Nova Câmara dos Deputados será mais liberal, diz Diap

PTB Notícias 21/10/2006, 14:39


O Diap, após exaustivo levantamento, mapeou o perfil socioeconômico dos deputados eleitos em 2006.

Pelo levantamento, conclui-se que a futura Câmara dos Deputados será composta predominantemente por deputados com graduação superior, idade entre 30 a 60 anos, experiência política anterior em cargo público, formação em profissões liberais e fonte de renda não-assalariada.

Diferentemente da conformação partidária, que pouco mudou (leia mais), o perfil socioeconômico poderá alterar o comportamento político e ideológico da nova Câmara.

Em termos de escolaridade, a futura Câmara será das mais instruídas.

Pelos menos 413 (80,5%) dos 513 deputados têm curso superior completo.

Em relação aos demais (100), pelo menos 37 (7,2%) têm formação superior incompleta; 51 (10%) cursaram o ensino médio e 12 (2,3%), o ensino fundamental.

A julgar pelo grau de instrução, a Câmara não fica nada a dever aos parlamentos de países mais desenvolvidos culturalmente.

No quesito idade, a Câmara também pode ser vista como experiente, considerando que 493 deputados têm idade superior a 31 anos.

De acordo com a faixa etária, o Diap identificou 20 deputados com idade entre 21 e 30 anos; 229 com idade entre 31 e 50 anos; 172 com idade entre 51 e 60 anos; e 92 com idade superior a 61 anos.

Apesar da expressiva renovação, da ordem de 48%, na verdade houve uma circulação no poder.

Dos 244 novos deputados, assim classificados aqueles que não foram reeleitos, pelo menos 200 já exerceram algum mandato ou cargo público em algumas das três esferas de governo (federal, estadual ou municipal) ou em algum dos poderes Legislativo e Executivo.

Os efetivamente novos, entendidos como aqueles que nunca exerceram qualquer função pública, estão restritos a três categorias de eleitos: os comunicadores (apresentadores de TV, radialistas, artistas e cantores), os bispos e pastores evangélicos e os parentes de políticos tradicionais.

Em termos de profissão, a categoria que lidera a composição da futura Câmara é formada por profissionais liberais.

São 265 ao todo, sendo 87 advogados, 54 médicos, 47 engenheiros, 20 economistas, 15 administradores, dez jornalistas, seis contadores, quatro sociólogos, três arquitetos, três farmacêuticos, três médicos-veterinários, dois cirurgiões-dentistas, duas assistentes sociais, dois historiadores, uma fisioterapeuta, um psicólogo, um enfermeiro, um biomédico, um geógrafo, um geólogo e um representante comercial.

A segunda maior representação na Câmara é formada pelos empresários, no total de 121, distribuídos do seguinte modo: 97 urbanos, sendo 83 empresários, 11 comerciantes e três industriais, mais 24 produtores rurais, sendo nove empresários, oito pecuaristas, seis agropecuaristas e um cacauicultor.

O terceiro grupo profissional é constituído dos assalariados urbanos, incluindo os trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público, que somam 87 deputados.

Por ocupação, eles estão assim distribuídos: 32 professores, 22 servidores públicos, nove radialistas, cinco bancários, três delegados, três policiais, dois técnicos em edificações, dois promotores de justiça, um comerciário, um procurador de Justiça, um procurador de estado, um gerente, um técnico em contabilidade, um inspetor de polícia, um analista financeiro, um técnico agropecuário e um defensor público.

O quarto grupo é constituído por operários urbanos e rurais, no total de 19, assim distribuídos: sete metalúrgicos, sete agricultores, um técnico químico, um técnico em telecomunicações, um técnico em artes gráficas, um ferroviário e um industriário.

O quinto e último grupo é de natureza diversa.

É formado por um deputado de profissão indeterminada, cinco estudantes, três bispos evangélicos, dois cantores, dois padres, dois sacerdotes, dois líderes comunitários, um especialista em política de segurança pública, um atleta, um teólogo e um músico.

A conformação ideológica da nova Câmara, a julgar pela formação e fonte de renda, tende a ser menos social-democrata e mais liberal, o que pode aumentar a pressão por reformas liberalizantes.

A redução da bancada de trabalhadores e o aumento das bancadas de empresários e profissionais liberais, por exemplo, abrem espaço para novas tentativas de propostas em bases neoliberais, como a flexibilização da legislação trabalhista, entre outras.

Fonte: Congresso em Foco