Prefeito Edmundo Rodrigues lamenta fim do Açude de Forquilha

PTB Notícias 21/01/2009, 10:54


Às vésperas de completar 90 anos de criação, o açude de Forquilhas (CE) sofrerá intervenção nacional.

Segundo o prefeito da cidade, Edmundo Rodrigues (PTB-CE), apesar da data, não há nada para comemorar.

“O açude está agonizante”, afirmou.

Em reunião na manhã de ontem, membros da Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento Nacional de Secas (Dnocs) e da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) definiram um conjunto de regras para a preservação do açude que deu origem à cidade de Forquilha.

Entre as regulamentações, foi definido a proibição de uso de agrotóxicos, a criação de gado e o desmatamento na área de preservação da bacia hidráulica.

Propriedade do DNOCS, o açude, que tem capacidade para 50 x 106 m3, está precisando de atenção para que possa aumentar sua capacidade de abastecimento.

A Prefeitura do município e órgãos competentes se comprometeram em atuar na recuperação e fiscalização da bacia, afirmou o superintendente de outorga da ANA, Francisco Viana.

Formada uma comissão de acompanhamento, em um prazo de 15 dias serão apresentadas as atividades de revitalização.

Devido ao marco regulatório, os usuários da bacia terão de assinar protocolo de compromisso com a sustentabilidade do Açude.

“O foco desse encontro foi a regulação e a distribuição de responsabilidades.

Se essas ações de controle social não funcionarem, iremos multar aqueles que não estiverem cumprindo o acordo”, ressaltou Viana.

Na reunião foram distribuídas responsabilidades para os diversos órgãos, cabendo ao Dnocs a parte de operação, à Cogerh o controle de usos e da qualidade e ao Comitê da Bacia do Acaraú o acompanhamento.

Atualmente, o volume de água no reservatório corresponde a 51,73% da capacidade total, que é de 50,1 milhões de metros cúbicos.

Segundo o prefeito Edmundo Rodrigues Júnior, a cidade ficou oito meses sem água para 80% da população.

Ele disse que o problema só foi resolvido em 2008 com a construção da adutora pelo Governo do Estado que trouxe água do rio Acaraú.

Relatando a situação difícil dos moradores da cidade com a “morte” do Açude, o Prefeito de Forquilha, expôs a situação de vulnerabilidade da bacia que, há anos, sofre com a poluição e o desmatamento.

O Prefeito afirmou que o nível de qualidade da água no açude Forquilha chegou à escala 4 de qualidade, abaixo do máximo que é a escala 5 observada no rio Tietê, em São Paulo.

“O Forquilha está agonizando”, afirmou.

Em atividade na sede do Dnocs, os participantes apresentaram um relatório apontando os danos causados à bacia.

No documento, é diagnosticado o desmatamento para plantio com emprego de agrotóxicos e a criação de 2,5 mil cabeças de gado na área de preservação.

Segundo o superintendente da ANA, a água está ficando poluída e os peixes estão morrendo.

“Toda essa realidade só traz problemas para a cidade que, tem no açude, um grande suporte econômico”, disse Francisco Viana.

Segundo ele, a maioria dos açudes do Ceará está sofrendo agressões e precisam de intervenção e ações de revitalização.

O superintendente da ANA prevê que num prazo de cinco anos, cessadas todas as agressões ao reservatório, possa haver um retorno pleno da qualidade original da água.

Além de ações punitivas, práticas de educação ambiental são bem-vindas, afirmou Francisco Viana.

“Se a comunidade local não tiver consciência da importância da preservação, de nada adiantará trabalhos educativos”, completou o superintendente de outorga da ANA.

Fonte: Folha do Ceará