Prefeitura de São Caetano do Sul quer abrigar Museu do Automóvel

PTB Notícias 5/02/2011, 10:09


No aniversário de 125 anos do primeiro automóvel, o triciclo de Karl Benz, o Grande ABC, berço da indústria automobilística brasileira, pode ganhar um presente que merece há anos.

As cidades de São Bernardo e São Caetano revelaram a intenção de trazer para a região o rico acervo do extinto Museu do Automóvel de São Paulo, que fechou as portas na semana passada.

O primeiro a declarar total disposição foi o prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PTB).

“Vamos correr atrás disso.

É do nosso interesse ter o museu na cidade”, declarou o governante, reconhecendo que a maior dificuldade será encontrar um local para abrigar os mais de 70 clássicos do passado e 40 mil peças históricas.

“Mas analisaremos todas as possibilidades”.

Segundo Mônica e Emília Cristina Siciliano, administradoras do extinto acervo, a possível transferência para o Grande ABC seria muito bem-vinda.

“São Paulo é uma cidade grande e o museu é só mais uma das inúmeras atrações turísticas.

Em um município menor, como Santo André, São Bernardo ou São Caetano, o museu ficaria mais em evidência”, analisou Emília, que mora há seis anos em São Caetano.

Filhas de Romeu Siciliano, que fundou em 21 de setembro de 1999 o Museu do Automóvel de São Paulo e morreu em 2008, elas exaltaram a influência da região no antigomobilismo.

Segundo Emília, o encontro de carros antigos que ocorre todos os anos no Parque Chico Mendes, em São Caetano, é exemplo de organização e apresenta o mesmo nível do evento em Araxá (MG), considerado o maior do País.

NAMORO ANTIGO – O Grande ABC “flerta” há tempos com a possibilidade de ter um museu.

Em 2005, o plano de erguer o Museu da General Motors foi abandonado, após a Prefeitura de São Caetano ter oferecido área para o acervo da montadora, que então foi levado para o Museu da Ulbra, em Canoas (RS), que também fechou as portas.

“Meu pai chegou a trabalhar para ajudar a montar o museu da GM”, lembrou Emília, destacando o fato de a própria marca ter patrocinado o museu da Capital durante um ano e meio.

“Nós tínhamos inclusive uma linha de montagem dela (GM) exposta no nosso galpão no bairro do Ipiranga”.

TRISTE FIM – O Museu do Automóvel de São Paulo sofreu com o descaso governamental.

“Vivemos durante 12 anos pagando aluguel.

Sequer tivemos um prédio próprio”, revelou Mônica.

“Meu pai sempre dizia: “A cidade ganha muito com o museu.

E o museu, ganha o quê?””Para manter 20 carros, o investimento mensal é de R$ 15 mil.

“Para cuidar de 70 automóveis, o gasto pode chegar a R$ 40 mil”, revelou Mônica.

Com o encerramento das atividades, os clássicos do passado – entre eles um Lê Zebre 1909 que pertenceu à família do pai da aviação, Alberto Santos Dumont – estão guardados à espera de nova casa em Araçariguama (SP), cidade que estuda, assim como Jundiaí (SP), a possibilidade de acolher os clássicos.

“Temos também um ferro-velho em Santa Barbara d”Oeste (SP) que meu pai comprou há 11 anos e que abrigava cerca de 500 veículos antigos que necessitavam de restauração.

Hoje existem apenas 120″, revelou Emília.

“O objetivo era fazer do local uma escola de ofício, onde restauradores ensinariam a profissão a jovens interessados.

” * Agência Trabalhista de Notícias com informações do Diário do Grande ABC