Mozarildo Cavalcanti critica Campanha da Fraternidade deste ano

PTB Notícias 24/02/2007, 0:01


O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) criticou nesta sexta-feira (23) a Campanha da Fraternidade de 2007, lançada recentemente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que tem como tema a preservação da Floresta Amazônica e a qualidade de vida de seus habitantes, com destaque para os índios.

– É uma campanha de fachada, que tem por objetivo principal angariar recursos e lançar mão de outros mecanismos para aumentar o número de católicos na região amazônica, que vem diminuindo ano a ano – opinou Mozarildo Cavalcanti.

O senador por Roraima deixou claro, entretanto, que as suas críticas não tinham nada a ver com a fé – ele se declarou um católico não-praticante – e expressavam apenas um desacordo com relação à forma e ao conteúdo das ações da Igreja relativas a outros assuntos, fora do âmbito da espiritualidade e da evangelização.

Mas elogiou as palavras do presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, que qualificou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “omisso” com relação à Amazônia.

Em aparte, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) concordou com Mozarildo e disse que a Igreja Católica “tem que se voltar mais para a espiritualidade”.

Para Raupp, torna-se necessário que o clero deixe de pegar o que chamou de “onda do momento”, a exemplo do tema que domina atualmente o noticiário, como a falta de segurança nas principais cidades brasileiras.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), também em aparte, qualificou de “corajoso” o discurso de Mozarildo.

Com relação à Campanha da Fraternidade da CNBB para este ano, Mozarildo Cavalcanti observou que ela dá entender que, na Amazônia, todas as 25 milhões de pessoas não-índias que habitam a região “são hereges ou bruxos”, o que não corresponde, conforme observou, à realidade.

Ele aproveitou a oportunidade para elogiar o trabalho desenvolvido pelos evangélicos com os índios.

– A Igreja Católica vem praticando, na Amazônia, uma Inquisição moderna- resumiu o senador, que criticou também o que qualificou de intromissão do clero na demarcação de terras indígenas.

fonte: Agência Senado