Prefeita Dalila de Mello é considerada sinônimo de força e perseverança

PTB Notícias 18/05/2012, 8:10


O conceito de ser mãe é, para muitos, a mulher que gera e dá à luz um filho, ou pode ser aquela que cria um ente querido como se fosse sua geradora, dando-lhe carinho e proteção.

Fora todas essas características, é aquela mulher que, nos tempos modernos, além de ser mãe é também esposa, avó, trabalhadora e gestora pública.

É nesse perfil que se encaixa a prefeita de Assis Chateaubriand (PR), Dalila José de Mello (PTB).

Dalila nasceu em Abatiá, no Estado do Paraná.

É casada com Arildo Barbosa dos Santos e mãe de seis filhos, sendo três adotivos.

Trabalhou na lavoura, lavando roupas, como empregada doméstica e professora de primário.

Chegou ao município de Assis Chateaubriand no início dos anos 70, quando começou a se dedicar às causas sociais.

Ajudou a fundar uma das maiores instituições que cuida de crianças da região, o Centro de Estudos do Menor e Integração na Comunidade (Cemic).

Foi secretária de Saúde e é até hoje um dos ícones do trabalho social nessa área.

Eleita prefeita em 2004, transformou o município em um grande canteiro de obras públicas que mudou a história da cidade.

Seu trabalho foi reconhecido de tal forma, que venceu novamente as eleições quatro anos depois, sendo reeleita para mais um mandato, em 2008.

Dalila governa Assis com mãos de ferro, mas tratando seu povo com um coração de mãe, tendo a razão por princípio, sem abrir mão da emoção do ser humano que é.

A exemplo da maioria das mães, Dalila é uma mulher que faz de tudo pelos filhos: sofre com seus problemas, quer estar sempre ao lado, nutre a felicidade e o bem-estar deles e nunca dispensa um carinho e afeto nos reencontros.

“Eu trabalhava durante o dia e lavava roupa à noite.

Muitas e muitas noites eu lavei toda a roupa, chegava em casa quase às 19 horas e enquanto todo mundo tomava banho, eu fazia a janta, dava a comida para os meus filhos e ia para o tanque lavar a roupa de casa.

Meia noite eu estava estendendo roupa ainda e no outro dia, às 6 horas da manhã, eu já estava de pé, já tinha feito o café e o básico do almoço”, relatou parte de sua história.

Preocupada com todos que dependiam dela, Dalila nunca desistiu da família.

E, pensando em ajudar muito mais pessoas a melhorar seu bem-estar, Dalila entrou para a política.

“Sempre atendi muito bem à população, quando trabalhava na saúde, dei tudo de mim nesse atendimento.

Muitas pessoas chegavam à Secretaria de Saúde e diziam “Dona Dalila, porque a senhora não é candidata à vereadora para nos ajudar? A senhora não vai ter muito mais tranquilidade e facilidade para nos ajudar?”.

E aquilo foi nascendo dentro da minha cabeça”, apontou.

Na sua primeira eleição, Dalila não se elegeu, mas nem por isso desistiu de ajudar a população do seu município.

Nas eleições seguintes, Dalila se elegeu e permaneceu como vereadora por 16 anos.

Passado esse tempo, a mulher guerreira e batalhadora teve o aval dos filhos para fazer muito mais pelas pessoas, ser prefeita de Assis.

“Eu conversei com meus filhos e eles disseram “Se a senhora tem vontade, deve ir em frente, pois a população conhece o seu trabalho”.

E fui candidata à prefeita em 2004.

Fui feliz, ganhei as eleições e trabalhei da melhor maneira possível e, em 2008, fui para a reeleição.

Ganhei novamente e aqui estou, procurando fazer um trabalho da melhor maneira possível para toda a nossa população”, relembrou.

Com tantos cargos importantes para administrar, de mãe, avó, esposa, dona de casa e gestora pública, Dalila é um exemplo de “mãezona”, a verdadeira representação da mulher brasileira.

Leia, a seguir, a íntegra da entrevista: Jornal da Voz do Paraná – Como é hoje ser prefeita, mãe e avó? Porque avó é mãe duas vezes.

Quais as dificuldades? Dalila – Ser mãe é a coisa mais linda e sublime do mundo.

Sinto-me muito honrada.

Tenho seis filhos.

Vim do norte do Paraná para Assis Chateaubriand em 1970, vim com quatro filhos, dos quais dois nasceram em Assis.

Hoje tenho uma família que há 14 anos mora no Japão, tenho um filho que é agente da Polícia Federal em Campo Grande e três moram em Assis, duas mulheres e um homem.

Tenho três netos no Japão, duas em Campo Grande e duas netas em Assis.

Vim em 1970 e em 73 comecei a trabalhar em Assis Chateaubriand.

Em 1970, quando cheguei, foi muito difícil.

Eu morava em uma casa que não tinha água encanada, luz e aqui eu vim para uma casa em que fui enfrentar um poço com profundidade de 25 metros para tirar água, cozinhar, lavar, passar, fazer tudo.

Depois fui trabalhar de doméstica, trabalhei também como zeladora de república, lavei, passei roupa para várias pessoas, depois fui professora, e assim continuou minha vida durante esses anos.

Fui fundadora do Cemic e da Casa da Criança.

Sai do Cemic e vim para a prefeitura, da prefeitura fui para o Centro de Saúde, fui diretora de saúde e do bem-estar social.

Naquele tempo não tinha Secretaria de Assistência Social, era tudo junto.

Se hoje não é fácil com a Secretaria de Saúde e a de Assistência Social, imagine naquela época em que os dois eram juntos.

Era muito mais difícil para trabalharmos.

Hoje encontramos assistentes sociais para contratar, mas naquela época não tinha e mesmo assim superamos, fomos trabalhando, meus filhos foram crescendo, os mais velhos foram criando os mais pequenos.

Meu marido começou a trabalhar primeiro de empregado, depois nós montamos a oficina.

Foi então que eu dividi a oficina no meio, tirei um pedaço e construí a minha casa, porque pagávamos aluguel.

Com meus mais velhos criando os mais novos, eu trabalhava durante o dia e lavava roupa de noite.

Muitas e muitas noites eu lavei toda a roupa, chegava em casa quase às 19 horas e enquanto todo mundo tomava banho, eu fazia a janta, dava a janta para os meus filhos e ia para o tanque lavar a roupa.

Meia noite eu estava estendendo roupa ainda e no outro dia, às 6 horas da manhã eu já estava de pé, já tinha feito o café, tinha preparado o básico do almoço.

Quanto às meninas, duas estudavam de manhã e uma à tarde, para controlar que os mais velhos cuidassem dos menores, porque eu tinha o Jorginho pequeno, depois tive a Tatiane, então tínhamos esse controle.

Depois do meu trabalho na Secretaria de Saúde, eu fui candidata à vereadora.

Jornal da Voz do Paraná – O que a levou para a política?Dalila – Foi o meu atendimento na saúde.

Sempre atendi muito bem a população, dei tudo de mim nesse atendimento e a população pedia.

Muitas pessoas chegavam na Secretaria de Saúde e diziam ” Dona Dalila, porque a senhora não entra na política? Porque a senhora não é candidata à vereadora para nos ajudar? A senhora não vai ter muito mais tranquilidade e facilidade para nos ajudar?”.

E aquilo foi nascendo dentro da minha cabeça.

Consultei na época o esposo, os filhos mais velhos e com o seu apoio acabei saindo.

Jornal da Voz do Paraná – Como ingressou no funcionalismo público?Dalila – A primeira vez na prefeitura fiz um teste seletivo e passei na época do Manoel Ramos, depois eu fui convidada pela esposa do prefeito para fundarmos o Cemic.

Lá fiquei seis anos batalhando, depois saí da prefeitura, me desentendi com o prefeito na época e pedi a conta.

E então o senhor Osvaldo me convidou, dizendo “olha, todo mundo gosta da senhora e eu gostaria que a senhora fosse candidata à vereadora”.

Fui candidata com ele, não me elegi, fiquei a segunda suplente.

Quando o senhor Osvaldo assumiu, ele disse que se ele fosse vereador eu seria vereadora, senão, eu iria escolher um cargo em que queria trabalhar na prefeitura para ajudá-lo na administração, e eu, como sempre enfrentei desafio, construí um Cemic, trabalhei seis anos lá dentro e depois.

Escolhi trabalhar na saúde com ele.

Mas a comunidade dizia “mas a senhora tem que sair candidata à vereadora” e, pelo trabalho que eu vinha prestando na comunidade, achei que estava preparada para contribuir muito mais com o município se eu fosse vereadora, e foi quando eu fui candidata e ganhei a primeira eleição, assumi a câmara municipal, continuei atendendo ao povo da melhor maneira possível.

Fui para a segunda eleição, também aumentei minha votação e continuei atendendo à população.

Depois houve um desentendimento, o presidente da câmara não queria que eu atendesse na câmara, cortaram os meus telefones de lá.

Os atendimentos que eu fazia na câmara causavam ciúmes para os outros vereadores, porque eu tinha uma condição de trabalho favorecida pela bagagem que trouxe do departamento de saúde, pois, com a minha humildade, eu entrava em qualquer lugar.

Então abri as portas da minha casa para atender ao povo, transformei minha casa em um grande escritório de atendimento ao público.

O atendimento na minha casa era grande, o povo sempre foi bem atendido e ganhei outra eleição como a mais votada.

Jornal da Voz do Paraná – Como é ser mãe? A senhora, quando está em casa, está preocupada com a prefeitura e quando está na prefeitura está preocupada com a casa? Não existe mãe que não tenha problemas com a casa, com o marido, filhos.

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Como é isso para a senhora?Dalila – Não é fácil.

Mas a mulher sempre dá um jeito para conciliar tudo.

Durante a minha vida toda trabalhei fora, sempre tive que conciliar meus filhos, dar atenção para eles, para a escola, sempre cuidando deles da melhor maneira possível.

E também trabalhando fora não foi diferente.

Lógico que depois de ser prefeita, muda bastante.

Comecei a viajar bastante, muita correria, mas sempre temos condições de conciliar as coisas, o atendimento aos filhos, à família, nunca deixei de lhes dispensar atenção, carinho e afeto, mesmo quando estou longe não deixo de me preocupar e mantenho contatos constantes.

Desde a minha primeira eleição eu reservo o sábado.

Só se eu tiver um compromisso muito grande da prefeitura para eu não estar em casa com os meus filhos aos sábados, porque esse é o dia de eu ficar com eles.

No sábado faço almoço, almoço com meus filhos, com as netas que aqui estão.

Dificuldade tem, porque às vezes vou para o mercado às seis horas da tarde, na hora em que o mercado está quase fechando, porque quem faz a compra da minha casa sou eu.

Passei muita dificuldade.

Teve dias que eu tinha o feijão e não tinha o arroz para fazer para os meus filhos.

Mas superamos, graças ao bom Deus, todos os meus filhos estudaram, se formaram, tiveram em sua vida um bom meio de seguir adiante.

Nenhum dos meus filhos me deu problema.

Eles são o maior orgulho que tenho como mãe.

E sabemos que não é fácil.

Hoje, às vezes os jovens se envolvem com droga, com muitas coisas que não gostaríamos em que eles se envolvessem.

Conheço muitos pais e mães, e sei que esse sofrimento não é fácil.

Agradeço muito a Deus pelos filhos que me deu, porque nunca tive problema com nenhum deles.

E nós estamos aí, terminando o mandato, com a família unida, os filhos unidos, lógico, alguns distantes, pois uma está lá no Japão o outro está aqui em Campo Grande; uma nós perdemos na época da campanha, mas foi a vontade de Deus, uma doença que sabemos que não é fácil.

Mas graças ao bom Deus, tenho conseguido conciliar e fazer o melhor pela minha família.

Jornal da Voz do Paraná – Como a senhora lida com a questão dos netos, onde, geralmente, há problemas de ciúmes? A senhora é aquela vovózona?Dalila – Eu sou vovózona das duas que estão aqui.

Uma pula no pescoço, a outra pula também e assim nós tocamos o barco.

Eu sento muito com elas, perco lá uma hora para fazer carinho.

Meus filhos, quando têm algum problema, vem chorar no ombro.

Eu costumo dizer que as mães são todas iguais, só mudam de endereço, são todas iguais a uma galinha que choca.

Uma galinha quando está choca, com um monte de pintinho, quando está chovendo ela se molha todinha, mas abre as asas e põe todos embaixo dela.

E assim somos nós, assim sou eu, sempre abri as asas e trouxe meus filhos para debaixo das minhas asas.

Jornal da Voz do Paraná – Já teve problema por ser mulher quando era vereadora e agora, enquanto prefeita?Dalila – Já.

Hoje mudou muito, mais ainda existe o cidadão que não vota na mulher, que diz que lugar de mulher é atrás do fogão, com o umbigo na pia.

Acredito que a cada ano que passa a discriminação é menor.

A mulher tem capacidade de trabalhar e desenvolver esse trabalho igual o homem, não tem diferença.

Olha só a surpresa que está fazendo a presidenta da república.

Às vezes ouvíamos que a Dilma não iria conseguir fazer e ela está surpreendendo.

E assim o mundo mudou muito.

Na primeira vez em que fui candidata à vereadora, o homem não queria saber de votar na mulher.

Alguns perguntavam para mim o que eu ia fazer na câmara, que lugar de mulher era na cozinha.

Mas dei conta das duas coisas.

Jornal da Voz do Paraná – Fale das mães que hoje a senhora representa.

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Dalila – Represento 33 mil habitantes de Assis, das quais boa parte é mãe.

O número hoje de mulheres é maior que o de homens.

Cada uma delas tem um pedacinho de história, de trabalho, do que já fez na vida para contar.

Lógico que nossa vida não foi só um mar de rosas, teve espinhos.

Eu vim da roça quando criança e não foi fácil.

Tenho certeza que todas as mães, se tivessem que responder como eu estou respondendo, usariam outras palavras, mas seria a mesma resposta.

Todas nós somos iguais e tenho certeza de que qualquer uma de nós tem o colo preparado para dois, dez, vinte filhos.

Para qualquer número de filhos que tiver, sempre vão caber no colo e no ombro de uma mãe, para que ela possa acalentá-los.

Jornal da Voz do Paraná – Em todos esses anos na política, a senhora teme alguma mágoa, ou a senhora tem um coração de mãe e esquece e deixa para lá? Dalila – Às vezes ficamos tristes.

Já me entristeci várias vezes com pessoas que não têm o que falar, que fazem calúnia, difamação, mas também já perdoei, porque são pessoas que têm a mente desocupada, que não têm o que fazer na vida.

Mas não tenho rancor, não guardo mágoa, eu perdoo.

Pode ter certeza que muitas pessoas fizeram horrores, porque eu nunca vi, em todas as campanhas de prefeitos de Assis, tanta crítica, tanta injúria, difamação, quanto foi com a Dalila mulher, com a Dalila que era uma cidadã de Assis.

Esquecer não esqueço, mas se precisar estender a mão para dar um copo d”água , dar um atendimento a essas pessoas, eu o farei.

Jornal da Voz do Paraná – A prefeita se sente uma mãezona de Assis Chateaubriand?Dalila – Sinto-me uma mãe responsável por todos os filhos de Assis Chateaubriand.

É tão verdade que eu não vi isso entre os prefeitos que passaram.

Não estou criticando nenhum, pois cada um governou como pôde, como teve condições de governar, mas é tão verdade que sou mãezona dos filhos de Assis, porque quem fez o maior investimento na educação foi a Dalila de Mello.

Agência Trabalhista de Notícias (LL) com informações do Portal Jornal A Voz do Paraná