Nelson Marquezelli debate proposta de desoneração da folha de pagamento

PTB Notícias 11/07/2011, 16:49


Em entrevista ao programa Palavra Aberta, da Rádio Câmara, na última sexta-feira (08/07/2011), o deputado federal Nelson Marquezelli, do PTB de São Paulo, debateu sobre a proposta do governo federal de desonerar a folha de pagamento.

De acordo com o parlamentar, a proposta, cogitada desde a época da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é de que os trabalhadores recebam o salário de forma bruta, sem qualquer desconto, e a própria empresa também, e, inclusive, sem obrigatoriedade de nenhuma contribuição.

“A grande pergunta é quem vai pagar essa conta? Aonde vai por as contribuições necessárias para manter a Previdência (Social) funcionando e a área da saúde funcionando no País?”, questionou Marquezelli.

“Sugeri para que reuníssemos com os nossos parlamentares para que a gente pudesse, em conjunto, debater, colocar essa conta para a sociedade em um todo, que vai ser acoplada a algum um imposto, outro cobrado, imposto de renda, o IPI, o próprio ICMS nos estados.

Onde vai ser colocado? Essa é a grande pergunta, o debate”, acrescentou.

O deputado federal confessa que a teoria de que, para desonerar a folha e fazer com que se coloque na base, perante a sociedade, trabalhadores e empresas que produzem, é boa e aplaudida.

No entanto, o petebista acentua que para que essa ideia do governo vá adiante, é preciso, primeiramente, encontrar as respostas de onde virão os recursos para substituir essa fonte em benefício da Previdência e da própria saúde.

“A CPMF não tem mais.

A contribuição sobre movimentação financeira seria uma fonte, mas não existe mais.

Eu também não vejo aqui nenhuma vontade do Congresso em reativar esse velho imposto.

Então, qual será a fonte ou as fontes viáveis para poder substituir todos os impostos arrecadados do trabalhador e das próprias empresas produtoras?”, reforçou.

Segundo o petebista de São Paulo, o déficit hoje da Previdência gira em torno de R$ 58 bilhões e R$ 60 bilhões.

Mas a arrecadação, de acordo com o deputado, precisa ser superior à da total, que é em torno de R$ 140 bilhões a R$ 150 bilhões.

Marquezelli acredita que por conta dessas dificuldades a proposta demora a ser implementada.

“E não pode vir como Medida Provisória, e muito menos como Projeto de Lei.

Nós temos que estudar, ver todas as possibilidades de êxito e, acima de tudo, nós temos de perseguir aquele objetivo de todo mundo: pagar menos e ter um retorno melhor”, afirmou Nelson Marquezelli.

Agência Trabalhista de Notícias, por Felipe Menezes