Leia o artigo ‘Participação feminina’, do Presidente Nacional do PTB

PTB Notícias 11/07/2012, 11:47


Leia, abaixo, a íntegra do artigo “Participação feminina”, do Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, publicado nesta quarta-feira (11/7/2012) no jornal “Brasil Econômico”.

Participação femininaEstamos iniciando mais uma campanha eleitoral, a primeira com o Brasil presidido por uma mulher e a primeira em que a Justiça Eleitoral também é presidida por uma ministra.

Isso representa um avanço indiscutível na redução da desigualdade de gênero no exercício do poder político.

Não é o suficiente, porém, para que nos demos por satisfeitos.

Em 1995, a Conferência Mundial sobre a Mulher da ONU estabeleceu um mínimo de 30% como meta de participação feminina no Legislativo.

O Brasil aderiu a essa política ao adotar a cota de 30% de mulheres nas candidaturas dos partidos.

Em eleições passadas, isso não foi alcançado.

De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral do último sábado, passamos raspando: de 213.

869 candidatos inscritos, 64.

606 eram mulheres (30,2%).

Para prefeito, as mulheres são apenas 12,6% dos candidatos, para vice-prefeito 17,4% e para vereadores 31,3%, uma distribuição que, por si só, já é reveladora das limitações que a sociedade brasileira – mulheres inclusive – impõe e aceita à atividade política feminina.

No cenário nacional, a participação feminina é ainda menor e tem crescido lentamente e com retrocessos em alguns momentos.

Entre a última eleição sob o regime militar e a primeira sob um presidente civil, o percentual de mulheres deputadas federais deu um salto, passando de 1,6% para 5,1%, conforme estudo do professor Walter Costa Porto.

De acordo com a União Interparlamentária Internacional, em levantamento de maio último, o Brasil está em 117º lugar pelo critério de participação feminina em seus parlamentos nacionais (8,6% da Câmara e 16% do Senado), atrás da maioria das nações latino-americanas, de alguns países africanos e até de nações com maioria muçulmana, como Mauritânia (56º), normalmente os vilões no respeito aos direitos da mulher.

Os dados que acabo de citar mostram que o problema só é simples se encarado de forma superficial e por meio de clichês.

As causas são muitas e complexas.

Seja como for, as mulheres hoje estão participando mais, se lançando mais na política, na vida pública; até o eleitor cobra mais a participação delas, enxerga melhor o seu papel, percebendo que em situações como essas, os homens tendem a ser pragmáticos, e as mulheres, afirmativas.

Dois exemplos da diferença que as mulheres podem representar na melhoria da vida política nacional acabam de ser dados em São Paulo.

As mulheres são mais propensas a gestos como o da deputada Luiza Erundina (que deixou a candidatura a vice-prefeita de Fernando Haddad por inconformidade com o acordo eleitoral).

Marta Suplicy, por sua vez, não se deixou triturar pela máquina do partido na escolha do candidato à prefeitura de São Paulo.

Bem melhor nas pesquisas, ao ser preterida, não negociou cargos nem se subordinou às pressões, se mantendo distante.

A resistência dos homens existe, sim, mas o PTB promove muito as mulheres e tem dado força a elas, procurando vencer essa e outras resistências às reformas de que o país tanto necessita.