Nelson Marquezelli alerta para saturação do Aeroporto de Congonhas

PTB Notícias 7/04/2007, 8:28


O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), em discurso no plenário da Câmara nesta semana, disse ser hora de o poder público encarar os crônicos problemas causados pela saturação do Aeroporto de Congonhas, o mais movimentado do País.

“São setecentos pousos e decolagens em dezessete horas de operação diária, num pequeno sítio aeroportuário encravado no coração da maior metrópole sul-americana.

São mais de dezoito milhões de passageiros utilizando instalações projetadas para receber apenas doze milhões deles.

Congonhas não tem condições técnicas para isso.

O esgotamento de sua capacidade, no lugar de ser uma prova do vigor da aviação comercial brasileira, serve como um atestado da nossa incapacidade de planejamento a longo prazo”, denunciou Marquezelli.

Para o deputado do PTB de São Paulo, a questão mais grave é que se continua a pensar em soluções paliativas, que, segundo ele, transferem para as futuras gerações todo o ônus do trabalho que precisa ser feito.

“O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sinaliza para uma vontade imensa do governo de ver este país deslanchar, principalmente no campo da infra-estrutura”, disse ele.

“Mas, seu grande pecado, no que se refere a investimentos em aeroportos, é imaginar que os problemas de Congonhas serão resolvidos com mais obras voltadas para o aumento de sua capacidade”, afirmou Marquezelli.

Segundo o parlamentar petebista, a questão é muito mais séria e complicada do que parece: “Qualquer aumento de capacidade ou de eficiência operacional em Congonhas produzirá um sensação de melhora restrita e, pior, de pouca duração.

Não chega a surpreender, portanto, a estimativa divulgada pela Revista Veja, segundo a qual Congonhas poderia ter no ano de 2013 um movimento de quase trinta milhões de passageiros.

Está claro que as medidas propostas no PAC para atacar os problemas de Congonhas não são sustentáveis”, afirmou Nelson Marquezelli.

“É um verdadeiro desatino imaginar que o aeroporto possa crescer indefinidamente.

Se a sua localização era adequada sessenta, cinqüenta anos atrás, hoje é um estorvo para a maior parte da população paulistana.

O desconforto causado pelos engarrafamentos, pela poluição circundante, pelo barulho intenso das aeronaves e pelo constante perigo dos acidentes aéreos, há muito não compensa a facilidade de se ter um aeroporto central.

São Paulo precisa de um novo aeroporto, que absorva parte do movimento já existente em Congonhas e que seja capaz de atender a enorme demanda que o futuro reserva para o transporte aéreo na região, inclusive no que diz respeito ao tráfego de pequenas aeronaves e helicópteros”, disse ele.

“É difícil encarar um projeto como esse? O poder público dificilmente poderá financiar sozinho o empreendimento.

Haverá resistências políticas por conta do falso e já batido argumento de que São Paulo sempre é beneficiado.

Mas o fato é um só: ou tomamos uma providência concreta agora discutir a sério a construção de um novo aeroporto em São Paulo ou ficaremos reféns dessa crise no transporte aéreo por, sabe Deus, quantos anos”, concluiu.

Agência Trabalhista de Notícias.