MP tem ‘postura parcial, irretratável e covarde’, diz Collor

PTB Notícias 9/03/2015, 17:10


O senador Fernando Collor (PTB-AL) questionou em plenário, nesta segunda-feira (9/3/2015), a forma como foram divulgados o nome dele e os de outros 46 políticos que serão investigados por possível participação no esquema de desvios da Petrobras revelado pela Operação Lava Jato.

Collor reclamou o direito de defesa previsto na Súmula Vinculante 14, do Supremo Tribunal Federal (STF), e se queixou da falta de oportunidade de acesso antecipado aos autos para esclarecer pontos levantados pela investigação.

“Isso chega a ser agressão, sonegar as informações das pessoas citadas definitivamente não se coaduna com o Estado de Direito”, afirmou.

Collor fez duras críticas ao Ministério Público, ao qual atribuiu uma “postura parcial, irretratável e covarde”.

Segundo o senador, um “grupelho”, em conluio com os meios de comunicação, teria influenciado o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para atuar com “desrespeito deliberado às autoridades constituídas”.

O parlamentar apontou o que considera falhas nos processos para autorização de abertura de inquéritos, baseada exclusivamente nos depoimentos de “notórios contraventores da lei” beneficiados pela delação premiada.

Ele ainda destacou a fragilidade das denúncias ao lembrar que houve contradições entre o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef sobre doação para a campanha presidencial de 2010 e o conhecimento da cúpula do Planalto em relação às irregularidades na estatal.

Fernando Collor ainda questionou o motivo que teria levado Janot a citar nomes como o da presidente Dilma Rousseff e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para em seguida pedir o arquivamento.

“Se não achou indícios suficientes, por que citar o nome do senador Aécio Neves e outros senadores? Bastava não pedir, simplesmente não citar, sem envolver aqueles nomes.

Se não havia inquérito a ser instaurado de que exatamente o procurador pediu o arquivamento?”, indagou.

O pronunciamento foi encerrado com um elogio ao relator do processo, ministro do Supremo Teori Zavascki, que, no entender do senador, agiu corretamente e em prol da transparência pública ao retirar o sigilo dos inquéritos para que todos possam prestar esclarecimentos.

“Até porque na prática da Justiça, listas de nomes sem provas não significam absolutamente nada.

Politicamente, recomenda-se a devida serenidade e prudência que o grave momento institucional requer”, concluiu.

Agência Trabalhista de Notícias (FM), com informações da Agência SenadoFoto: Marcos Soares/Agência Senado