Prefeitura de Manaus e Ministério da Saúde promovem curso para parteiras

PTB Notícias 6/05/2010, 11:39


No Dia Internacional da Parteira, comemorado nesta quarta-feira (05/05), Manaus sediou um curso inédito no mundo, de acordo com o Ministério da Saúde (MS).

Trata-se do “2º Curso de Capacitação de Parteiras Tradicionais”, que aborda técnicas de Reanimação Neonatal.

O curso, no auditório do Parque Municipal do Idoso, reuniu cerca de 30 parteiras das zonas rurais, incluindo índias das etnias tikuna, sateré-mawé e waimiri-atroari.

Promovido pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o treinamento, que faz parte do Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais, do Ministério da Saúde (MS), é pioneiro no mundo.

Durante a sua concepção, foi inspirado na atuação das parteiras do Amazonas, de acordo com a pediatra Rossiclei Pinheiro, que participou do evento, representando o programa do MS.

“Temos cerca de 40 mil parteiras no País, número maior que o de médicos, das quais 40% estão na região Norte, a maioria no Amazonas, atuando, inclusive, na área urbana de Manaus”, disse.

O curso promovido em Manaus foi realizado em parceria com a Sociedade Amazonense de Pediatria.

Conforme o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, o objetivo principal é preparar as parteiras para atuar em situações de emergência, em especial nos caso de asfixia do bebê, situação que pode ocorrer logo nos primeiros minutos do nascimento.

“A cada 10 bebês que nascem no mundo, pelo um tem problemas para conseguir respirar nos 30 primeiros segundos de vida.

O procedimento correto permite salvar esse bebê e evitar sequelas”, afirmou.

O treinamento foi ministrado por pediatras neonatologistas que atuam como instrutores do Curso de Reanimação Neonatal, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Natural de São Gabriel da Cachoeira, Domitila da Silva, 67, é parteira desde os 16 anos.

Ela se orgulha de ter realizado mais de 100 partos bem sucedidos, embora um deles, em especial, ficou na memória devido à situação de risco.

“O bebê estava sem respirar e eu não sabia o que fazer.

Graças a Deus, ele sobreviveu.

Mas hoje, já sei como agir, aprendi todos os detalhes”, relatou.

Para ajudar no atendimento que fazem nas comunidades, as participantes do curso receberam kits do MS, contendo pinça e um balão auto-inflável para reanimação em ar ambiente.

Conforme a pediatra Elena Marta Amaral, da Área Técnica da Saúde da Criança da Semsa, este equipamento é manual, usado para reanimar o bebê que nasce com dificuldade de captar o oxigênio.

“Ele ajuda o bebê a “pegar” o ar natural, algo fundamental nos 30 primeiros segundos de vida”, ressaltou.

Junto com o kit, a Semsa distribuiu 40 balanças e 40 esfigmomanômetros (aparelhos para verificar a pressão arterial que, em níveis elevados nas gestantes, pode contribuir para o desenvolvimento da doença chamada eclampsia).

“Quando a parteira sabe proceder corretamente em casos de falta de oxigênio do bebê no momento do nascimento e identificar o quadro elevado de pressão arterial da mãe, ela ajuda a diminuir em 10% o risco da mortalidade neonatal e materna”, afirmou Elena MartaTreinamentos – O grupo de parteiras participantes do treinamento neonatal é o mesmo que, no final do ano passado, integrou a primeira etapa da capacitação, focada nos procedimentos para um parto saudável.

A Semsa prevê a realização de, pelo menos, uma oficina do Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais a cada semestre, além de excursões dos servidores, a cada três meses, para realizar o monitoramento das atividades das parteiras in loco.