimplência estão subindo.

Numa perspectiva de longo prazo, a redução dos juros é mais eficaz como forma de estimular a economia, ao mesmo tempo em que a desvalorização do real favorece os produtos nacionais frente à concorrência representada pelos importados.

Sob esse aspecto, o efeito sobre a produção, o emprego e a arrecadação de tributos é mais eficiente e saudável que o incentivo ao consumo por meio de renúncia fiscal aplicada a uns poucos produtos.

O que mais preocupa é que não será com as medidas adotadas até aqui que o Brasil crescerá de forma sustentável, para usar a expressão da moda, nem no ritmo de que necessita.

E o que é pior: o governo não dá sinais de que prepare medidas consistentes nesse sentido.

Quando ficou definido que o Brasil sediaria a próxima Copa do Mundo e a próxima Olimpíada, chegou-se a pensar que esses eventos seriam incentivos poderosos para que o país promovesse uma melhoria expressiva de sua infraestrutura, em particular no que se refere à acessibilidade urbana.

Não há quem não saiba que nesse requisito estamos muito mal e se eram necessários números a respeito, o IBGE os forneceu na semana passada ao divulgar novos dados do Censo de 2010.

O que se vê é que o Brasil vive uma epidemia de puxadinhos.

Improvisações e arremedos que não resolverão o problema trazido pelos grandes eventos e, menos ainda, deixarão um saldo que alivie o drama dos brasileiros que não serão beneficiados por eles ou o serão apenas marginalmente e a um alto custo.

Esta é a pior versão do “mais do mesmo” que se poderia imaginar.