Leia o artigo ‘O que se está construindo?’, do Presidente Nacional do PTB

PTB Notícias 4/04/2012, 12:25


Leia a íntegra do artigo “O que se está construindo?”, do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (4/4/2012) no jornal “Brasil Econômico”.

O que se está construindo?Há algo de muito preocupante na ação do Governo Federal.

De acordo com reportagens publicadas pelo jornal O Globo em suas edições de domingo e de segunda-feira – e não desmentidas oficialmente, pelo menos não há registro no site da Agência Brasil -, as maiores obras na área de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão atrasadas.

Muito atrasadas.

Na área de saneamento, a situação é pior: somente 7% das 114 obras que integram o programa foram concluídas até o final do ano passado, enquanto espantosos 60% delas estão atrasadas, paralisadas ou nem sequer foram iniciadas.

Não são casos isolados.

Os números mencionados são apenas uma pequena amostra de um quadro que transforma o nome do programa em piada de mau gosto.

“Aceleração”? do “crescimento”?O Brasil tem crescido, sim, mas não o suficiente.

E obras em infraestrutura, assim como em saneamento, são indispensáveis e prioritárias, não apenas para que os desafios do futuro sejam enfrentados adequadamente, mas também porque na maioria dos casos, em especial no das obras de saneamento, para nos resgatar de um passado de atraso que deveria envergonhar a todos.

Se não fosse por uma questão de respeito à dignidade humana, deveria ser por interesse econômico, pois o custo gerado pela insalubridade é muito superior ao das obras de saneamento.

Entretanto, estamos atrás de muitos países latino-americanos, para não falar dos desenvolvidos, alguns dos quais superamos em PIB nos últimos anos.

A magnitude e as dificuldades gerenciais das obras são reais, mas não podem mais ser aceitas como justificativa para um atraso (para não falar de desperdícios, erros e custos que vão muito além dos padrões geralmente aceitos).

O PAC foi lançado em 2007 e entregue pelo presidente Lula àquela que era considerada a melhor gestora do governo, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Dilma foi aceita pela população, apesar de sua falta de experiência política e na chefia de governos, mesmo que de uma discreta prefeitura, porque conquistou a imagem de gestora eficiente.

Para isso contribuiu o título que lhe conferiu Lula: de “Mãe do PAC”.

Era uma imagem forte, que foi acolhida facilmente no imaginário do eleitorado.

Quem não admira uma mãe, como tantas neste país, severa, mas que sabe educar, mostrar o que é importante, fazer com que as coisas aconteçam e que aconteçam direito, sem “malfeitos”, nem enrolação?O que há de preocupante nos dados sobre o andamento das obras são os cada vez mais numerosos indícios de que o governo falha.

E não se pense que não era verdade o que Lula dizia.

Basta falar com funcionários públicos que integram a gestão do PAC para ouvir deles as queixas de trabalho excessivo e da forma em geral brutal como Dilma cobra ações e resultados.

A verdade é que as coisas não funcionam na base do “prendo e arrebento”, no caso está mais para “esculhambo e demito”.

Enquanto as obras atrasam ou nem saem do papel, o governo, semana sim, semana não, anuncia medidas para sustentar o desenvolvimento.

Com algum sarcasmo se poderia dizer que não sustentam, escoram.

Não são obras, mas “puxadinhos”.

Assim se constrói um cortiço, não um país.