Líder da bancada do PTB-Bagé, Divaldo Lara avalia 2013 e projeta 2014

PTB Notícias 3/01/2014, 7:58


As bancadas do PTB e do PP conseguiram travar vários projetos do Executivo, seja nas comissões, seja em plenário, seja com o apelo popular.

Entre elas, as iniciativas que previam a criação de três novas secretarias, a instituição da cobrança de contribuição de melhoria em bairros da Zona Leste que serão asfaltados e contratações emergenciais.

A FOLHA do SUL reuniu as lideranças das duas bancadas no Legislativo, comandadas por Divaldo Lara (PTB) e Sônia Leite (PP) para uma avaliação da atuação oposicionista.

Onde, inclusive, comparam a postura atual com a do próprio PT nos anos 90.

O ano de 2013 Sônia diz que o ano passado foi atípico em relação à política.

Isso porque em anos anteriores PP e PTB tinham divergências, inclusive pelas posições da vereadora, que publicamente não apoiou a coligação entre os dois partidos que concorreram à Prefeitura nas eleições municipais de 2012.

No começo de 2013, uma reunião entre as duas bancadas buscou colocar fim ao dilema.

“Eu tenho uma linha de princípios e valores que trago junto comigo.

Sei que para a política isso, às vezes, é meio complicado.

Mas houve o entendimento do vereador Divaldo, como líder da bancada do PTB, que caminharíamos juntos, construindo uma oposição com responsabilidade”, pondera a progressista.

Prova disso, conforme Sônia, é que os projetos do Executivo avaliados como de interesse para a comunidade foram aprovados por PP e PTB.

“Mas os que consideramos contrários não votamos, não votaríamos e não votaremos”, expõe a parlamentar.

Entre as lutas conjuntas, Sônia destaca a contrariedade pela cobrança de contribuição de melhoria para bairros da zona Leste, a situação envolvendo os agentes comunitários de saúde, a busca pela implantação de um curso de Medicina.

“Somos uma oposição com olhos, ouvidos e boca de quem nos colocou como representantes no Legislativo”, acrescenta.

A destinação de emendas para entidades na discussão sobre o Orçamento para 2014 não é considerada pela progressista um acordo entre governo e oposição.

“Não sei se foi pela forma de agirmos, pela credibilidade ou até pelo respeito, conseguimos que todas as nossas emendas, fato histórico na Câmara, fossem aprovadas”, pondera Sônia.

“Não fizemos acordo, houve um entendimento do Executivo e Legislativo que isso deveria ser aprovado para beneficiar as entidades”, complementa.

Na verdade, tudo depende ainda da assinatura de um convênio entre Município e as 14 instituições beneficiadas, que receberão recursos divididos entre a devolução do duodécimo da Câmara e dos cofres municipais.

Divaldo classifica a postura da oposição como fruto da maturidade dos dois partidos, consideradas forças de representação popular pelo petebista.

PTB e PP estabeleceram uma relação de diálogo e articulação, onde o petebista diz que o reflexo é a defesa dos temas de interesse da população.

“Conseguimos a construção de uma oposição forte mediante o diálogo franco e verdadeiro entre nós”, ratifica o vereador.

Divaldo sustenta que a atuação na legislatura anterior não foi possível devido a alguns fatores da própria estrutura da Câmara.

“Na legislatura passada, eu e a Sônia éramos duas vozes no parlamento.

Naquele momento não existia mais oposição em Bagé.

Conseguimos construir esse momento novo para a oposição.

Nosso primeiro ato no início do ano foi conversarmos e indicamos a Sônia como candidata à presidência do Legislativo, como prova dessa união”, demonstra o petebista.

“Hoje, PP e PTB vivem o melhor momento de sua história em termos de relação qualificada como temos nesse momento”, enfatiza.

O episódio da eleição municipal entre Sônia e o PTB está superado, segundo a vereadora.

“Houve uma mudança de pessoas.

O vereador Divaldo Lara busca o entendimento, pregando uma cartilha que é a de ter posição.

Eu não aceito que tu estejas lá e cá”, alerta Sônia.

Semelhanças com oposição petista A questão da ideologia em nível estadual é o ponto de colisão entre as duas bancadas.

De um lado está o PP, oposição declarada ao PT não só em Bagé, mas em nível estadual – embora participe do Governo Federal como aliado.

De outro, o PTB, unido aos petistas em nível estadual e federal, mas oposição no município.

Sônia declara ser contra a ideologia e o discurso petista.

Questionados sobre as semelhanças com o sistema oposicionista do PT nos anos 90, Divaldo diz que a união entre PTB e PP é muito melhor.

“O PT sempre fez uma oposição raivosa, de desqualificar, de quanto pior, melhor.

A nossa oposição é de construção, sintonizada com o que pensa a população.

O PT jamais aprovaria os recursos que aprovamos para ser financiado o asfaltamento.

As linhas de crédito que aprovamos, o PT, na época do Guanaco (ex-prefeito Carlos Azambuja) votou contra, dispara Divaldo.

“Hoje, o PT envia o projeto de asfaltamento para a Câmara e nós votamos.

Mas não um asfalto que vá cobrar da população, é um asfalto que foi prometido.

A cobrança de melhoria nós somos contra”, anuncia o petebista.

A diretriz é auxiliar o Governo Municipal nos temas considerados bons, auxiliar no que está equivocado e ser ferrenhos na defesa do que a oposição acredita.

Cita como exemplo a contrariedade com a criação de novas secretarias.

“Eu e a Sônia fomos os únicos a votar contra a criação de novas secretarias na legislatura passada (foram criadas as pastas de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa e Meio Ambiente)”, relembra Divaldo.

“As secretarias só não saíram agora porque mantivemos um discurso permanente, sintonizados com aquilo que a comunidade quer”, completa Sônia.

“A população não quer secretarias, quer o retorno dos impostos que paga em melhorias para os bairros, nos postos de saúde, escolas.

E nós defendemos isso”, cita o petebista.

“Toda a vida disseram que tenho uma ideologia igual aos petistas, que sou radical.

A diferença que eu tenho é na ação.

Discursar que é a favor do povo é fácil.

Não dizemos nada do que podemos executar amanhã”, frisa Sônia.

“Nós criticamos e apontamos o caminho”, assegura Divaldo.

Polêmica Embora o trabalho conjunto entre as duas bancadas, Sônia não deixa de tocar em uma polêmica: o boato de que o PTB poderia integrar o Governo Municipal – mesmo que lideranças do partido em Bagé, como Divaldo e o secretário estadual de Trabalho e Desenvolvimento Social, Luís Augusto Lara, não sejam favoráveis à ideia.

“Eu espero que o PTB não se alinhe com o PT.

No momento em que isso vier a acontecer não terá a parceria da Sônia Leite.

Eu não consigo conviver com isso”, enfatiza a parlamentar.

Sônia conta que não gostou da manifestação do secretário Lara em entrevista à FOLHA do SUL, publicada no dia 30 de dezembro, quando abordou a possibilidade de o PP em nível nacional apoiar uma provável candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

“Eu não acredito que o PP estadual irá apoiar Dilma.

Se isso acontecer, a vereadora Sônia jamais dará o voto para isso”, reitera.

Divaldo lembra que tanto PP quanto PTB em Bagé não sofrem interferência do Estado e do Governo Federal.

“O meu partido, no Estado, tem uma coligação com o PT.

Mas ninguém teve a coragem ou a ousadia de vir aqui forçar uma coligação nossa com o PT.

Em Bagé, fizemos a maior bancada do PTB no Rio Grande do Sul, trabalhamos sério como oposição.

Não existe nossa possibilidade.

Nossa relação com o PP fortalece um projeto em conjunto”, confirma o petebista.

Ambos os vereadores consideram que o amadurecimento entre os dois partidos estabeleceu uma relação de confiança e respeito.

“O fruto disso são as vitórias que conseguimos no parlamento”, atesta o líder da bancada petebista.

“Quando li na FOLHA do SUL que o vereador Divaldo disse que se reuniria com a bancada para pensar (na verdade, foi a reprodução de parte de entrevista do parlamentar ao programa Jornal da Cultura, da Rádio Cultura) fiquei em choque”, admite Sônia.

“Não tem o que pensar”, complementa.

Divaldo admite que a repercussão foi grande, principalmente nas redes sociais.

Entretanto, reitera o que afirmara: que o PTB não precisa “vender a alma” para demonstrar a capacidade de trabalho.

Elogios aos colegas Os demais integrantes da bancada oposicionista não foram esquecidos.

Sônia diz que Antenor Teixeira realiza com uma atuação “fantástica” no questionamento às atitudes do Executivo, além de bem assessorado.

A liberdade concedida aos parlamentares progressistas é destacada pela vereadora.

“Estou na quarta legislatura.

Nunca recebi um telefonema do Guanaco me dizendo ‘vota assim’.

E do próprio presidente do partido dizendo para eu votar desse ou daquele jeito”, assegura Sônia.

Divaldo destaca a característica da bancada petebista, voltada para o trabalho popular – lembrando a atuação de Bocão Bogado (vendedor ambulante), Carlinhos do Papelão (catador de resíduos sólidos), Geraldo Saliba (radialista) e Esquerda Carneiro (líder comunitário).

Nota à administração municipal Questionados sobre qual nota dariam ao primeiro ano do segundo mandato do prefeito Dudu Colombo, os vereadores divergem.

Sônia deu nota 4.

E justifica.

“Os bairros estão atirados.

Fiscalizei, em um dia, 10 obras com placas de verbas vindas.

Todas paradas, sucateadas, as praças estão inacabadas”, relata a vereadora.

Ela elenca ainda problemas como a demissão de funcionários da área da saúde após a extinção dos convênios com Urcamp e Santa Casa.

“Quiseram botar a culpa nos vereadores, mas foram eles (governo) quem demitiram os trabalhadores”, assinala.

“Dou nota quatro porque podemos relevar e entender que algumas atitudes foram boas”, registra.

A progressista, entretanto, não está satisfeita com o andamento dado à situação do Centro Regional de Perícias.

“Blefaram que teria a verba.

Gastamos com diárias para ir a Porto Alegre para acertar terreno, com tudo.

Brincaram comigo e com a comunidade”, considera Sônia.

A parlamentar reconhece o esforço da atual secretária municipal de Saúde, Teia Pereira, mas acredita que a estrutura ainda é precária.

Equívocos administrativos Divaldo diz que a população é que deve dar nota para o governo.

O parlamentar avalia que durante o ano ocorreram equívocos administrativos, como o aumento da passagem de ônibus.

“Tanto foi um equívoco que o governo aumentou a passagem contra a vontade da população, que paga uma das tarifas mais caras do país, e depois teve que voltar atrás e reduzir e, hoje, é objeto de uma recomendação do Ministério Público que reduza o valor ainda mais”, declara.

O petebista questiona o valor há alguns anos dentro do Legislativo.

“Considero uma vitória do parlamento nossa termos conseguido essa redução de 10 centavos e alertado o Ministério Público”, afirma.

Outro ponto é em relação à fiscalização da obra da Barragem da Arvorezinha.

“O governo fez propaganda da barragem, mas não a fiscalizou.

O resultado disso é o embargo da obra e um prejuízo para a população que acreditou, que tinha esperança que tivéssemos água em abril de 2013″, lembra Divaldo.

Outro equívoco da gestão municipal para o petebista foi a proposta de criação de novas secretarias em momento de crise econômica do município.

“Mesmo com uma estrutura gigante, como é a Prefeitura de Bagé, com cinco mil funcionários, com 19 secretarias e mais de 300 cargos de confiança, o governo manda uma proposta como essa.

Não era isso que isso esperava a população.

A oposição conseguiu reter a criação de novas secretarias e o resultado disso é que a população não está pagando um custo que ia dar R$ 282 mil por ano”, ressalta o vereador.

O líder da bancada petebista acentua a cobrança de asfaltamento da zona Leste, outro fator equivocado do governo.

A contribuição de melhoria, na avaliação de Divaldo, causaria grande oneração aos contribuintes.

“O governo queria arrecadar vendendo asfalto.

Sim, porque iria pegar a exploração do IPTU com mais asfalto e iria aplicar para vender outro asfalto.

Como é uma população de classe média baixa, que não tem condições de pagar mais de R$ 100, que era a proposta que chegou na Câmara, conseguimos reter o projeto.

Custou muitos discursos, muitas posições, o apoio maciço da população e dos meios de comunicação, que deram ampla repercussão ao fato”, reconhece Divaldo.

O vereador lembra ainda a reavaliação do município quanto ao funcionamento do Posto Eduardo Sá Monmany.

“As bancadas do PP e PTB trabalharam forte pelo não fechamento do Sá Monmany, assim como as redes sociais.

O resultado disso é que nenhum vereador da base do governo defendeu o fechamento do posto.

Não teve respaldo na Câmara, assim como a cobrança do asfaltamento, porque eles (situação) viram o equívoco”, aborda Divaldo.

Sônia lembra a mudança no Serviço de Atenção Integral à Sexualidade (SAIS).

“Também conseguimos reverter a situação, tanto que a secretária (Teia Pereira) foi sensível aos apelos de que era preciso um novo local que respeitasse a privacidade das pessoas com HIV”, registra a vereadora.

Divaldo aponta ainda como decisões administrativas erradas do Executivo a tentativa de alienar imóveis onde havia pessoas morando – e cujas casas deveriam ir a leilão.

Seriam 24 imóveis na ideia inicial, que acabaram reduzidos para sete.

“Isso sem falar na questão dos escândalos, que esses a população está vendo, não precisamos falar.

O governo do município teve, esse ano (2013), a companhia da Polícia Federal”, alfineta Divaldo.

Na área da saúde, a demissão de trabalhadores e a tentativa de aumento da alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) para prestadores de serviço pelo SUS (que acabou trancada nas comissões do Legislativo) também são apontados como equívocos pelo petebista.

Possibilidade de duas CPIs em 2014 Sônia e Divaldo não se convenceram com as explicações do coordenador do Parque do Gaúcho, Jorge Abott (Liquinho), sobre a estrutura administrativa e a prestação de contas do local.

Questionados se irão solicitar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Parque do Gaúcho – Divaldo chegou a tocar no assunto em uma reunião da Comissão de Infraestrutura e Transportes da Câmara, em dezembro – os parlamentares afirmam que estudam a possibilidade.

“A população está nos exigindo isso.

Se não fizermos isso estamos nos omitindo da nossa responsabilidade de vereadores”, afirma Sônia.

Divaldo complementa de que a oposição analisa a formação de uma comissão para investigar as cobranças de excesso de água.

“É uma luta antiga, a Sônia já havia tocado nesse assunto e estamos avaliando”, confirma o petebista.

“Se ela estiver nessa comissão, estarei ao lado dela.

Estamos avaliando o assunto, solicitando informações”, acrescenta Divaldo.

Sônia afirma que os casos de cobrança de excesso que passaram pelo seu gabinete tiveram erros.

“Há cobranças que foram reduzidas de R$ 2 mil para cento e poucos reais”, argumenta a progressista.

Atuação da oposição em 2014 Sônia avalia que o entendimento entre os partidos deverá permanecer este ano.

“Provamos que em 2013 fomos muito fortes, com posição e segurança no que fizemos, com muita seriedade”, enfatiza a progressista.

“Lamento que os vereadores da situação votaram quase todo tempo contra a população, naquelas votações que fomos contra porque prejudicariam a população, a situação se calou”, sustenta a vereadora.

O alinhamento de posições entre PP e PTB deve ser a marca registrada de atuação este ano.

“Quero que as pessoas tenham certeza de que continuarei com a imagem que construí.

Algumas das minhas posições não agradam sequer ao meu partido, mas é o meu jeito”, confirma a parlamentar.

A atuação social de Sônia também é assinalada pela parlamentar.

“Em alguns projetos, o Executivo apenas troca algumas vírgulas e fazem os mesmos projetos que eu implantei”, ressalta Sônia.

Divaldo diz que 2013 foi o melhor ano de sua carreira política.

Entre os resultados de uma pauta de discussões de interesse comunitário está a luta para trazer um curso de Medicina a Bagé.

“A vinda do curso de Medicina terá o mesmo peso de uma planta industrial, só que de conhecimento”, analisa.

Para o petebista, o município só não está entre os 49 municípios contemplados no país em um primeiro momento porque houve um erro no envio do projeto.

Divaldo mantém a decisão de que a trajetória no legislativo bageense finda daqui a três anos.

“Isso não significa que não esteja pronto e preparado para assumir novos desafios, como um parlamento estadual ou federal ou mesmo virar consultor político dos meus irmãos, se for o caso”, salienta.

O petebista diz que a prioridade para 2014 é ver o curso de Medicina em Bagé contemplado.

“A segunda meta é concluir o projeto da revitalização da Vila Vicentina e começar isso, pela importância que tem.

Já conseguimos emendas parlamentares nesse momento histórico destinados às entidades como Vila Vicentina, APAE, Caminho da Luz.

Uma vitória que poucos achavam que iríamos conseguir.

Quero ver esse trabalho ser concretizado”, reitera Divaldo.

A terceira meta é não deixar ser aprovada a cobrança da contribuição de melhoria na obra de asfaltamento da zona Leste.

“Esperamos que 2014 seja um ano de realizações para a nossa cidade em todos os campos, realizando a defesa da população, aprovando o que é bom sem radicalismo”, ressalta o petebista.

“Esperamos que os resultados do governo possam ser melhores no próximo ano e que os equívocos administrativos sejam menores, já que quando o governo erra quem sai prejudicada é a população”, destaca Divaldo.

* Agência Trabalhista de Notícias (LL), com informações do portal Folha do Sul