Mozarildo aponta a má distribuição de médicos e condena corrupção na saúde

PTB Notícias 11/07/2013, 17:34


Em pronunciamento nesta quinta-feira (11/7/2013), ao comentar proposta do governo que prolonga a duração do curso de Medicina em dois anos, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse que “o mal não está na falta de médico”, mas na distribuição irregular desses profissionais pelo país.

Ele também ressaltou que o maior problema do setor de saúde é a corrupção, que se pratica com as compras irregulares de “remédio, gaze, esparadrapo”.

Médico por formação, Mozarildo lembrou que operação recente da Polícia Federal em Roraima prendeu funcionários e empresários envolvidos na compra de remédios de validade próxima a vencer, que eram descartados para a abertura de novas compras com dispensa de licitação para a aquisição dos mesmos medicamentos.

“A Polícia Federal detectou que R$ 30 milhões tinham sido roubados da saúde, do doente e até a vida do paciente”, afirmou.

Mozarildo também citou desvios de R$ 500 milhões na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e saudou a aprovação, pelo Senado, de projeto que torna a corrupção crime hediondo.

Em sua avaliação, “o crime praticado na saúde e na educação deveria ser [punido] duas vezes mais, pois não há como aceitar que alguém que trabalhe no setor faça corrupção”.

“Então, como ter dinheiro para a saúde, se o que já vai é pouco e é roubado?”, perguntou.

Curso de MedicinaEm relação à ampliação do curso de Medicina para oito anos, com atuação obrigatória no Sistema Único de Saúde nos últimos dois, Mozarildo afirmou que a medida proposta pelo governo merece ser analisada.

Ele disse que “não concorda e nem discorda” com a mudança, mas observou que simplesmente ampliar o curso para oito anos, “sem consulta a nada”, não parece ser “a coisa correta para corrigir o péssimo atendimento público”.

“É preciso também que não haja sofismas.

Os hospitais públicos estão sucateados, não tem espaço em UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] e nem equipamentos básicos como balão de oxigênio.

É um caos.

O médico que trabalha num hospital desses fica estressado, expondo a sua profissão e a vida do paciente”, afirmou.

Em relação à atuação obrigatória dos formandos nos últimos dois anos do curso, Mozarildo lembrou que já havia apresentado projeto similar no início de 2000.

De acordo com sua proposta, os formandos em medicina seriam obrigados a trabalhar em localidade, vila ou município onde a correlação mínima recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) não seja igual a de um médico para mil habitantes.

Ele lamentou que o Executivo tenha usado o expediente da medida provisória para legislar sobre esse tema, o que obriga o Legislativo a examinar a matéria “a toque de caixa”.

Quanto à proposta do governo de importar médicos de Cuba, Espanha e Portugal, Mozarildo disse que o paciente quer ser atendido por um médico, desde que este tenha competência para fazer o diagnóstico, providenciar o tratamento e curar o doente.

“No meu estado, tivemos convênio direto com a Universidade de Cuba, levamos médicos para o interior de Roraima e a experiência foi válida.

Alguns ficaram lá, fizeram a revalidação do diploma, mas da década de 80 para cá não há medida de governo olhando o Brasil como um todo”, afirmou.

Em aparte, o senador Casildo Maldaner (PMDB-SC) disse que setores fundamentais como saúde, segurança e educação “têm que ser levados mais a sério no país”.

Ele também cobrou “vigilância redobrada” no que tange à aplicação do dinheiro destinado a esses setores.

Agência Trabalhista de Notícias (NM), com informações da Agência SenadoFoto: Waldemir Barreto/Agência Senado