Negócios com Venezuela não dependem do Mercosul, diz Armando Monteiro

PTB Notícias 5/07/2007, 8:24


A presença da Venezuela dentro do Mercosul não é decisiva para as crescentes relações econômicas e comerciais entre a nação de Hugo Chávez e o Brasil, disse nesta quarta-feira, 4, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto, do PTB de Pernambuco.

A declaração do presidente da CNI acontece após o ultimato dado por Chávez ao Congresso do Brasil e Paraguai para que os poderes legislativos aprovem o pedido de ingresso do país, que se converteria no quinto membro pleno da união aduaneira formada também por Argentina e Uruguai.

“As relações econômicas e comerciais entre Brasil e Venezuela vem apresentando um crescimento expressivo e são importantes para os empresários brasileiros”, disse Armando Monteiro Neto, que é também presidente do Diretório Estadual do PTB de Pernambuco.

“Isso ocorreu sem que a Venezuela fosse parte do Mercosul e poderá continuar independentemente do destino que o processo de adesão tenha”, acrescentou Armando Monteiro.

O deputado petebista se encontra em Lisboa com outros empresários, que participam de encontro na capital portuguesa ao mesmo tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com governantes europeus.

Chávez deu um prazo de três meses para que o Congresso do Brasil e do Paraguai aprovem o ingresso de seu país no bloco comercial sul-americano, acrescentando que poderia retirar o pedido de adesão se persistirem as pressão de alguns setores “de direita” nesses países.

Chávez protagonizou uma forte discussão com o Congresso do Brasil depois que o Senado pediu para ele revisar a decisão de não renovar a concessão do canal de televisão RCTV.

Em maio, em uma reunião de chanceleres do bloco, o Mercosul rechaçou um pedido da diplomacia venezuelana para apoiar a decisão de Chávez sobre a TV.

Chávez acusou depois os senadores do Brasil de atuarem como porta-vozes dos interesses dos Estados Unidos e se recusou a pedir desculpas, mesmo depois do chanceler brasileiro, Celso Amorim, reclamar um gesto positivo para superar o impasse.

Armando Monteiro Neto indicou que o ingresso efetivo da Venezuela no Mercosul “pode contribuir para criar novas oportunidades”, mas lembrou que para ser aceito o governo de Chávez “deve cumprir os compromissos exigidos” pelo bloco, como a liberalização do comércio entre as zonas e a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC).

“É preciso que a forma de implementação desses compromissos esteja definida antes da aprovação da adesão (da Venezuela) pelo Congresso Nacional”, disse Monteiro Neto.

Essa aprovação, segundo o senador brasileiro Heráclito Fortes (DEM-PI), titular da Comissão de Relações Exteriores do Senado, enfrentaria dificuldades.

“Não vejo muitas possibilidades de aprovar o pedido da Venezuela dentro de três meses”, disse o senador, acrescentando que o país caribenho “não reune os critérios de ingresso (ao Mercosul) e que Chávez está tratando de culpar os outros”.

fonte: Agência Reuters