Prefeitura será parceira da ONU na promoção do desenvolvimento social

PTB Notícias 14/04/2007, 20:46


Enquanto em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra, o trabalho voluntário já está arraigado às obrigações sociais e culturais, o Brasil ainda caminha a passos lentos, apesar da força que tomou a partir da década de 90, quando surgiu o movimento Ação da Cidadania Contra a Miséria e pela Vida, liderado por Herbert de Souza, o Betinho.

“No entanto, no Brasil, a prática do voluntariado ainda é muito diferente”, afirmou o coordenador do Programa Nacional de Voluntários das Nações Unidas (UNV) – United Nation Volunteers – o alemão Dirk Hegmanns, na tarde da última quinta-feira, 12, em visita ao prefeito de Belém, o petebista Duciomar Costa, no Palácio Antônio Lemos.

O objetivo da visita foi identificar a potencialidade dos projetos sociais do município na erradicação da pobreza e sustentabilidade do planeta.

Para isso, Hegmanns veio acompanhado do consultor espanhol, Manoel Acevedo Ruiz, especializado em Gestão de Conhecimento para o desenvolvimento sustentável e representante de uma missão das Organizações das Nações Unidas (ONU) no Brasil.

“O apoio do poder público é fundamental para promover ações de voluntariado em parceria com instituições e a sociedade civil organizada”.

Para o coordenador da UNV, muito mais do que oferecer ajuda material, cada cidadão pode, através dos conhecimentos, auxiliar na consolidação de estratégias que permitam a auto-gestão e multiplicação de valores e ações lideradas pela própria comunidade assistida.

É o chamado voluntariado técnico.

O compromisso do UNV, coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é promover entre 191 países membros da ONU, incluindo o Brasil, atividades que alcancem até 2015 o conjunto de Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), aprovados pelas Nações Unidas em 2000, na chamada Declaração do Milênio.

Os objetivos consistem em Erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

Para acelerar o cumprimento dos objetivos do milênio, a coordenação brasileira do UNV implantou o projeto “Levar os Objetivos do Milênio para as Comunidades” em sete áreas urbanas – Salvador (BA), Natal (RN), Anápolis (GO), Manaus (AM), Riberão Preto (SP), Maringá (PR) e, agora, Belém.

Participaram da reunião o secretário de Economia, Helder Mello, a presidente da Funpapa, Maria Costa e a coordenadora do Ama Belém, Carmem Dias.

O grupo apresentou aos representantes da ONU alguns dos projetos municipais com foco na inclusão social, geração de emprego e renda, e desenvolvimento auto-sustentável, realizados pelo Fundo Ver-o-Sol, Funpapa e Ama Belém.

“A prefeitura municipal tem todo o interesse em se envolver nesta grande causa, até mesmo porque sozinho o poder público não consegue trabalhar a conscientização social.

Mesmo que tenhamos o recurso disponível e os meios para aplicá-los em projetos sociais, a exemplo do que já vem sendo feito Belém, precisamos do apoio de toda a sociedade e por isto esta parceria com a ONU irá com certeza subsidiar nossos anseios em erradicar a desigualdade social e melhorar o índice do desenvolvimento humano (IDH) da nossa região”, afirmou o prefeito Duciomar Costa.

GADE – O encontro aconteceu por intermédio do Grupo de Ação pelo Desenvolvimento (Gade), único representante da ONU no Pará.

O interesse surgiu a partir do contato do grupo com as ações promovidas pelo Ama Belém, que segundo o coordenador do Gade, João Carlos Addário, “são referências no município”.

Formado por 10 jovens universitários, desde 2006 o Gade já atingiu em torno de 1,5 mil pessoas só na capital e agora está desenvolvendo um estudo em comunidades do Marajó para identificar suas necessidades e carências.

As ações do Gade consistem em sensibilizar e capacitar o público jovem para que, por meio do “protagonismo juvenil”, eles sejam os multiplicadores de ações sociais em suas próprias comunidades.

A coordenadora do Ama Belém ainda acrescentou que um dos grandes desafios do voluntariado no Brasil em todos os setores e esferas sociais é justamente romper a barreira do assistencialismo.

“Nos países desenvolvidos a sociedade já entende que é preciso se engajar na causa promovendo o seu continuísmo.

Por que oferecemos apenas o peixe, se podemos ensinar a pescar?”, questionou.

fonte: site da Prefeitura Municipal de Belém (PA)