Prefeitura de Batatais apóia translado dos restos mortais de José Olympio

PTB Notícias 18/03/2009, 9:18


Foi realizado na última sexta-feira (13/03), o translado dos restos mortais do editor José Olympio, do Rio de Janeiro para Batatais.

Antes do sepultamento, ocorreu na igreja matriz a cerimônia de exéquias, contando com a presença de autoridades, convidados e familiares do homenageado, entre eles o neto José Olympio Veiga Pereira.

A iniciativa da família, que contou com total da Prefeitura de Batatais – administrada pelo petebista José Luis Romagnoli, ganhou repercussão nacional com divulgação nos principais veículos de comunicação do país.

José Olympio Pereira Filho morreu no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1990, aos 88 anos e estava enterrado no cemitério São João Batista.

A idéia das exéquias ganhou corpo em 2002, por ocasião do centenário de seu nascimento.

O professor José Henrique Barbieri, responsável pela Biblioteca Municipal Dr.

Altino Arantes, autorizado pelos familiares, cuidou de tudo.

Na cerimônia de exéquias, celebrada pelo padre Pedro Ricardo Bartolomeu, o vice-prefeito Eduardo Oliveira fez um pronunciamento destacando a vida do editor e a importância daquele momento para Batatais, confira: “Só seremos um país, quando formos um país de livros e leitores (Monteiro Lobato).

Hoje Batatais está em festa.

Está recebendo e guardará para sempre os restos mortais de um ilustre cidadão: o editor e livreiro José Olympio Pereira Filho.

Batatais acolhedora e fraterna, se envaidece de todos os seus filhos: – aqueles que ficam aqui mesmo, sua terra natal, berço e trabalho, para a construção de um novo futuro; – aqueles que aqui nasceram e foram batalhar em outros cantos, enaltecendo a Batatais querida, berço e túmulo, porque nunca a deixaram para sempre.

Os livros não transformam o mundo, mas sim os homens, e como as gerações nascem umas das outras, nós batataenses, estamos sem dúvida, entre os privilegiados.

José Olympio, homem de grandes destinos, bom, coração generoso, trato afável, cultura invulgar, inteligência de exceção, humanista, empreendedor, de visão futurista, deixa-nos um legado ímpar e talvez insubstituível.

Quero dirigir-me aos seus familiares, com a permissão de todos.

A vida é sucessão de reparações: perder um ente querido desconstrói o nosso sonho do “para sempre” e nos faz pensar no “nunca mais”.

Depois do luto, chega o tempo das conversas, do contar, de fazer viver na lembrança, de construir o retrato que guardamos para sempre no coração e na memória, refazendo o ente querido.

A vida acaba sem verdadeiramente ter acabado, porque os mortos não deixam de existir: eles precisam de vivos para evitar-lhes uma segunda morte: são modelos, cúmplices do nosso universo.

Vocês têm muito a comemorar, muito a refletir e a agradecer: – a ausência física do pai, avô, bisavô, do editor que ouviu sempre as necessidades e aflições e sobretudo ouviu corações, daqueles que a ele recorreram, e para vocês, o maior legado da sua humanidade, que exorbitando o âmbito familiar, estedeu-se a todo o país e ao mundo.

Desde jovem, o editor sabia que o fomento à leitura é uma das principais estratégias de aprendizado e de desenvolvimento de uma sociedade justa, cidadã e solidária.

Para isto conseguiu equilibrar trabalho e generosidade, caminhando ao encontro da justiça.

Foi à luta com determinação, abraçou a vida com paixão, perdeu com classe e venceu com ousadia.

Não se faz necessário um longo discurso, mas sim, um olhar profundo, reverente, para a vida e a história desse ser humano: contribuinte ferrenho da semente do saber.

José Olympio, tenho certeza, que quando pode partir sabia que o melhor ainda era poder voltar.

Hoje, hora do encontro e da partida, descanse em sua terra natal e olhe, por nós, que ainda vamos ficar: mas tenha a certeza do dever cumprido, portanto fique em paz”, destacou Eduardo Oliveira.

Agência Trabalhista de Notícias