“Prefeito de Teresina não é imbatível para 2008”, afirma JVC em entrevista

PTB Notícias 22/07/2007, 14:04


O senador petebista João Vicente Claudino, do Piauí, eleito em 2006 com aproximadamente 926 mil votos, o que representa 65,44% da maioria, completou esta semana seis meses de mandato parlamentar.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornal O Dia, do Piauí, o senador JVC fala da experiência em exercer seu primeiro cargo eletivo e dos desafios a serem enfrentados nas eleições 2008.

Presidente do Diretório Estadual do PTB piauiense, o senador tem se articulado por todo Piauí para fortalecer seu partido visando às eleições municipais.

A previsão, segundo ele, é que a sigla dispute 80 prefeituras no estado.

O parlamentar afirma que só em fevereiro o PTB se posicionará sobre uma possível candidatura em Teresina.

João Vicente reconhece o trabalho do prefeito Sílvio Mendes, admite que sua candidatura é forte, mas não imbatível.

Quando o assunto é Palácio de Karnak em 2010, o senador prefere não ir muito afundo no assunto, mas deixa a entender que será candidato a governador do Piauí.

E vai além, quando diz que Wellington Dias é um grande nome para o Senado Federal.

O Dia – Como o senhor avalia seus primeiros seis meses de mandato? Corresponderam as expectativas? João Vicente Claudino – Eu acredito que tenhamos correspondido, nós estávamos planejando assumir o Senado e nos adaptar ao ritmo normal do Legislativo.

No Congresso, o ritmo é muito diferente do que assumir cargos executivos na iniciativa privada ou pública, que era a minha experiência.

Conseguimos produzir nove matérias legislativas, projetos de emenda constitucional, projetos de decretos legislativos, projetos de lei.

Nesse ponto foi acima das expectativas.

Defendemos muitos projetos para o Piauí, colocamos três emendas que vão beneficiar o estado na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), alguns parlamentares não conseguiram e nós conseguimos.

Em um balanço, nosso trabalho foi acima do esperado.

O Dia – Esta semana, por conta da crise no Senado, o seu colega de bancada, Heráclito Fortes, disse que a Casa não tinha o que comemorar, o senhor concorda?João Vicente Claudino – Eu não concordo muito, já que até maio a Casa teve um ritmo acima do esperado.

Claro que o mês de junho foi um mês de turbulência.

Foi um mês que não saiu da maneira que se esperava as votações de matérias no plenário, mas as comissões continuaram funcionando normalmente, sejam as comissões permanentes, como as de inquérito.

O plenário foi que não teve assiduidade para votar matérias importantes, por conta dos problemas com o presidente Renan Calheiros e o senador Joaquim Roriz.

Pode não ter tido o resultado esperado, mas dentro das circunstâncias, a atuação do Senado foi boa.

O Dia – Qual a sua opinião sobre o caso Renan Calheiros? João Vicente Claudino – No início, quando surgiu o problema, ele deveria ter tirado uma curta licença, até mesmo pela consciência que o presidente tem de inocência para não “obstacularizar” o trabalho legislativo, teria contribuído ainda mais, mas ele optou por ficar na presidência, foi sua estratégia, vamos esperar as investigações, as perícias, não fazemos parte da comissão, mas vamos votar o relatório no plenário.

Não há como a gente ter uma certeza sem averiguar as provas.

O Dia – Como estão as articulações do PTB no estado? João Vicente Claudino – Estamos articulando o partido com muita tranqüilidade.

Os entendimentos nasceram desde as eleições de 2006.

Estamos apenas ratificando os convites feitos na caminhada de 2006.

Não estamos buscando quantidade, mas qualidade na representação destas lideranças.

Queremos um partido de referência, mas contribuindo para o contexto político do Piauí.

Tem superado nossas expectativas, saímos das eleições com 20 prefeitos e hoje já temos 40 e até setembro aumentaremos muito essa quantidade.

Temos crescido também em número de vereadores e vice-prefeitos.

Tem também a questão dos resultados que partidos mais tradicionais tiveram no último pleito, por isso essa ebulição de mudar de partido, pois se a reforma política passar vai ficar mais difícil sair de uma sigla.

O Dia – O senhor já tem um balanço de quantas cidades o PTB deva disputar prefeituras?João Vicente Claudino – Eu acho que o número passa de 80 nas eleições 2008.

O Dia – Em Teresina, corre o risco do partido sair para o pleito com um candidato próprio?João Vicente Claudino – Nós temos um bom entendimento com o prefeito Sílvio Mendes, apesar dos descompassos no início da administração dele.

O momento oportuno é o de 2008.

Em fevereiro ou março do ano que vem vamos estar decidindo isso.

Hoje temos um bom entendimento e bom entrosamento com o prefeito.

O Dia – Se o PTB, PCdoB, PT e o PMDB concretizarem suas candidaturas, como o senhor acha que será a disputa pelo voto em Teresina, já que os três partidos são da base do governador?João Vicente Claudino – Não podemos lançar candidato por lançar, temos que se basear em entendimentos.

Não tem porque romper estes entendimentos se o partido não tem essa convicção.

Se o partido decide por uma candidatura é buscar um nome.

Cada partido tem uma estratégia.

É legítimo o desejo do PC doB ter candidato, como o PT, embora eu ache que ele possa apoiar o candidato do PCdoB.

Tem também o PMDB, que pode ter candidato.

O certo é esperar o início do ano para termos uma clareza em cada partido.

O Dia – Sílvio Mendes é imbatível? Como o senhor avalia a administração do tucano em Teresina? João Vicente Claudino – Não existe candidatura imbatível, eu acho que o que credencia qualquer candidatura é o trabalho e o prefeito tem trabalhado, por isso que o nome dele tem se consolidado não só como uma grande liderança, mas pela sua administração super elogiada e aprovada pela grande maioria da população de Teresina.

Ele tem feito uma política diferente, com outra postura, apesar do PSDB estar administrando Teresina há muito tempo.

Tem atendido as expectativas da cidade na administração do dia-a-dia.

Eu acredito que o prefeito tem feito um grande trabalho, mas não existe vitória antecipada, essa história de já ganhou, não existe candidatura imbatível.

Às vezes, um fato na política muda o rumo de todo o trabalho.

Agora, (ele) é um forte candidato à Prefeitura de Teresina.

O Dia – Um dos seus amigos, o secretário Robert Rios, disse que muitas de suas ações pelo estado são de um candidato.

De fato, o senhor deve concorrer ao governo do estado em 2010?João Vicente Claudino – Eu tenho caminhado pelo estado como o presidente do PTB, é preciso diferenciar o presidente do partido do senador.

Claro que estando lá, o senador participa dos problemas do município e procura resolvê-los, mas estamos voltados para o fortalecimento do partido para 2008.

É evidente que o fortalecimento em uma eleição municipal credencia você para qualquer eleição futura.

Mas eu tenho dito repetidas vezes que eleição para o Executivo é diferente.

O nome deve nascer da compreensão popular.

Nós temos feito o nosso trabalho, como dirigente partidário e político.

Tudo tem que ser degrau por degrau.

Se o PTB decidir por aquele nome, para qualquer cargo, nós podemos colocar nosso nome à disposição.

O Dia – O que o senhor acha da candidatura do vice-governador Wilson Martins (PSB), caso ela se concretize?João Vicente Claudino – Todos os nomes que se discute para o cenário de 2010, eu só tenho boas referências.

O interessante é que as candidaturas são todas de um lado só.

Todos os partidos pertencem à base do governador Wellington Dias.

São pessoas que convivemos durante os 90 dias de campanha.

Seja o vicegovernador Wilson ou o deputado Antonio José Medeiros, ou de outros partidos que caminharam conosco, o relacionamento é o melhor possível, mesmo que o futuro reserve caminhos diferentes para as coligações.

O Dia – Quais as chances do estado do Gurguéia ser criado?João Vicente Claudino – O Gurguéia é a grande porta para o desenvolvimento do próprio Gurguéia e Piauí.

O Piauí não tem capacidade para investir ao ritmo necessário que o Gurguéia precisa.

Não estamos querendo criar estados para criar meramente cargos.

O Brasil passa por uma rediscussão da sua questão territorial.

Portanto, é uma discussão nacional, não se restringe a dividir o estado do Piauí.

É imprescindível, eu defendo o Gurguéia não com interesse político, mas como cidadão, como uma pessoa que vislumbra aquele estado sendo grandioso.

Dependendo do gerenciamento dos recursos, estes dois estados têm tudo para crescerem.

O Dia – O senhor acha que a população já consegue diferenciar o empresário do político?João Vicente Claudino – Eu acho que sim, nas nossas caminhadas tenho ouvido estes depoimentos.

Nós não paramos, fomos eleitos para representar o povo, não importa que alguém tenha feito uma atuação diferente no cargo de senador, não vamos mudar nossa maneira de fazer política.

É esse balizamento que vamos levar para nossa vida.

O Dia – O senhor ainda vê alguma ameaça ao seu mandato por parte das constantes investidas na Justiça do ex-governador Hugo Napoleão?João Vicente Claudino – Após o momento eleitoral sempre é comum a busca de recursos para discussão de pleitos eleitorais.

Temos a total convicção do que nós fizemos na campanha.

Essa foi a campanha mais transparente, com prestação de conta mensal através da internet, com a fiscalização da Justiça eleitoral, temos consciência do que fizemos, que armas nós usamos, o discurso que nós colocamos, a defesa de idéias.

É tanto que temos essa votação esmagadora, quase 66% dos votos.

Estamos bem tranqüilos, esse assunto fora colocado para nossos advogados.

Vamos continuar exercendo nosso mandato.

O Dia – O presidente do DEM no Piauí, Valdeci Cavalcante, disse que deputados estão levando xícaras de café e carregando a pasta do senador visando à sua candidatura em 2010.

Como o senhor avalia estas críticas?João Vicente Claudino – O DEM deveria fazer era uma autocrítica.

Se acontece um fato desse dentro do partido, algo de errado tem.

Ou o partido está distante de suas bases, ou abandou determinada base.

Houve algum problema no relacionamento político desse partido.

Eles devem resolver os problemas do partido deles.

Eu procuro resolver os problemas do PTB.

Ninguém vê problema do nosso partido em manchete de jornal.

Resolvemos tudo de forma interna.

Nós não deixamos problema crescer.

Eu não tenho opinião e nem conselho para o DEM.

Eles têm políticos experientes demais que devem saber os resolver os problemas na maior responsabilidade.

O Dia – O que o governo Wellington Dias vem acertando e errando?João Vicente Claudino – Ele tem contribuído muito para o desenvolvimento do estado.

Tem investido muito na infra-estrutura do estado.

O Piauí é muito grande e grande são seus problemas, mas o governador é determinado.

Tem dito resultados em áreas que há muito não se investia, como as rodovias.

Os erros foram mínimos, se não o resultado da eleição não teria sido tão expressivo.

Agora, há um desafio muito maior, que é o comparativo à sua própria atuação.

O Dia – E a candidatura dele ao Senado?João Vicente Claudino – Não tenha dúvida que é um bom nome.

O governador é um político credenciado para disputar qualquer cargo.

Ele é um grande nome.

fonte: Jornal O Dia (PI)