“O PTB precisa se aproximar da sociedade”, afirma Campos Machado

PTB Notícias 28/05/2007, 15:58


Leia abaixo entrevista com o deputado estadual Campos Machado, Presidente do Diretório Estadual do PTB de São Paulo e Secretário Geral do partido, publicada no Jornal Gazeta Mercantil desta segunda-feira, 28 de maio:”O PTB precisa se aproximar da sociedade”Militante confesso da candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência da República em 2010 – mas sem que isso abale sua amizade com o também tucano Geraldo Alckmin – o advogado e deputado estadual pelo PTB paulista, Campos Machado, é o que se pode qualificar de sobrevivente na política brasileira.

Presidente estadual e secretário geral nacional da legenda, ele tem grandes planos para o PTB.

“Precisamos nos aproximar mais da sociedade”, diagnostica.

Alguns entendem que o petebista quer apenas demonstrar força e manter o poder da legenda – que na maioria das vezes se confunde com ele próprio – perante o governador Serra.

Machado chegou a reclamar da forma centralista do tucano à frente do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Ele desmente: “Posso até me orgulhar de dizer que somos o único partido que indicou um nome para o secretariado de Serra”.

Tranqüilo em seu gabinete improvisado em uma das mesas do restaurante no térreo do hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, Machado detalhou à Gazeta Mercantil os planos para fazer com que seu partido se torne “o maior do estado de São Paulo”.

E mais: Machado está articulando um projeto popular de anistia ao deputado cassado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista de Campos Machado:Gazeta Mercantil – Por que o PTB tem que mudar?Campos Machado – O PTB é hoje um partido que tem que se aproximar da sociedade.

A maneira de fazer isso é nos separar em diversos segmentos.

O meio ambiente é um tema importante hoje e não é monopólio de nenhum partido.

Nós decidimos criar o PTB Ambiental.

Procuramos alguém que pudesse ocupar a presidência com mérito e propriedade.

Para isso, nós convidamos o Pinheiro Pedro, uma autoridade no assunto, que foi candidato a governador em 2002 pelo PV.

Em seguida vamos criar o Instituto Ambiental do PTB, iniciativa que será levada por mim a todos os estados.

Vamos também criar o PTB Sindical e já temos 100 sindicatos próximos a nós.

Como nós incorporamos o PAN, não há como não criarmos também o PTB dos Aposentados.

Esses dois segmentos vão ser criados já no mês de julho.

Aí nós criaremos o PTB do Afrodescendente.

Em seguida, como temos hoje no País 17% dos brasileiros com algum tipo de deficiência física, vamos também criar o PTB do Deficiente Físico.

Vamos também montar o PTB da Mulher e, em seguida, o PTB Jovem.

Também criaremos o PTB Inter-religioso.

Temos um grande pregador da renovação carismática, Celso Rubino, que está fazendo este estudo para criar o PTB Inter-religioso.

Já marcamos uma reunião com 2.

500 pastores evangélicos, por exemplo.

Faremos um movimento cristão.

Não será o partido que irá usar a religião, será a religião que vai usar o partido para atender suas demandas.

Gazeta Mercantil – O senhor espera colher resultados rápidos dessas mudanças?Campos Machado – Está tudo pronto, teremos esses resultados já no ano que vem, nas eleições.

E para garantir ainda mais esses resultados, no dia 31 de maio vamos iniciar uma campanha de filiação partidária.

Cada filiado vai receber uma carteirinha do partido, acompanhada de um livreto onde explicaremos o que é o PTB.

Eu não quero mais filiações feitas a laço.

Todas as carteiras serão expedidas aqui em São Paulo.

Eu pretendo com essa campanha, uma cidade pela outra, fazer 500 filiações em cada município.

Na capital nós temos 52 diretórios zonais e perto de 180 mil filiados.

A nossa meta é chegar a um milhão de filiados no Estado, número que devemos alcançar em função dessa nova organização do partido.

Gazeta Mercantil – O que mais muda?Campos Machado – Nós já contratamos um designer para desenhar um novo layout para a sigla do partido.

Nós vamos lançar uma lojinha do PTB, com um novo layout da sigla, com bonés, camisetas e outros produtos que serão vendidos.

Com as duas frases: “a história que todo partido gostaria de ter” e “esse partido vale a pena”.

Gazeta Mercantil – O que muda na essência do partido?Campos Machado – Também mudamos alguns horizontes do partido.

Eu passei a acreditar que o PTB, com 70 anos de história, não pode mais ser vagão, tem que ser locomotiva.

Então o partido resolveu que vai disputar as eleições do ano que vem em todos os municípios do estado, quanto tanto possível.

Pelo menos em 300 municípios paulistas.

Estamos pela velha máxima: time que não joga perde a torcida.

Gazeta Mercantil – Isso vale para a capital?Campos Machado – Em São Paulo o partido terá candidato a prefeito, vamos tentar lançar em todas as grandes cidades do estado.

Dou um exemplo, nos municípios do ABC onde o partido sempre teve um domínio muito forte, mas que nos últimos dez anos está adormecido.

Vamos lançar candidatos, provavelmente, em todos os municípios do ABC.

Temos o Auricchio (José Auricchio Jr), em São Caetano, vamos lançar em São Bernardo, onde deveremos ter a candidatura do Frank Aguiar.

O mesmo em Santo André, onde não tínhamos nada, e que agora tentaremos lançar uma segunda via com o vereador Aidan Ravin.

Estamos, portanto, aproximando o partido da sociedade, com um apelo especial para que as direções zonais cumpram a cota de mulheres candidatas, por exemplo.

Queremos que o PTB Afro apresente candidatos e os outros segmentos também.

Temos também o PTB desportista, de onde queremos lançar o Neto candidato a vereador (ex-jogador do Corinthians e, atualmente, comentarista polêmico de esportes na TV).

Gazeta Mercantil – O partido vai conseguir melhor desempenho nas urnas?Campos Machado – Nós nos aproximamos da sociedade, com representantes de todos os segmentos.

Estamos em uma nova fase, a fase da fidelidade partidária.

Se eu saio candidato o faço ancorado em uma chapa completa, com quase 90 candidatos que, teoricamente, terão que fazer campanha para você, candidato à prefeito.

Caso contrário podem perder a legenda.

Estamos procurando gente que seja leal ao partido.

Antes os candidatos iam cada um para o seu lado, hoje isso não acontece mais.

Gazeta Mercantil – O senhor será candidato à prefeitura de São Paulo?Campos Machado – Serei sim, candidato à Prefeitura de São Paulo.

Gazeta Mercantil – O PTB não fará coligações?Campos Machado – Quanto a coligações eu pretendo examinar todas elas aqui em São Paulo.

Todo mundo sabe que tenho ligações com Geraldo Alckmin (PSDB), fui seu vice, a quem considero mais como um irmão do que um amigo.

Vivo uma fase na Assembléia Legislativa onde já disse na tribuna, de maneira claro que, enquanto eu estivesse ali, a liderança do PTB era uma trincheira para defender Geraldo Alckmin.

Hoje ele está sendo alvo de todo o tipo de ataques.

Gazeta Mercantil – A relação com o Serra é semelhante?Campos Machado – Tenho um compromisso com o Serra.

Houve lealdade total comigo e com o meu partido.

Nós tivemos uma conversa em junho do ano passado quando eu pedi a vice pra ele, ele foi simpático ao pedido, e só não o fez porque o PFL e o PPS também reivindicaram.

Então nós achamos melhor que ele não contrariasse os aliados.

Ele saiu pela solução caseira que evitava constrangimentos, embora o PPS, naquela altura, com o Arnaldo Jardim (deputado) também estava propenso a apoiar a vice para o PTB.

Não tenho a menor queixa do Serra.

Assumi um compromisso com ele para 2010 que pretendo cumprir.

Gazeta Mercantil – O senhor se sentiu prejudicado pelo governador?Campos Machado – Tenho um relacionamento pessoal com o secretário Aloísio Nunes Ferreira, mas evidentemente cada um tem uma maneira de governar.

De qualquer forma, sou um político independente e defendo a tese de que aliado não é alienado.

Tenho um compromisso com o governo Serra, mas isso não quer dizer que eu não possa divergir dele, e quando isso acontecer é sinal de que estou agindo da maneira que minha consciência dita.

Gazeta Mercantil – Com Alckmin candidato, qual será o comportamento do partido?Campos Machado – Ele precisa ser candidato.

O meu partido terá candidato.

É voz corrente que apenas comporemos a chapa do Alckmin, mas estou defendendo que tenhamos candidato próprio.

Isso não quer dizer que em um eventual segundo turno não possamos apoiar o Alckmin, que é o que faremos.

O nosso partido precisa ter candidato, do contrário matamos os sonhos do partido.

O nosso candidato vai fazer uma campanha voltada apenas para a cidade, sem outras questões.

O povo brasileiro não está preocupado com a Etiópia, e nem com o Evo Morales.

O povo está preocupado com os seus próprios problemas.

Gazeta Mercantil – Porque o senhor acredita que o Alckmin precisa ser candidato?Campos Machado – Ele não pode esperar 2010 para decidir sua vida.

Vamos imaginar que o Serra seja candidato em 2010, e sobra a opção para o Senado.

E ele vai ficar quatro anos sem mandato? O PSDB vai forçar a candidatura como forçou em 2004, só que essa eleição é uma que tudo pode acontecer.

A Marta Suplicy é candidatíssima.

Teremos uma situação interessante: de um lado o PSDB, que eu não acredito que abrirá mão de uma candidatura, e de outro o PT com a Marta.

Gazeta Mercantil – E o PFL?Campos Machado – Todos sabem que eu tenho ligação muito próxima com o prefeito Gilberto Kassab.

O PSDB não deixará de lançar candidato.

Eu preciso ter uma conversa muito aberta e leal com o meu irmão Kassab.

Porque nos últimos cinco anos estamos caminhando juntos.

Tenho ligações estreitas tanto com Alckmin, como com o Kassab, mas eu tenho que raciocinar como líder de um partido que começa a ter consciência de que pode ser o maior do Estado.