“O partido deve ser a continuação da casa da gente”, diz Roberto Jefferson

PTB Notícias 20/07/2009, 17:47


Em entrevista para a Agência Estado, o Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, defende a fidelidade partidária e diz que o troca-troca partidário que favoreceu o partido em 2003 foi um “erro grave”.

“Crescemos da cabeça para os pés.

No primeiro buraco, quebramos a perna”, disse Jefferson.

Na entrevista, o Presidente do PTB fala sobre a estratégia atual de fortalecer as bases municipais, sobre o potencial do partido nas próximas eleições, cita os estados em que o PTB deve ter candidatos a governador e afirma que o deputado Campos Machado é um nome viável para o governo de São Paulo.

Leia a seguir a entrevista concedida por e-mail.

Agência Estado – Uma tese de doutorado defendida na USP mostra que o, ao contrário do senso comum, as lideranças dos grandes partidos brasileiros têm bastante força e controle sobre as bases.

O sr.

concorda? Como o sr.

definiria o vínculo entre cúpula e bases do PTB? Roberto Jefferson – Nós no PTB temos uma forte relação com a base do partido.

Cometemos um grave erro no governo do presidente Lula, quando, de uma bancada de 30 deputados federais, crescemos para 55.

Pela aproximação com o poder, deputados que saíam do PSDB, do DEM, que gostariam de estar na base de apoio do presidente Lula, chegaram ao PTB e nós tivemos um crescimento da cabeça para os pés, o que foi muito ruim, porque na eleição subsequente de 55 deputados federais nós caímos para 21.

Crescemos a cabeça, ficamos com a canela de vidro, no primeiro buraco que pisamos, quebramos a canela, quebramos a perna, foi muito ruim.

A partir dessa experiência, o que fizemos no PTB nessas últimas eleições municipais de 2008? Construímos um sólido partido na base.

Tivemos um crescimento de 40% na base, entre prefeitos e vereadores no Brasil.

Crescemos e esperamos com o resultado um crescimento na bancada federal de 30 a 35 deputados federais na próxima eleição.

Agência Estado – A mesma tese levanta o papel das comissões provisórias como um dos mecanismos de controle à disposição das cúpulas partidárias.

Por esta tese, a estrutura do PTB em nível local conta com diretórios em 10% das cidades e comissões provisórias em 90% delas.

Por que tanta comissão provisória? Qual a dificuldade de institucionalizar o PTB em nível local? Roberto Jefferson – As comissões provisórias são muito úteis ao partido quando a gente faz uma incorporação.

O PTB teve essa base provisória porque incorporou o PAN em 2006.

A lei estabelece que a partir dessa hora são dissolvidos os diretórios regionais e todos os diretórios municipais para a fusão.

Em São Paulo temos um grande presidente que é um monstro para trabalhar, que é o deputado Campos Machado.

Ele já organizou o PTB, e não só em 10%, como se questiona.

Nós já chegamos na verdade à marca dos 30% ou 40% dos municípios com convenção realizada.

O que nós vivemos foi a fase de transição na incorporação do PAN, porque estamos fazendo em todo o Brasil as eleições municipais, as convenções municipais, depois as convenções regionais.

Agência Estado – Uma segunda tese de doutorado advoga, do ponto de vista da disputa por governos e presidência, certa ‘divisão do trabalho’ entre os grandes partidos, pela qual PTB e PP e PR estariam deixando de lançar candidatos a governador e se contentando em apoiar candidaturas mais viáveis.

Você concorda? Roberto Jefferson – O PTB nas eleições de 2010 vai disputar eleições majoritárias para governo do Estado em Alagoas, no Pará, Amazonas, Amapá e Roraima.

São cinco estados onde já temos bases alicerçadas, onde temos nomes para disputar e ganhar as eleições.

Nos demais estados do Brasil, nós temos a expectativa do senador Sérgio Zambiasi no Rio Grande do Sul.

Há um forte expectativa da base do PTB e mesmo do eleitorado gaúcho – ele é líder de pesquisa quando se fala no seu nome para a candidatura ao governo do Estado.

Estamos construindo as alianças, vamos aguardar ainda o desenrolar do processo eleitoral.

O PTB prefere avançar nas coligações majoritárias.

Por exemplo, nessas eleições municipais, fizemos no ABC as cidades de Santo André e São Caetano, em que ganhamos a eleição.

Em São Bernardo fizemos o vice-prefeito.

Ganhamos a eleição em Manaus, ganhamos a eleição em Belém do Pará, fizemos o vice na cidade de Cuiabá, e fizemos o vice na cidade de Salvador.

Essas são as posições de prefeituras mais importantes que o PTB conquistou nas últimas eleições.

Vamos tentar coligações a nível estadual, indicando sempre a presença do vice.

Mas em São Paulo, não há uma definição do PTB de apoiar qualquer candidatura majoritária em coligação.

Temos pesquisas em mãos que apontam o deputado Campos Machado com 5% de preferência do eleitorado.

Eu gostaria, mesmo que isso sacrifique o seu mandato de deputado estadual, de testá-lo numa eleição como candidato ao governo do Estado mais importante e poderoso do Brasil que é o Estado de São Paulo.

Agência Estado – Do ponto de vista das eleições majoritárias, quais as ambições do PTB em 2010?Roberto Jefferson – Nós devemos nos coligar em uma eleição presidencial.

Nós temos que conquistar um acordo político do bem, uma aliança positiva, e que tem que enfocar o seguinte: qual a candidatura nacional que vai permitir, numa troca clara de apoios aos olhos da opinião pública nacional, a eleição de maior quantidade de deputados federais, senadores e deputados estaduais ao PTB? O PTB tem dois focos muito importantes: o aposentado e a mulher.

O trabalhador também é nossa preocupação, mas é de todos, do PT, do PSDB, e as centrais sindicais são todas elas ligadas hoje a governo, são todas chapa-branca.

É fundamental estabelecer realmente o papel da mulher na sociedade, e o direito do aposentado.

E o PTB deseja construir em torno desta aliança uma bancada em torno de 30 a 35 deputados federais.