Nova Xavantina reclama por ter ficado fora de projeto de Bioenergia

PTB Notícias 24/11/2009, 7:42


A população de Nova Xavantina (a 650 km de Cuiabá) ficou perplexa com a notícia de que a cidade pode ficar fora do megaprojeto da Cluster Bioenergia que está chegando ao Araguaia, com a previsão de instalar três usinas até 2016 e a perspectiva de gerar 12 mil empregos, além de impactar na construção de 4 mil casas.

Havia uma perspectiva, segundo o prefeito de Nova Xavantina, Gercino Caetano (PTB), de que uma das três unidades prometidas fosse instalada no município, todavia o entrave está sendo a questão indígena, que fez com que o grupo Cluster recuasse.

O megaprojeto da Cluster tem a chancela do empresário João Carlos Meireles, primo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com o intuito de instalar um conglomerado agroenergético industrial projetado para a produção de 1,1 bilhão de litros de etanol/ano e geração de 1.

200 GWh/ano de energia elétrica, investimento da ordem de R$ 2,8 bilhões.

A Cluster pretende produzir energia elétrica do bagaço da cana-de-açúcar e fabricar etanol e suplemento para o gado com os subprodutos da cana.

E o que estaria derrubando Nova Xavantina seria o entrave indígena.

A única área que o município conseguiu disponibilizar de extensão de 30 km atinge uma reserva indígena, o que inviabiliza a implantação da usina dentro do município.

A notícia caiu como uma bomba em Nova Xavantina porque havia a expectativa de que fossem gerados pelo menos 4 mil empregos na cidade.

O suplente de deputado federal Eduardo Moura (PPS), que auxilia na logística para implantação das usinas, explicou que nunca esteve prevista a construção de usina em Nova Xavantina justamente devido ao problema indígena.

Segundo ele, o que tirou Nova Xavantina do páreo foi a intransigência da própria Cluster que pede uma área com raio de 30 km.

O empreendimento, tido como o maior da história do Vale do Araguaia nos últimos anos, prevê a construção de usina em 2012 em Barra do Garças; a segunda em 2014, que seria em Nova Xavantina, deverá ser implantada no distrito de Indianópolis, conhecido como Pindaíba, no município de Barra do Garças, e a terceira em 2016, em Água Boa.

O prefeito Gercino Caetano Rosa disse que o município hoje tem carência de empregos e não de casas.

“Hoje, em Nova Xavantina, há muitos desempregados, e esses desempregados já têm casas.

Hoje, por mais que eu quisesse, a prefeitura não teria condições de doar a área para se fazer essas casas”, disse.

O prefeito afirma que, em termos tributários, os funcionários que viriam morar em Nova Xavantina não trariam muita vantagem para o município.

As usinas se instalarão na cidade de Água Boa e duas em Barra do Garças: uma na Fazenda São Carlos, a 40 km de Barra do Garças, e a outra logo passando o Rio Pindaíba, na estrada em frente ao armazém da Fazenda Brasil, antiga Casemat.

* Agência Trabalhista de Notícias com informações do Portal Olhar Direto