Marques Abreu fala como está sendo experiência como deputado estadual

PTB Notícias 10/05/2011, 7:27


Mesmo longe dos gramados, o ex-atacante e ídolo da torcida do Atlético-MG, Marques Abreu, de 38 anos, continua tendo o esporte como foco de seu trabalho.

Eleito deputado estadual pelo PTB com mais de 153 mil votos – segundo candidato mais votado em Minas –, o ex-jogador é presidente da Comissão de Esporte e Juventude na Assembleia Legislativa, que vem trabalhando para que o Mineirão possa sediar a abertura da Copa de 2014.

Marques faz uma analogia entre a carreira de atleta profissional, que encerrou há um ano, com a de político, que oficialmente iniciou-se há pouco mais de três meses, para justificar sua confiança em ter vida longa na nova atividade.

“Estou vivendo a minha primeira oportunidade na política, como tive há 20 anos no futebol e fiz uma carreira maravilhosa”, comentou.

O parlamentar considera que o seu primeiro e, até agora, único pronunciamento no Plenário, o deixou tenso.

O primeiro desafio do deputado Marques é consolidar a Comissão de Esporte e Juventude, que, como ele, está estreando na Assembleia Legislativa de Minas.

“A nossa comissão não é muito diferente das outras, que precisam fiscalizar o Executivo, dar boas ideias para que nosso esporte possa crescer no Estado, ouvir as pessoas porque nossa função aqui na Casa é essa”, afirmou Marques, em entrevista ao UOL Esporte, enfatizando que sua prioridade tem sido a realização de audiências públicas pelo interior.

Quase um ano após sua conturbada saída do Atlético-MG, Marques garante que a decepção vivida naquele momento envolvendo Vanderlei Luxemburgo, então técnico do clube, já não existe mais, e que não ficou mágoa de ninguém.

Prova disso é que ainda está de pé a realização de um jogo de despedida.

“Acho que o torcedor e eu merecemos esse último jogo, essa última homenagem, por tudo que a gente realizou no clube”, afirmou o deputado, que não joga bola desde que se aposentou em maio de 2010.

UOL Esporte: Muitos deputados ingressam na política, mas não conseguem permanecer.

O senhor acredita que está preparado e que vai conseguir se manter? Marques: Creio que uma coisa de cada vez, cada coisa ao seu tempo.

É a minha primeira oportunidade, como foi minha primeira oportunidade há 20 anos, quando ingressei na profissão de atleta profissional.

Construí uma carreira maravilhosa, depois de dois, três meses de trabalho a experiência ainda não existe, espero que ela aconteça com o tempo.

Eu gosto sempre de fazer uma analogia das duas profissões.

O importante é que a minha entrada para a política acontece com as melhores intenções, não foi uma situação pensada o ano passado para aproveitar o final da minha carreira.

Isso daí a gente vem pensando e amadurecendo essa ideia há três, quatro anos.

O tempo dirá.

A gente está com bastante força, bastante vontade de realizar um ótimo trabalho, transparente acima de tudo, assim como foi minha carreira enquanto atleta.

E, depois de três, quatro anos, quando estiver mais fortalecido, terei condições de dar continuidade a carreira.

UOL Esporte: Seus votos foram principalmente da torcida atleticana Como o senhor vê isso? Marques: Era inevitável por ter me tornado um ídolo dessa grande nação atleticana, mas é bem verdade que viajando em campanha, para minha surpresa, muitos torcedores de outros times vinham até a mim e falavam: “olha, sou cruzeirense, sou flamenguista, sou corintiano, mas vou votar em você, pela pessoa que você é, pela pessoa que você mostra ser na sua carreira”.

Isso para mim foi maravilhoso ouvir, porque são torcedores rivais que também como o atleticano, tiveram reconhecimento pelo que eu realizei enquanto atleta profissional.

UOL Esporte: Como está a adaptação à rotina do Legislativo, que é muito diferente da rotina do esporte? Marques: A diferença é evidente, mas o aprendizado é diário.

Hoje sou presidente da Comissão de Esportes, sempre que possível estou fazendo os cursos que a Casa oferece.

A comissão é nova, é estreante como eu na Casa.

Na legislatura passada ela não tinha ainda.

Está sendo muito bom, ainda mais agora que o Brasil é o foco esportivo nos próximos anos, Copa do Mundo e Olimpíadas, a comissão veio em uma hora importante.

Já realizamos algumas audiências públicas fora de Belo Horizonte.

Fomos à Varginha, que pleiteia ser subsede da Copa.

Tem outras cidades que pleiteiam a mesma situação.

Acho que a nossa comissão não é muito diferente das outras, que precisam fiscalizar, fiscalizar o Executivo, dar boas ideias para que nosso esporte possa crescer no Estado, ouvir as pessoas porque nossa função aqui na Casa é essa.

Eu como presidente, nesse primeiro momento, tive a preocupação muito grande de realizar as audiências, até mesmo para marcar presença da comissão que é nova, e estamos caminhando bem.

UOL Esporte: Como o senhor tem visto a preparação de Belo Horizonte e de Minas para a Copa do Mundo de 2014? Marques: Estivemos no Mineirão essa semana com a própria comissão.

Acho que Minas serve de modelo e parâmetro para as outras cidades.

O cronograma está em dia, as obras estão em dia, você pode ter a certeza do prazo de entrega das obras.

Em dezembro de 2012 o Mineirão vai ser entregue, no final deste ano é o Independência que vai ser entregue à população mineira.

Estava falando com o secretário (Extraordinário de Copa do Mundo), Sérgio Barroso, Minas tem todas as condições de sediar a abertura da Copa, porque está toda em dia, está caminhando muito bem, então estamos muito confiantes quanto a isso.

UOL Esporte: Como está a participação do senhor nas reuniões no plenário? O que é mais difícil? Dar uma entrevista coletiva depois de uma derrota no clássico ou falar no plenário? Marques: Tive a oportunidade de plenário de apenas um pronunciamento.

Como tudo que é primeiro é mais difícil.

Para quebrar o gelo foi importante.

Mas é muito mais fácil dar uma entrevista depois de perder um jogo, depois de perder um clássico, é muito mais fácil, por se tratar aqui de uma situação nova.

Por ser novo te traz uma tensão maior, mas é a tensão de um iniciante, como eu passei quando comecei no futebol.

Minha primeira entrevista, com 18, 19 anos foi a mesma coisa.

O importante é que, na minha vida, sempre tive muita coragem de enfrentar o novo e os desafios, foi difícil, mas eu fui lá e enfrentei.

Não tenho duvida que os próximos serão mais tranquilos, como foi minha participação na própria comissão.

Sou estreante e estou comandando.

UOL Esporte: Os deputados estão sempre em destaque na mídia, muitas vezes em denúncias e polêmicas.

O senhor acredita que é correto os benefícios recebidos por um deputado? Marques: Como lei é correto, se está na lei é correto.

A extraordinária (sessão), as pessoas falam que não acontece nada, mas muitas vezes, porque há um desentendimento ali na hora, na próxima, para haver um entendimento, é necessário a extraordinária.

Que bom seria que a gente pudesse resolver todas as situações nas reuniões ordinárias, mas vivenciando isso diariamente aqui, eu vejo que é impossível, porque tem a situação da oposição, da base aliada, tudo isso é normal na política.

Isso faz com que as extraordinárias sejam importantes.

Acredito que se o pagamento está no regimento, é correto, mas se futuramente, em uma análise melhor houver uma opinião divergente do que esta acontecendo hoje, há de se acatar.

UOL Esporte: O senhor passou por um problema com a nomeação de algumas pessoas aqui para o seu gabinete.

O que aconteceu? Marques: Eu já me pronunciei oficialmente sobre isso.

Apurada, a própria Casa vai trazer um parecer.

Eu tinha plena convicção de que não era nepotismo, mesmo porque na Assembleia não existe o cargo de chefe de gabinete.

Nenhum funcionário é subordinado ao tal chefe que não existe.

Estava muito tranquilo de que não era (nepotismo) e por isso trouxe essas pessoas para trabalhar comigo, pessoas de total confiança minha.

E agora estamos aguardando o parecer da Casa, o próprio Ministério Público, a minha obrigação e uma forma de dar resposta à sociedade foi de pronto exonerar, para mostrar que aqui a gente não tem a vontade de privilegiar alguém.

UOL Esporte: A sua saída do atlético em 2010 foi um pouco conturbada.

Já passou a mágoa com o técnico Vanderlei Luxemburgo? Marques: Foi um pouco traumático porque o profissional se programa para finalizar sua carreira.

Meu programa era de encerrar no final do ano passado.

Tinha muita certeza de que ia haver a renovação, até para mim que estava fechando minha carreira em um clube que eu gosto, que eu amo.

No momento foi uma surpresa, fiquei um pouco chateado, mas é uma coisa que já passou, não guardo mágoa de ninguém, do Vanderlei nem de nenhuma pessoa que estava envolvida naquele episódio, gosto de falar sempre com quem me pergunta isso que a minha maior lembrança e o que pude deixar para as pessoas, é o meu último gol, ali no campeonato mineiro, que está na memória do bom atleticano.

UOL Esporte: Não teve um jogo de despedida seu no Atlético.

Está programado? Marques: Existe uma cobrança muito grande em cima disso.

Gostaria que fosse muito aqui em Belo Horizonte.

A gente estuda essa possibilidade com muito carinho, mas a situação de hoje sem Mineirão e Independência, no momento inviabilizou essa nossa vontade.

É uma possibilidade ser na reabertura do Independência.

Ano passado a gente disse que tinha essa vontade de na reabertura do Independência fazer essa festa, porque acho que torcedor e eu merecemos esse ultimo jogo, essa ultima homenagem, por tudo que a gente realizou no clube.

Foram quase 400 jogos, aproximadamente 140 gols, uma idolatria muito forte que a gente sente no dia a dia, seria bonito para mim, e principalmente para o torcedor, a gente ter esse momento nosso.

Quem sabe ela acontece? Se não for no Independência, em Sete Lagoas mesmo.

Ano passado houve uma sondagem com o Kalil (presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil), ele se mostrou aberto para a gente levar isso, mas sinto mesmo uma vontade do torcedor atleticano, que sobrepõe até a qualquer vontade do clube ou do atleta.

UOL Esporte: Hoje os jogadores são vistos como celebridade, tanto que eles estão sempre na imprensa em uma festa, em uma balada, e são evidenciados por causa disso.

Como o senhor vê o comportamento dos jogadores? Marques: O jogador, como qualquer outro ser humano, é livre.

Só que para ter um bom desempenho tem que cuidar do seu corpo e do seu físico.

Eu sempre tomei esses cuidados de não perder noite de sono porque, no outro dia, se eu perdesse um gol na cara, a vaia ia ser para mim.

Isso sempre foi uma preocupação minha, até para ter uma vida longa no esporte.

Joguei profissionalmente até os 37 anos, em alto nível.

O jogador hoje é cada vez mais popstar, mas ele tem que saber levar isso.

Não precisa deixar de fazer nada na vida, mas tem que tomar alguns cuidados, porque no final o cobrado vai ser ele.

UOL Esporte: Quem foi o melhor e o pior técnico que o senhor já teve? Marques: Pior eu acho que não tem, porque sempre você tira um algo positivo de um treinador.

Peguei treinadores que eram muito melhores na parte psicológica, como peguei treinadores que nem tanto, mas que no trabalho na semana, no campo, supria essa questão.

Tive muitos treinadores, se eu citar alguém aqui eu vou ser injusto.

Mas no Atlético trabalhei com Levir Culpi que, na época, conseguiu extrair meu melhor potencial, isso é função do técnico, extrair de cada atleta o que ele tem de melhor para ajudar a equipe.

Vi muito disso no Levir.

Ele foi um dos técnicos que vivi a minha melhor técnica.

Os outros treinadores que me desculpem.

Mas todos também contribuíram para o meu crescimento profissional, e eles estão ali perto do Levir.

UOL Esporte: Como está sua vida pessoal, agora que não tem mais concentração todo final de semana? Marques: Estou curtindo muito.

Não é fácil a carreira de um atleta profissional.

Ela é maravilhosa porque você está fazendo e recebendo por um dom seu, fazendo aquilo que você gosta, isso é ótimo, mas você se priva de algumas coisas.

O contato diário familiar, que é importantíssimo.

Lembro que no Japão eu fiquei sozinho por uns 4, 5 meses.

É sempre muito difícil para os filhos também, você leva a família para morar no Japão, a adaptação não é só minha, é da família, uma preocupação a mais, o Japão é um país difícil.

Não é fácil, mas é uma carreira maravilhosa.

Hoje, a gente está curtindo muito mais a família, estou tendo o sábado e o domingo, Dia das Mães, que nunca tive, porque estava sempre jogando, Domingo de Páscoa.

Já estou mais velhinho, é bacana, um momento novo, que a gente está curtindo muito.

UOL Esporte: O senhor já falou que não estava treinando, mas não está batendo uma bolinha nem no final de semana? Marques: Não.

Nada disso.

E não estou sentindo falta.

Tenho dado uma corrida durante a semana, fazendo um reforço muscular, mesmo porque tenho que cuidar do joelho.

Mas jogar bola eu não joguei ainda.

Se for ter o jogo de despedida, ai vou ter que me preparar.

Com um mês, dois meses vou ter que dar uma treinada.

Mas futebol é igual andar de bicicleta, quem sabe não esquece não.

Falei de fazer reforço porque fiz muitas cirurgias e, se você não faz um reforço, nem escada você sobe.

Agência Trabalhista de Notícias (LL) com informações do Portal UOL