Múcio admite que houve falhas na fiscalização dos cartões corporativos

PTB Notícias 13/02/2008, 11:33


Durante reunião com líderes aliados na manhã de ontem, a cúpula do governo admitiu que houve falhas na fiscalização dos dados referentes aos gastos feitos por meio dos cartões corporativos.

A mea culpa governista é resultado da avaliação de que os excessos cometidos por alguns ministros e servidores poderiam ser facilmente contornados se houvesse um controle mais rigoroso das prestações de contas apresentadas, além da aplicação imediata de punições diante da comprovação de mau uso dos cartões.

Diante da admissão dos erros, o governo já estuda formas de intensificar a análise dos dados e começou a instruir um grupo de servidores para que oriente corretamente os portadores de cartão.

Na prática, o governo pretende continuar utilizando essa forma de pagamento, só que efetuando controle rigoroso na prestação de contas das despesas, antes de torná-las pública.

Depois do encontro com os líderes, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB/PE), disse que se o governo não tivesse demorado para tomar as providências diante das primeiras denúncias referentes aos gastos com cartões, a crise não teria evoluído a ponto de resultar na abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI).

Segundo ele, a censura ao servidores denunciados serviria para reprimir críticas posteriores, servindo de exemplo para os demais responsáveis pelos cartões.

“Deveria ter havido uma censura ao funcionário que utilizou o meio de pagamento de forma irregular.

O governo poderia ter usado melhor o Portal da Transparência.

Se tivessem dito ao funcionário que o gasto não foi feito corretamente, creio que os problemas não teriam se acumulado”, opinou Múcio.

Acusações – Na avaliação de outro ministro palaciano, a morosidade em apresentar a reação diante das primeiras denúncias — inclusive em relação à ex-ministra Matilde Ribeiro, acusada de fazer compras com o cartão em um freeshop e de alugar carros durante seu período de férias — abriu espaço para novas acusações, dando a conotação de falha grave para qualquer gasto.

“O afastamento das pessoas citadas como má gastadoras ocorreu de uma maneira lenta.

O cai-não-cai aumenta a pressão em cima do governo e faz com que um erro pequeno se torne grave”, opinou.

Mesmo com o discurso de quem comanda a situação em torno das investigações sobre o uso dos cartões corporativos, os governistas já admitem alguns prejuízos para as propostas que pretendiam aprovar ainda este ano.

Uma delas, a reforma tributária, será apresentada no próximo dia 21 aos líderes de partidos no Congresso.

Mas, o governo sabe que as discussões em torno da proposta vão se misturar ao clima de CPI, adiando qualquer possibilidade de acordos pela aprovação.

Ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro prevê dificuldades nos trabalhos do Congresso.

“Claro que a instalação de uma comissão atrapalha o andamento do Legislativo.

Mas vamos apresentar nosso projeto tributário mesmo assim.

Vamos, ao menos, iniciar as discussões”, disse José Múcio.

Fonte: Correio Web