Mozarildo Cavalcanti condena monopólio na aviação brasileira

PTB Notícias 3/03/2009, 7:06


O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse nesta segunda-feira (2/3) que um país da dimensão do Brasil não pode ficar refém de duas ou três empresas aéreas grandes, que dominam toda a aviação e vêm se sucedendo e desaparecendo ao longo dos anos, demonstrando o fracasso do modelo de monopólio.

Ele afirmou que hoje a TAM e a Gol dominam o mercado nacional e acabam com as empresas pequenas.

O senador exemplificou citando o caso da empresa de aviação regional Meta (Mesquita Taxi Aéreo), baseada no estado de Roraima, que fazia vôos de Boa Vista para Manaus e Belém.

Ele disse que, à época, a Varig, a Transbrasil e a Vasp entraram nessas rotas e obrigaram a Meta a fazer vôos para Georgetown, no Suriname, para chegar a Belém.

Outra empresa chamada Rico, sediada em Manaus, também operava um boeing para Boa Vista, mas teve que encerrar a rota porque a TAM e a Gol colocaram dois vôos diários cada uma e baixaram o preço das passagens.

– Baixaram o preço para exterminar a outra e depois voltaram ao que era, aumentando o preço das passagens do jeito que querem.

Hoje, o trecho Manaus-Boa Vista-Manaus talvez seja o mais caro do Brasil – denunciou.

Mozarildo Cavalcanti também comentou as demissões na Embraer, dizendo que ocorreram devido ao cancelamento das encomendas feitas por empresas dos países desenvolvidos e ricos, uma consequência da crise financeira internacional.

Ele acrescentou que os aviões fabricados pela Embraer são utilizados para aviação regional naqueles países e não no Brasil porque as empresas nacionais não têm como comprá-los.

Mozarildo lembrou que o Senado já aprovou um projeto de lei de sua autoria que cria o adicional tarifário para incentivar a aviação regional, mas o projeto encontra-se parado na Câmara dos Deputados há vários anos.

O senador disse ter lido em uma revista que o governo agora pensa em criar esse adicional tarifário através de medida provisória “porque o Congresso é lento”.

Ele afirmou que o Congresso é lento porque o governo quer, pois tem maioria na Câmara e aprova qualquer coisa quando tem interesse.

Eu quero fazer um apelo ao presidente Lula, que costuma confundir análise contrária às suas ideias como se fossem contrárias à sua pessoa, para que reflita sobre esse tema.

Delegue à Aeronáutica, ao Ministério da Defesa a análise desse projeto e aprove rapidamente.

Ele estaria matando vários coelhos com uma cajadada só – concluiu o senador petebista.

* Agência Trabalhista de Notícias com informações da Agência Senado