Presidente do PTB lamenta falecimento do senador Antonio Carlos Magalhães

PTB Notícias 20/07/2007, 16:13


Em nota divulgada na última sexta-feira, 20/7, o Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, lamentou a morte do senador Antônio Carlos Magalhães, ocorrida no mesmo dia no Instituto do Coração (Incor) em São Paulo.

ACM estava internado há pouco mais de 40 dias, e faleceu por falência múltipla dos órgãos.

“Perdemos um grande político brasileiro, defensor incansável da Bahia e do povo baiano, corajoso e valente.

Sinto muito esta perda.

“, disse Roberto Jefferson.

Clique aqui para ler a nota do Presidente do PTB e um discurso feito por Roberto Jefferson no dia 07 de fevereiro de 2001, em que homenageava o então presidente do Senado, ACM, que presidia sessão para eleição de seu sucessor.

Pedido ao Nosso Senhor do BonfimMorreu nesta sexta-feira o senador Antonio Carlos Magalhães.

Perdemos um grande político brasileiro, defensor incansável da Bahia e do povo baiano, corajoso e valente.

Sinto muito esta perda.

Lembro que ele sofreu muito com a perda de seu filho Luiz Eduardo, preparado por ACM para a presidência do Brasil.

ACM nunca se restabeleceu por completo, perdendo muita luz e muita força, acabou sucumbindo à tristeza, à idade e ao estresse.

Peço que Nosso Senhor do Bonfim o receba.

Discurso do então Deputado Federal Roberto Jefferson, em homenagem ao senador Antonio Carlos Magalhães, realizado no dia 07/02/2001:ROBERTO JEFFERSON (PTB-RJ.

Sem revisão do orador.

) – Sr.

Presidente, Sras.

e Srs.

Parlamentares, não sei se em minha vida terei outra chance como esta.

Não sei.

Sr.

Presidente Antonio Carlos Magalhães, aprendi com meu avô que o homem que não tem lado não tem fundo.

Aprendi também com ele que só tem amigo quem tem inimigo.

E projeto um pouco meu avô na figura de V.

Exa.

, que tem inimigos porque cultiva acima de tudo os amigos que lhes são fiéis.

V.

Exa.

é homem polêmico porque tem lado e fundo.

Poucos homens públicos emprestam emoção à vida pública como o faz V.

Exa.

Comecei a assistir no gabinete da Liderança do PTB aos discursos de homenagem a V.

Exa.

, e de despedida, nesta sessão do Congresso que V.

Exa, preside.

Percebi que desde o primeiro discurso V.

Exa.

chora.

Só chora quem ama; só chora quem tem emoção.

V.

Exa.

empresta emoção à vida pública.

A política seria muito insossa, muito rude, muito dura, se vivesse apenas da matemática da inteligência da sua atuação.

O poder em si é algo insosso, não fosse a emoção que os homens a ele emprestam.

E V.

Exa.

tem emoção.

Tanto tem que seu coração sucumbiu certa vez e passou quatro horas fora do peito.

Recordo-me da ocasião em que sua família autorizou sua cirurgia; conversando com o Ministro Adib Jatene, que foi quem a realizou, fiquei sabendo que 90% das chances lhe eram desfavoráveis.

E seu coração ficou durante quatro horas fora do peito para poder voltar a pulsar forte, onde se encontra neste momento.

E ele sofre, e sofre assim por ser um coração possuidor de emoção.

Posso testemunhar isso pelo que ouço de amigos que temos em comum, como nosso companheiro de partido Deputado Félix Mendonça.

Toda vez que V.

Exa.

passa por um problema, o abatimento de Félix é algo que toca, machuca.

Quantas vezes coloquei a cabeça desse caboclo, que é mais velho que eu, em meu peito, para consolá-lo do sofrimento por que V.

Exa.

passava.

Só se chora assim por um amigo, um amigo de verdade, Sr.

Presidente.

Isso V.

Exa.

é.

Já fui a Salvador em 4 de setembro, aniversário de V.

Exa.

Vi a cidade inteira parada e V.

Exa.

de pé durante oito ou dez horas, beijando todos, o pobrezinho, o mais rico, o empresário, o trabalhador, todos os que, carregando faixas, vão à sua casa como numa romaria, para beijar e saudar V.

Exa.

como o maior líder da Bahia e, sem dúvida, um dos maiores do Brasil.

O PFL está passando por uma grande crise interna.

Sem dúvida, seria hoje o maior partido de poder do País, se Luis Eduardo estivesse vivo.

Deus lhe concedeu, Sr.

Presidente, e depois lhe furtou a chance de produzir um estadista.

V.

Exa.

produziu em sua casa o estadista que foi Luis Eduardo.

Estivesse ele vivo, esta crise não existiria.

Tudo convergiria tranqüilamente para o PFL, e saberíamos quem era o timoneiro a continuar a obra da construção do projeto de Brasil em que acreditamos.

Mas Deus lhe deu um estadista e depois lho roubou.

Deu-nos o estadista e roubou-o de nós.

Perdemos Luis Eduardo.

Esta é a crise de perplexidade que vive hoje o PFL, porque homens de tal envergadura raramente aparecem.

Na minha vida convivi com dois grandes estadistas: um, o filho do General Leônidas Cardoso, Fernando Henrique Cardoso — difícil substituí-lo na Presidência da República; o outro foi o seu filho, Sr.

Presidente, que V.

Exa.

preparou para substituir aquele outro estadista, mas cujo coração, também cheio de emoção como o de V.

Exa.

, frustrou nosso projeto, roubou da nossa convivência, roubou da vida, do Brasil e do nosso povo.

Faço-lhe esta homenagem, Presidente, como seu amigo e admirador.

Sou Deputado há vinte anos nesta Casa.

Aprendi a respeitá-lo, a admirá-lo e a amá-lo pelo amor que seus amigos nutrem por V.

Exa.

Gosto do político que é V.

Exa.

: corajoso, guerreiro, enfrentando todas as situações de frente e de cabeça erguida, sem temer ninguém, sem nada temer.

Nem a surpresa nem a dor que a vida lhe causou tiraram-lhe o ânimo da luta.

V.

Exa.

tem, na juventude do seu coração, a força que o mantém de pé, porque não é fácil passar pelo que passou V.

Exa.

e estar aí sentado, presidindo esta sessão, vivo, lutando para manter com dignidade a sucessão da cadeira de Presidente do Congresso Nacional que V.

Exa.

tão bem ocupa.

Sr.

Presidente, em nome do meu partido, o Partido Trabalhista Brasileiro, em nome do Presidente do meu partido, o Deputado José Carlos Martinez, e em nome de Félix Mendonça, meu companheiro de partido, seu amigo, e amigo que o ama, por influência dele, que está olhando-me e chorando igual a um bobo, digo-lhe: amamos V.

Exa.

pelo devotamento e pelo amor que seus amigos lhe dedicam.

Um abraço, e muito obrigado pelo legado que nos deixa, que vamos tentar imitar e seguir.

Muito obrigado, Sr.

Presidente.

(Palmas.

)