“Nunca combinei renúncia coletiva”, afirma Gim em entrevista

PTB Notícias 16/07/2007, 16:30


Leia abaixo entrevista do suplente de senador Gim Argello, do PTB do Distrito Federal, publicada no jornal Correio Braziliense, no último sábado, 14/7:”Nunca combinei renúncia coletiva”Depois de 13 dias desaparecido, o ex-deputado distrital e suplente de senador da República Gim Argello (PTB) saiu da clausura.

Em entrevista ao Correio, não quis contar onde esteve.

Preferiu falar onde será encontrado em breve.

“Vou assumir minha vaga no Senado Federal nos próximos dias”, afirmou, sem, no entanto, marcar dia e horário.

“Não quero parecer afoito”.

O que está definido, por ora, é o primeiro ato assim que pisar o Salão Azul.

Gim afirmou que subirá à tribuna para se defender das acusações que surgiram após a renúncia de Joaquim Roriz (PMDB).

“São denúncias vazias”, reclama.

O futuro senador recebeu o Correio no escritório de seu advogado Maurício Corrêa.

Gim aceitou responder às perguntas desde que fossem enviadas com antecedência por e-mail.

No final da tarde de ontem, o petebista entregou as respostas pessoalmente.

Acompanhado por uma equipe de assessores, falou pouco.

“Vou fazer a minha defesa no tempo certo, quando for senador”, disse.

Gim fez afagos em Roriz, mas não titubeou ao ser perguntado se havia pensado em abrir mão do mandato junto com o peemedebista.

“Somos amigos, não existe nenhum ressentimento, mas nunca combinamos renúncia coletiva”.

Correio – Desde o dia 30 de junho, o senhor tem evitado aparecer em público.

Por que se refugiou?Gim Argello – Tive problemas de saúde, sofri uma crise de hipertensão e recebi recomendação médica para ficar em repouso.

Além disso, decidi pelo recolhimento.

A renúncia do ex-governador Joaquim Roriz foi traumática para a política brasileira.

Não vi razões para precipitações e, muito menos, para comemorações.

O momento é apropriado à reflexão pessoal e ao preparo para essa nova etapa da minha vida.

Correio – Por que o senhor não prestou solidariedade pessoalmente ao ex-senador Joaquim Roriz?Gim Argello – Falei com o governador, sim.

Conversamos por telefone logo após a renúncia.

Sempre admirei muito o governador Roriz, meu companheiro de lutas políticas há longo tempo.

Correio – Desde que anunciou, por meio de nota, que vai assumir o mandato de senador, denúncias contra o senhor vieram à tona.

Por que preferiu se fechar em vez de explicá-las pessoalmente?Gim Argello – Como já disse, por razões de saúde e opção pessoal, decidi que o recolhimento era o melhor caminho neste momento tão inesperado na minha vida política, provocado pela renúncia do governador Roriz.

Não fiz isso por receio dessas denúncias descabidas, intrigas, mentiras, calúnias.

Nada devo e nada temo.

Sou um homem de luta.

Tenho uma longa história na vida pública.

Já fui testado e experimentado em quatro eleições.

As denúncias de agora são as mesmas feitas pelos meus adversários a cada eleição.

Não posso deixar que essas mentiras pautem minha vida pessoal e política.

Correio – O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, escreveu no próprio blog que o aconselhou a não assumir o mandato.

O senhor vai contrariá-lo?Gim Argello – Conversei com o presidente do meu partido logo depois da renúncia de Roriz.

Em nenhum momento ouvi dele ou de qualquer outro companheiro do PTB sugestão para renunciar ao mandato.

Pelo contrário, tenho recebido manifestações de apoio de companheiros do PTB e de outros partidos da base do governo no Congresso.

A recomendação que Roberto me fez foi a de que não tomasse posse precipitadamente.

Correio – Qual é a melhor hora para tomar posse?Gim Argello – Não tomei posse até agora por razões médicas.

No momento estou bem.

Tomarei posse nos próximos dias.

Não quero parecer afoito para assumir um cargo que me chega de um modo que jamais desejei.

Correio – Em nota, Roberto Jefferson disse: “Gim é frágil”.

O senhor se sente assim?Gim Argello – Não, frágil não.

Se fosse frágil não teria optado pela vida pública.

Sinto-me forte o bastante para enfrentar os desafios de representar e defender os interesses do Distrito Federal no Senado.

Correio – A Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina se posicionaram contrários a estratégia cogitada por aliados do senhor de tomar posse e tirar licença médica.

O senhor agirá assim?Gim Argello – Isso é bobagem.

Jamais cogitei essa hipótese.

Ninguém sequer levantou esse tipo de assunto comigo.

Não sei de onde partiu isso.

Chega a ser ofensivo achar que eu pediria licença médica para fugir de supostos problemas.

Esse é um dos tantos absurdos e mentiras que foram ditas e publicadas.

Correio – O senhor discutiu a renúncia coletiva com o Roriz e com o segundo-suplente Marcos de Almeida?Gim Argello – Mais um absurdo.

Nunca tratei desse assunto.

Ninguém me pediu para renunciar.

Aliás, em entrevista dada a esse jornal, Marcos de Almeida (segundo-suplente de Roriz) também negou a existência de qualquer acordo nesse sentido.

Correio – Parlamentares do PTB resistem em falar sobre a postura que adotarão em relação ao senhor.

O que o senhor espera dos colegas de partido no Congresso?Gim Argello – Tenho recebido manifestações carinhosas de expressivas lideranças políticas.

Sempre tive muita atuação partidária.

Fui eleito vice-presidente nacional do partido e presidente do Diretório Regional do PTB no DF.

Não teria alcançado esses cargos tão relevantes se não merecesse a confiança do meu partido.

Correio – Aliados de Roriz acham que o senhor acelerou o processo de renúncia do ex-senador e repassou informações à revista Veja, que acusou o ex-governador de pagar propina a juízes do TRE-DF.

O que o senhor sabe sobre esse julgamento?Gim Argello – Logo após a renúncia conversei com o governador Roriz e ele não questionou minha lealdade.

Nem ele, nem seus aliados.

Roriz me conhece muito bem para se deixar influenciar por intrigas e fofocas anônimas.

Quanto à revista Veja, o que eu disse está dito entre aspas, às claras, sem subterfúgios.

O restante da matéria, informações em off, é de responsabilidade da revista.

Correio – O senhor esteve na Nely Transportes no dia em que houve a partilha dos R$ 2,2 milhões (recursos de um cheque nominal ao empresário Nenê Constantino, dos quais R$ 300 mil teriam ficado com Roriz a título de empréstimo)? O senhor conhece Osvaldino Xavier de Oliveira, dono da empresa?Gim Argello – Esse assunto está sendo largamente investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, sob a coordenação de um juiz.

Não tenho absolutamente nada com isso.

A divulgação integral das investigações vai comprovar o que estou garantindo: não tenho nada com isso.

Agora, se conheço o Osvaldino? Claro que conheço, ele é um empresário muito conhecido em Brasília.

Já estive com ele algumas vezes.

Correio – Qual foi a participação do senhor na venda do terreno no Setor de Áreas Isoladas Sudoeste, comprado pelo grupo Antares (o sócio da empresa tem investimentos conjuntos com o empresário Nenê Constantino)?Gim Argello – Absolutamente nenhuma.

Eu até poderia atuar como corretor, atividade que exerço profissionalmente quando estou fora do exercício de cargos públicos, mas sequer nessa condição participei do negócio.

Correio – O PSol e o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), alegam que atos cometidos pelo parlamentar antes de assumir podem ser investigados no Conselho de Ética.

Acredita que poderá responder por eventuais falhas anteriores?Gim Argello – São interpretações de partidos de oposição ao meu.

Nada além de denúncias vazias.

Um ato próprio de adversários políticos.

Tenho muitos anos de vida pública e jamais, repito, jamais fui condenado em nenhuma instância judicial.

Todo o homem que exerce cargo público está sujeito a responder a acusações, verdadeiras ou não.

Faz parte da democracia.

fonte: Jornal Correio Braziliense