Paes Landim lembra na Câmara os 200 anos da vinda da Corte portuguesa

PTB Notícias 30/11/2007, 9:17


O deputado Paes Landim, do PTB do Piauí, fez um apelo ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para que seja designado um grupo de trabalho na Câmara que, em conjunto com a Assembléia da República de Portugal, organize comemorações dos 200 anos da vinda da corte portuguesa para o Brasil, ocorrida em 1808.

Segundo o deputado, o acontecimento histórico foi um episódio da maior importância, pois representou “uma verdadeira refundação do Brasil”.

Paes Landim lembrou que a viagem para o Brasil do então príncipe regente português D.

João VI contou com a proteção de embarcações inglesas, comandadas pelo famoso capitão Ian Smith, e foi negociada pelo encarregado de negócios da Inglaterra em Portugal, Lorde Stanford.

O deputado disse que o historiador brasileiro que mais se debruçou sobre a personalidade de D.

João VI foi o pernambucano Oliveira Lima.

A imagem do rei perante a história foi defendida pelo deputado.

“D.

João VI tem sido injustiçado, acusado de indecisão e covardia, porque alguns acham que ele deveria ter reagido à invasão das tropas de Napoleão a Portugal; mas Napoleão era o terror na época, destruiu várias monarquias, e D.

João VI, prudentemente, terminou optando por se fixar no Brasil, para salvar a dinastia da Casa de Bragança”, explicou o deputado petebista.

Na análise do deputado, a vinda de D.

João VI para o Brasil foi um ato sui generis, pois ele foi o primeiro e último monarca europeu a se mudar para uma colônia.

O rei aportou na Bahia no dia 22 de janeiro de 1808.

Paes Landim disse discordar dos historiadores que consideram a chegada em Salvador como um desvio dos ventos, um acidente de percurso.

Para o deputado piauiense, D.

João VI chegou à conclusão de que era importante descer na Bahia, que tinha sido capital do vice-reino, e assim uma parte da família real foi para o Rio de Janeiro, enquanto o rei foi a Salvador, consciente de que o gesto era importante em um momento em que as comunicações eram dificílimas e havia a necessidade de unir todas as capitanias hereditárias para fortalecer sua autoridade monárquica.

Foi ainda na Bahia, disse o deputado, que D.

João VI tomou a decisão histórica da abertura dos portos, aconselhado pelo Visconde de Cairu.

De acordo com Paes Landim, D.

João VI assumiu o compromisso de abrir os portos do Brasil “às nações amigas” para atender aos interesses da Inglaterra, que era a nação protetora e grande aliada portuguesa naquele momento.

D.

João VI, disse Paes Landim, criou a primeira faculdade de medicina do Brasil, a histórica Faculdade da Bahia.

Um mês depois, já no Rio de Janeiro, se afeiçoou tanto à cidade que, não fosse a pressão da corte portuguesa ,talvez não regressasse a Portugal em 1821.

“O fez só porque a nova Constituição lá promulgada exigia a presença do rei para jurar obediência e fidelidade”, explicou.

fonte: Jornal do Senado