Mares Guia diz que Lula quer apuração de excessos da Polícia Federal

PTB Notícias 24/05/2007, 13:50


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, nesta quinta-feira, ao Conselho Político da Coalizão, que a Polícia Federal pode ter cometido excessos ao deflagrar a Operação Navalha, que desarticulou uma quadrilha que fraudava licitações públicas.

De acordo com o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PTB/MG), o presidente, embora tenha ressaltado a importância das instituições republicanas, avaliou que “todo excesso precisa ser apurado”, o que inclui discutir a necessidade de os policiais terem prendido pessoas sem provas, arrombado escritórios sem razão aparente e permitido que informações sigilosas sobre o inquérito chegasse ao conhecimento da imprensa.

“Às vezes sai uma informação que machuca alguém”, disse Lula, segundo Mares Guia.

“Excesso não é ter ou não ter operação.

Foram 45 operações nos últimos cinco meses.

Jamais vamos pensar em coibir ou amenizar as investigações, mas o presidente enfatizou que as garantias individuais do cidadão são essenciais”, explicou Mares Guia.

Para o coordenador político do governo, “sempre há um excesso aqui, ali, acolá, mas a boa norma democrática diz que os excessos devem ser coibidos”.

A mesma opinião foi compartilhada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que participou do Conselho Político da Coalizão e reconheceu que a Polícia Federal pode ter extrapolado na Operação Navalha.

“O ministro Tarso reconheceu que houve excessos e disse que precisam ser apurados, o que ainda assim não desqualifica a Polícia Federal.

O combate à corrupção é essencial para a democracia.

Pode haver abusos e excessos, mas em hipótese alguma sinaliza que essas operações não possam continuar”, disse Mares Guia.

O ministro, que concedeu entrevista coletiva no Palácio do Planalto, voltou a afastar a possibilidade da existência de uma lista com nomes de deputados e senadores supostamente envolvidos com a construtora Gautama, apontada como o chefe do esquema de fraudes.

“Nada melhor que a tranquilidade para momentos de crise.

A Operação Navalha não visa a prejudicar esse ou aquele parlamentar.

Não há lista nenhuma de natureza nenhuma sobre parlamentares”, afirmou.

As hipóteses de excessos da Polícia Federal já haviam sido criticadas nesta quarta-feira pelo vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que classificou as práticas policiais de “fascistas” e “canalhices”.

Mendes responsabilizou o ministro da Justiça, Tarso Genro, pelo vazamento das informações, ressaltando que a Polícia Federal, que é subordinada a Genro, tem feito “terrorismo com a democracia” durante as operações.

“É responsabilidade do ministro da Justiça responder por esses vazamentos.

Eu disse hoje ao ministro Tarso que esse tipo de prática revela uma canalhice.

Não podemos brincar com as pessoas sérias do País.

É cinismo falar em segredo de Justiça nesse momento.

Cínico é o quadro que vivemos no país.

É uma lógica absolutamente totalitária.

Então, rasguem a Constituição”, argumentou o magistrado.

Agência Trabalhista de Notícias (com informações do Último Segundo)