Pré-candidata Regina Zetone tem preocupações regionais com São Caetano

PTB Notícias 26/06/2012, 6:27


Regina Maura Zetone, pré-candidata do PTB, segue os passos do prefeito José Auricchio Júnior (PTB) para sucedê-lo em São Caetano (SP).

Os dois trabalharam juntos na secretaria de Saúde.

Ele deixou a titularidade da pasta para ser prefeito; ela assumiu o cargo depois.

No segundo mandato dele, ela saiu da secretaria para ser assessora especial de Coordenação da Ação Social.

Com Auricchio como padrinho político, a postulante promete governo de continuidade e com avanços na saúde e educação.

Confira a entrevista abaixo:A senhora disse, em 2009, após trocar a pasta de Saúde pela assessoria de Coordenação, que não seria candidata? Por que a mudança? Eu nunca pautei meu trabalho objetivando ser prefeita.

Sempre batalhei muito pela administração e me propus estar junto e colaborar.

Nada do que fiz foi imaginando ser prefeita.

Paulo Pinheiro (PMDB), seu adversário nas urnas, saiu do PTB reclamando que não houve diálogo para a indicação do pré-candidato.

Como se deu a escolha do seu nome? Fui até surpreendida quando me perguntaram se eu aceitaria.

Consultei minha família e pensei muito porque é uma doação grande, um trabalho intenso e uma responsabilidade especial.

Ele [Paulo Pinheiro] se sentiu preterido e diz que não foi democrática a escolha.

Eu primeiro fui consultada se aceitaria, mas o PTB já tinha conversado, corroborou com essa ideia, me coloquei à disposição e começamos a trabalhar.

A escolha foi democrática a partir do momento que respeitou a dinâmica e o estatuto do partido.

Auricchio é seu maior cabo eleitoral.

Como se dará a participação dele na sua campanha e em eventual governo? É o maior cabo eleitoral e é um prefeito com 90% de aprovação.

A administração tem mais de 90% de aprovação nas áreas mais sensíveis: saúde e educação.

Quando se tem saúde e educação bem aprovadas, significa orçamento bem aplicado e investimento nas pessoas.

Não tem hoje na cidade quem não se utilize da saúde da prefeitura.

Por mais que tenha condição socioeconômica, na hora da urgência e emergência, o socorro vem do município, até porque houve redução no número de hospitais privados na cidade.

Conto com a participação dele nas questões de aconselhamento e novas propostas.

Um bom conselheiro ao meu lado e da população.

Quem formulou políticas com a competência que ele formulou, com certeza continuará dando ideias e poderemos aproveitar do seu conhecimento político e administrativo.

O que existe de mais urgente para se fazer na cidade? Acho que não temos algo tão urgente quanto às questões que são metropolitanas.

Aquilo que é de responsabilidade exclusiva e constitucional do município, que é saúde, educação e assistência social, está muito bem resolvido, mas precisa avançar.

Necessita de inovações para aprimoramento e para os desafios que estão chegando, não só na área da saúde, com novas tecnologias, medicamentos e tratamentos, mas também em educação, com a inclusão de alunos deficientes, tratamento das crianças que têm déficit de aprendizado e as questões das bolsas de estudos no Ensino Superior – que ainda não são integrais – e de mais vagas junto à Fatec (Faculdade de Tecnologia).

As questões metropolitanas são mais urgentes: segurança, mobilidade urbana e enchentes são problemas importantes.

Não podemos nos esquecer da destinação do lixo.

Se o Estado autorizou, no Alto Tiête, a construção de usina para transformação de lixo em energia, por que não pode autorizar aqui na região? O problema é do Estado todo, mas as regiões desenvolvidas, muito populosas, produzem grande quantidade de lixo.

Temos de pensar sério e buscar solução o mais breve possível.

O ABC tem área para que se construa isso, com investimento de parceiro privado, que pode explorar a energia gerada.

Essa usina seria de usufruto de toda a região? Da região.

Aliás, todas essas questões passam pelo crivo dos sete municípios.

Como melhorar o trânsito de São Caetano sem modificar o entorno? Como melhorar a segurança se as cidades não têm fronteiras e temos efetivo pequeno da Polícia Militar e pouca frota? É preciso investimento maior do Estado.

A GCM (Guarda Civil Municipal) faz hoje papel que não seria dela, de policiamento ostensivo e preventivo.

O apoio à Polícia Militar tem sido bem feito.

A GCM é capacitada e será valorizada, mas precisamos de trabalho mais intenso da Polícia Militar.

São Caetano tem 120 policiais e São Bernardo, 2.

000.

Por que a diferença? A gente conhece a criminalidade da cidade.

São Caetano tem o menor índice de homicídios por 100 mil habitantes.

Em compensação, o índice de roubo e furto de veículo é estável, mas chama muito a atenção e dá sensação de insegurança.

Temos 70 câmeras 360 graus pela cidade e uma central à disposição da Polícia Militar.

Acredita que a Polícia Militar precisa participar mais? Acho que precisa de diálogo.

Como moradora, sei que existe sensação de insegurança por conta do roubo e furto de veículo.

A cidade tem uma frota que é o dobro do número de motoristas.

São 180 mil veículos licenciados e 90 mil motoristas.

Não há garagens para todos os veículos e muitos ficam na rua e é uma situação de risco.

Existem abordagens em portas de escola e em portas de hospitais, que são conhecidas.

Deve existir planejamento tático para se combater isso.

Não é competência do município, mas da polícia.

São Caetano é populosa, verticalizada, e com território pequeno, que, talvez, promova até uma facilidade de ações táticas e preventivas.

É o que está faltando.

São Caetano tem problemas de mobilidade e estacionamento rotativo insuficiente para a demanda.

O que fazer para melhorar o transporte? A implantação de Zona Azul, especialmente nas áreas comercias, é importante porque senão as vagas ficam tomadas de carros 24 horas por dia e quem precisa ir ao comércio acaba não tendo onde parar.

O estacionamento rotativo é alternativa, mas está saturado.

Temos de criar mecanismos para a construção de garagens subterrâneas nas áreas centrais e comerciais.

Isso traz segurança, comodidade e conforto.

Poderia ser iniciativa privada com incentivo público.

Temos de estudar a melhor forma.

O Consórcio avalia medidas de restrição, como o rodízio de veículos.

Acredita que beneficiaria São Caetano? O rodízio tem efeito por poucos meses, vide o que aconteceu em São Paulo.

A alternativa para o rodízio é ter carro com outra placa.

Isso já existe.

Grande parte das pessoas que mora em São Caetano trabalha, estuda ou frequenta São Paulo e já tem alternativa de outra placa para poder rodar.

Isso não vai ser solução nunca.

Solução é transporte público de qualidade.

Vamos ter metrô de superfície, em dois ou três anos, e o Expresso ABC, que vai trazer transporte rápido e confortável entre a região e a capital.

A nossa estação ferroviária será reformada e terá bicicletário.

Teremos cinco estações do metrô com bicicletários e com ciclovia por baixo da linha elevada.

Com interligações, faremos um anel cicloviário, que será mais um modal de transporte.

Além disso, acredito no estímulo do uso compartilhado do veículo.

Nas vias mais largas, poderemos ter faixa expressa onde possam circular o transporte coletivo, o táxi com passageiro e o veículo particular com duas ou mais pessoas.

É um incentivo para que os vizinhos saiam juntos em vez de sairem com quatro carros para o mesmo destino.

Isso traz economia de combustível, melhoria da qualidade do ar, do trânsito e da socialização.

Qual diagnóstico faz da saúde em São Caetano? Saímos de um patamar incipiente, entre 1997 e 1998, quando eu comecei a trabalhar, um pouco antes do hoje prefeito Auricchio entrar como secretário.

Depois ele saiu para prefeitura e eu entrei no lugar dele.

O primeiro passo para a reestruturação foi a construção do [hospital] Maria Braido, em 2004.

Demoramos 50 anos para ter dois hospitais, o Márcia e o Maria Braido, e hoje temos sete.

Conseguimos uma saúde, nestes 15 anos, que pode não ser a ideal, mas é a melhor da região.

Ainda que precise de melhor organização e humanização, o sistema de saúde está estruturalmente pronto.

Vamos chegar a quase 300 leitos, em uma cidade que tinha pouco mais de 60 leitos há sete anos e meio.

Temos também a reabertura do Hospital São Caetano.

O hospital tem sido criticado pela oposição, mas hoje já tem clínicas de urologia, ortopedia, cardiologia, 38 leitos de internação e que, paulatinamente, entre três e quatro meses, terá novos serviços até que se transforme em um grande hospital de clínicas.

O PSF (Programa de Saúde da Família) atinge 70% da população, em todos os bairros.

Temos o programa de atenção domiciliar, que dá suporte ao doente acamado como nenhum outro município.

A coordenadoria da terceira idade, vinculada à secretaria de Saúde, permite que as pessoas tenham o que precisam: qualidade de vida garantida.

O atendimento de saúde vai para dentro dos centros de terceira idade.

Eles têm atividades culturais, participam de passeios, fazem turismo, organizam festas, praticam esportes.

Temos aulas de pilates em todas os centros da terceira idade.

E em todos os clubes esportivos também.

Qual município oferece pilates, gratuitamente, para todos os moradores? O esporte comunitário é um promotor de saúde: são 70 modalidades esportivas espalhadas em todos os clubes.

Dizer que a cidade não vence jogos Regionais ou Escolares é contrassenso.

Ninguém pratica esporte, exclusivamente, para ter alto rendimento e vencer competições.

O esporte comunitário precisa estar à disposição de todos, especialmente das crianças.

As crianças de São Caetano estudam em período integral e têm atividades culturais e esportivas.

Estamos assistindo a formação de uma geração de jovens, a partir de 2005, no governo do prefeito Auricchio, que hoje ainda são crianças, mas que entre seis e oito anos serão jovens, e vamos assistir às diferenças nos baixos índices de criminalidade e de uso de drogas.

A droga é um problema do Brasil.

O prefeito não tem de combater o tráfico, mas precisa dar suporte ao usuário e ao familiar.

A cidade está pronta para os impactos do boom imobiliário? O que precisa ser feito? A cidade já teve, em 1980, 160 mil habitantes.

O último Censo [2010] contou 149 mil habitantes.

Entre 1990 e 1992, com a crise e a desindustrialização, muitas empresas foram embora de São Caetano e os funcionários, também.

Se em 1980 tínhamos 160 mil habitantes e não faltou escola, saúde, esgoto e água, por que agora, quando teremos, no máximo da ocupação destes imóveis novos, cerca de 157 mil habitantes, haveria de faltar? Estão pregando um apocalipse que não vai acontecer.

As pessoas têm direito ao livre-arbítrio e quem quiser morar em São Caetano, poderá vir, pois existem imóveis disponíveis.

É questão de mercado.

O que foi construído até hoje foi baseado no Plano Diretor que existia.

Hoje mudou.

Uma lei de outubro de 2010 já coibiu a implantação de novos empreendimentos.

Não existem novos projetos protocolados na prefeitura.

Os edifícios que estão sendo colocados à venda já tinham projetos aprovados.

Eu queria saber qual a proposta de quem critica.

É derrubar os prédios e proibir as pessoas de virem morar aqui? Nem todos os apartamentos serão habitados por moradores de fora, serão também por pessoas que já moram na cidade.

O que a cidade já tem, vai continuar.

A estrutura de saúde é capaz de atender à população.

Na educação, precisamos ficar atentos e, se houver necessidade de vagas, temos de cobrir.

Hoje, a demanda é 100% atendida dos quatro meses de idade ao final do Ensino Médio.

Não existe isso em município nenhum, pois é responsabilidade do Estado e São Caetano a tomou para si.

São Caetano é a mais conectada com a internet do Brasil.

Acredita que essa pode ser ferramenta para o governo? Quando digo que São Caetano precisa avançar, é que precisa se tornar mais inteligente.

Para que a gente possa monitorar a cidade.

Para que os pais conheçam a rotina dos filhos – se foram para a aula, quando entraram, quando saíram ou se não foram para aula.

Tudo pela internet.

Conseguir ter esse controle é importante.

Acredito que possamos atingir a meta de fornecer banda larga gratuita para todos os moradores da cidade.

E universal.

Em pontos de ônibus, na praça, no clube, em qualquer lugar poder ter acesso à internet.

Sei de municípios que já têm e São Caetano pode ter.

Vou em busca disso.

A prefeitura de São Caetano já tem muitas mulheres ocupando cargos de destaque.

Pretende aumentar a participação feminina no governo? Eu acho a questão de gênero preconceituosa.

Não acho vantagem nenhuma eu ser mulher ou não na candidatura à prefeitura.

As secretarias que são chaves precisam ser ocupadas por técnicos, homem ou mulher, mas que sejam competentes para formular políticas públicas e executar projetos.

Na área pública, transformar papel em realidade é moroso e complicado.

Um exemplo disso é o Hospital São Caetano, que iria para leilão e seria transformado em dois ou três prédios.

Iria para leilão em 12 de agosto de 2011 e conseguimos, em 8 de agosto, publicar o início do processo de tombamento.

Foi uma atitude rápida e, eu diria, heróica.

Nada demoveria investidor de arrematar e derrubar o hospital, mesmo ele tendo sido decretado de utilidade pública, pois era preciso desapropriar e a prefeitura não tinha condições.

Declarar o hospital como patrimônio histórico foi fundamental.

E isso eu posso dizer que foi ideia minha.

E deu certo.

Agência Trabalhista de Notícias (LL) com informações do Portal BAND